Kill List (2011)

2011/ ING / 95 min / Direção: Ben Wheatley /Roteiro: Ben Wheatley, Amy Jump / Produção: Claire Jones, Andy Starke / Elenco: Neil Maskell, MyAnna Buring, Michael Smiley

Algum tempo ouço falar de “Kill List” e como ele é um filme perturbador em vários sentidos. Lendo algumas listas, vi que também ele é inspirado em casos reais da “deep web“. Sim, aquele “google underground” onde você pode fazer o que quiser, como contratar assassinos de aluguel, comprar drogas, acessar documentos de outros países e por ai vai.

Em 2013 esses assuntos da “deep web” começou a ficar cada vez mais comentado e eis que “Kill List” entrou no meu radar. Mas quando finalmente assisti, nossa que viagem, claro que no bom sentido. O filme é brutal e visceral, ele não poupa o gore e também a paranoia por vista dos personagens. O que achei mais legal é que o filme em si poderia ser uma coisa rasa sem acrescentar nada, ou seja, só o gore pelo gore. Mas o diretor e roteirista Ben Wheatley deixou tudo mais interessante ao introduzir um culto estranho. O que gostei mais também é que ele não explica esse culto, ou seja, não sabemos informação alguma e isso deixa mais interessante e também não trata o telespectador como idiota.

Recentemente escrevi para uma crítica para o blog “Sessão do Medo” falando sobre diretores “novos” de terror  e nisso falei de alguns que tem um aspecto mais autoral e é influenciado por diretores das antigas. Mas esqueci de citar o Ben Wheatley, confesso que só assisti a três filmes dele. O “Kill List“,” Turistas“, que é um filme bem insano também e “Free Fire” que é outro filme bem original. Preciso assistir a filmografia toda dele, mas já virei fã do seu trabalho.  Parece que em cada produção ele pega algo diferente para colocar em seus filmes. Aqui no “Kill List” é legal como ele mistura uma violência fria e crua no estilo Alan Clarke com o seu curta “Elephant” com um mistério no melhor estilo Stanley Kubrick.

A história começa quando o ex- soldado britânico Jay ( Neil Maskell) retornou da guerra em Kiev para a sua casa e acabou se reunindo com um antigo amigo Gal (Michael Smiley), e assim começa a trabalhar como assassino de aluguel. Mas Jay tem alguns traumas do passado que interferem tanto no seu trabalho como na sua família. E quando eles pegam um trabalho mais recente, as coisas começam a ficar mais complicadas, já que um estranho culto faz com que ele não saiba mais o que é realidade ou não.

“Kill List” é aquele filme que você precisa ver, mas ao mesmo tempo não é um filme fácil de assistir, principalmente para quem não está acostumado com filmes com soluções fáceis. Só sabemos que acabamos mal pelo personagem, principalmente pelo seu final chocante e assustador. Mas digo que quem for assistir com certeza não vai se arrepender com a sua temática assustadora e visceral. E que diretor é o Ben Wheatley.

Nota: 

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Livide (2011)

2011 / FRA / 93 min / Direção: Alexandre Bustillo, Julien Maury/ Roteiro: Alexandre Bustillo, Julien Maury/ Produção: Vérane Frédiani, Franck Ribière / Elenco: Chloé Coulloud, Félix Moati, Jérémy Kapone, Catherine Jacob, Béatrice Dalle, Chloé Marcq, Marie-Claude Pietragalla, Loïc Berthezene, Joël Cudennec, Sabine Londault, Serge Cabon

 Acho que uma das grandes maravilhas da tecnologia é descobrir as coisas, um filme que você nunca ia conseguir assistir porque nunca chegou no Brasil ou alguma produção que saiu nos anos 40 e se perdeu no VHS e por ai vai. Mas graças a tecnologia temos acesso a várias coisas que séria impossível a 15 anos atrás se for parar para pensar. Uma coisa que agradeço e muito pela internet são os “podcast’s” e eu ouço bastante essa mídia e um dos meus favoritos é claro é o terror.

Ouvindo o “Toca o Terror” que infelizmente entrou num hiato, eles falaram sobre vampiros e nisso encontro esse filme que é o “Livide“, um baita filme de terror e ainda mais um baita filme de vampiros, bem diferente que estamos acostumados e ainda é francês! Gostei muito dessa produção de como eles conseguiram misturar o terror sobrenatural com uma explicação um pouco racional para as coisas.

O filme foi dirigido pela dupla Alexandre Bustillo e  Julien Maury que também escreveu e dirigiu “A Invasora” que foi uma febre em festivais e tal. Como também vão fazer para esse ano ainda uma novo filme da franquia do “Massacre da Serra Elétrica” que é o “Leatherface” uma espécie de “Boyhood” do nosso canibal favorito.

Como eu tinha dito o “Livid” tem uma pegada diferente de filmes de terror, lembrando mais um conto de fadas e se comprova com todos os elementos. Temos uma Cinderela, uma “mãe” má, o resgate da princesa da torre e por ai vai. Mas como eu disse, ele apresenta tudo de uma forma bem diferente. Percebemos também que muito de “O Homem nas Trevas” foi copiado desse filme. Mas outro ponto positivo é como o filme não enrola a chegar onde quer levar o publico ele é rápido e direto.

A história como eu disse é bem direta. Lucie (Chloé Coulloud) está fazendo seu estágio em enfermagem e no primeiro dia, ela conhece uma senhora em coma e que vive numa antiga e gigantesca mansão. E assim ela descobre que a senhora esconde um tesouro dentro da mansão, assim Lucie diz isso a seu namorado William (Félix Moati) e o  amigo Ben (Jérémy Kapone) para acharem o tesouro. Porém, quando eles chegam ao local, eles descobrem que aquela caça aos tesouros é um  verdadeiro pesadelo.

Quem assistiu “A Invasora” e depois assistiu a esse filme pensa que são de pessoas totalmente diferente, mas na verdade é que Alexandre Bustillo e Julien Maury, conseguem fazer boas produções que mudam de uma para outra e isso que é legal dentro das suas obras. “Livid” escorrega e muito em vários pontos mas também tem coisas bem interessantes dentro da obra como o mito do vampiro que é bem diferente do que estamos acostumados e como eles usam os efeitos especiais de um jeito único e bem interessante na verdade. Não é o melhor filme de vampiros que você vai ver na vida, mas em comparação do que saiu ultimamente é uma obra prima.


Nota: 

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Eu Vi o Diabo (2010)

2010 / Coreia do Sul / 141 min / Direção: Kim Jee-woon / Roteiro: Kim Jee-woon, Park Hoon-jung / Produção: Hyun-woo Kim; Seong-weon Jo (Coprodutor); Jae-young Kim, Jung-hwa Kim (Produtores Associados); Kee-young Cheong, Hyung-cho Il, Yeong-shin Kang, Byung-ki Kim, Kil-soo Kim, Jae-sik Moon, Bryan Song, Youngjoo Suh (Coprodutores Executivos); Hun-you Jeong, Greg Moon (Produtores Executivos) / Elenco: Lee Byung-hun, Choi Min-sik, Kim In-seo, Chun Ho-jin, Kim Kap-su, Lee Joon-hyeok

Quando eu digo que os filmes coreanos são fodas, eles são bons mesmos! Mas muito bons.. Acho que desde 2003 com “Oldboy” do diretor Park Chan-wook que dirigiu a trilogia da vingança e depois fez só filmes maravilhosos como “Segredo de Sangue” , “Sede de Sangue” e o mais recente “A Criada“. O cinema de lá vem se mostrando um dos melhores do mundo. E não se esquecer também que saiu ano passado que foi “Trem para Busan” que nossa é maravilhoso.

A primeira vez que assisti a esse filme foi por uma indicação e não levei muita fé por que achei a história mais ou menos na verdade. Tipo a primeira vez que você lê a sinopse você até acha ok. Mas quando você assiste ao filme, meu irmão que coisa maravilhosa. O filme foi escrito e dirigido por Kim Jee-woon que dirigiu aquele filme de terror “Medo” e também quando ele foi para os E.U.A ele fez um excelente filme com Arnold Schwarzenegger que é “O Ultimo Desafio“.

Acho que “Eu Vi o Diabo” é uma mistura entre “Dexter“, “Silencio dos Inocentes” com o melhor das artes marciais. Tudo é bem feito nesse filme, desde as cenas de lutas que são muito bem coreografas, as cenas de gore que são incríveis, atuações que são um show a parte. Principalmente da parte do Choi Min-sik que faz o assassino em série Kyung-chul. No qual ele trabalhou em produções como o já citado “Oldboy“, “Lucy” do Luc Bensson e o “Lady Vingança” que faz parte da trilogia do Park Chan-wook.

O filme estreou para o ocidente no festival de “Sundance” em 2011 e logo foi um sucesso e gerou críticas positivas. Fazia tempo na verdade que coisas boas saiam do oriente. O filme custou 6 milhões de dólares para ser feito e lucrou 12 milhões. O que é um excelente lucro principalmente pelo numero de indicações que o filme teve no total e também por ser um filme que foge dos padrões normais de produções que estamos acostumados.

Tudo começa quando durante uma noite de muita neve, o carro de Joo-yun (Oh San-ha) fica com um pneu furado, o que a obriga a ficar parada na estrada a espera do guincho. Enquanto Joo espera, Kyung-chul (Min-sik) chega dirigindo sua van escolar amarela e oferece ajuda para trocar o pneu furado. Kyung-chul ataca Joo-yun e a leva para sua casa, onde a mata e desmembra seu corpo. Quando um garoto descobre, dentro de uma sacola, uma das orelhas de Joo-yun, a policia é chamada e começa a fazer buscas pelos restos do corpo na área, sob o comando do Chefe de Esquadrão, pai de Joo-yun. O noivo de Joo-yun, Soo-hyun (Lee Byung-hun), que é um agente secreto do Serviço de Inteligência Nacional da Coréia do Sul (NIS), fica determinado a encontrar e se vingar do assassino de sua noiva.

Para mim “Eu Vi o Diabo” é um dos melhores filmes de ação e vingança de todos os tempos, bom um dos melhores na verdade já que temos os próprios filmes do Park Chan-wook. Mas as cenas como eu já tinha dito são muito bem feitas. A vingança é simplesmente maravilhosa, o modo como ela é executada na verdade. Esse é aquele típico filme que você assiste uma vez e nunca mais esquece. Acho que isso que qualifica os filmes como excelentes e fora que cinematograficamente falando ele é muito bem realizado, desde roteiro, atores, produção. Simplesmente fantástico!

Nota: 5 Caveiras

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Os Suspeitos (2013)

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2013 / USA / 153 min / Direção: Denis Villeneuve/ Roteiro: Aaron Guzikowski/ Produção: Broderick Johnson, Kira Davis, Andrew Kosove / Elenco: Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo, Paul Dano

Comparar “Os Suspeitos” com “Seven” de David Fincher e “Zodíaco”. É uma bobagem tremenda já que os dois trabalhos de Fincher apresentam suspeitos e criminosos inteligentes e ao mesmo tempo místicos, principalmente por “Seven” já que vemos um criminoso que comete atos doentios usando a bíblia como uma desculpa para as suas atrocidades, até Zodíaco que foi inspirado num ato real de um “Serial-Killer” dos anos 70. Ambos os filmes conseguem atingir uma áurea mística relacionado aos criminosos. Mas Fincher fez escola, e vários filmes foram lançados ou inspirados na sua filmografia como “Jogos Mortais” e “O Colecionador de Ossos”.

Em “Os Suspeitos” vemos algo dessa herança, como um roteiro brilhante e desafiador do começo ao fim. Denis Villeneuve o diretor do filme, e estreante no cinema americano brinca com o espectador ao longo da trama, deixando alguns quebra-cabeças que não sabendo qual é o limite da verdade e do real. E simplesmente somos obrigados a entrar na cabeça de alguns criminosos para buscar uma pista do caso. E isso que ele propõe de desafiar a verdade é incrível, e coloca muito em cheque o que achamos certo e errado.

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O filme se passa dentro de uma pequena cidade que se comove com o sumiço de duas crianças. Keller Dover (Hugh Jackman) é um pai de família que trabalha como marceneiro e cria seu filho Ralph (Dylan Minnette) com mãos de ferro, mas mesmo sendo um cara durão, é um bom marido e um bom pai. Eles vão comemorar o dia de ação de graças na casa de seus amigos “Birch” eles se divertem e contam coisas do passado. A filha de Keller, Anna (Erin Gerasimovich) tem como amiga a filha do casal, elas saem para brincar na rua e depois de um tempo somem e assim que o filme começa como uma caçada contra o tempo. Villeneuve consegue mexer com a gente ao mostrar dois lados da moeda a primeira Keller que faz tudo pela verdade e tenta achar sua filha e o outro são de Franklin que não consegue chegar ao limite de Keller.

Jake Gyllenhaal vive o detetive “Loki”, um policial dedicado e ao mesmo tempo “louco”. O seu visual é todo contra o politicamente correto da policia, ele é cheio de tatuagens, o seu cabelo é diferente dos demais e ele manda o seu chefe se “foder” todo o momento. Mas mesmo assim ele é comprometido com o trabalho e com todo o protocolo da policia. Ele faz a caçada atrás da verdade, mas também o vemos como uma balança que tende a cair para um lado a todo o momento.

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O que mais gostei do filme é como vemos o suspense interagir com o drama, e o quanto vale chegar ao limite para se obter à verdade. Quando um suspeito é pego Alex (Paul Dano), mas logo é solto por não achar nenhuma evidencia que o levasse ao sequestro das meninas. Keller é o único que acredita que ele está mentindo e assim o captura e começa a torturar para obter a verdade.

O filme Como eu tinha dito tem um jogo psicológico que somos levados, o tempo todo para um caminho contrario. Será que Alex é um suspeito mesmo? E será que somos induzidos a pensar que Keller é realmente o que diz? Os Suspeitos apresentam essa tática de mexer com uma linha de pensamento que você cria o filme todo, mas de uma hora para outra ela muda. Ao avançar da historia vai aparecendo mais suspeitos, e ficamos mais longe da verdade e da lógica estabelecida. Realmente um filme genial e um drama muito bem desenvolvido, com um final em aberto que mexe com o certo e o errado, no caso é do Loki, não sabemos qual decisão ele tomou no final do filme.

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Mas como disse no começo da crítica Fincher fez uma escola. E ainda bem porque em tempos de tantos “remakes” e continuações “Os Suspeitos” surgem para mexer com essa geração que já este acostumado com tudo pronto. Mas veja e reveja esse filme e encaixe o quebra-cabeça dentro dessa historia espetacular.

Nota: 

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Sharknado (2013)

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2013 / USA / 85 min / Direção: Anthony C. Ferrante / Roteiro: Thunder Levin / Produção: David Michael Latt, Geoffrey Mark , Paul Bales, David L. Garber, Karen O’Hara, Cody Peck, Chris Regina, David Rimawi, Thomas P. Vitale, Devin Ward / Elenco: Ian Ziering, Tara Reid, John Heard, Cassie Scerbo, Jaason Simmons, Alex Arleo, Neil H. Berkow, Heather Jocelyn Blair, Sumiko Braun, Diane Chambers

O que falar da “Asylum” a produtora que faz esse excelentes filmes que sai direto no canal “SyFy“. Acredito que a “DreamWorks” se baseou muito no estilo dessa produtora para fazer seus trabalhos, porque ao pé da letra a “Asylum” é o verdadeiro trabalhos dos sonhos! Falo isso pelo imenso catálogos de filmes que ela tem e contém clássicos instantâneos da bagaceira como “Mega Shark vs. Mecha Shark“, “Airplane vs. Volcano“, “Abraham Lincoln vs. Zombies” e “Nazistas no Centro da Terra” que conta com um Hitler robô no final do filme, ao melhor estilo Doom.

Mas na verdade “Sharknado” é o que sobressai no meio de tantas obras maravilhosas. Virou um fenômeno instantâneo antes mesmo de ser lançado.  A ideia é bem legal, visto no meio de tantas coisas “merdas” que saem do cinema americano, principalmente do “blockbuster” o roteiro que foi escrito Thunder Levin que também é responsável pelos quatros filmes da franquia, usou e abusou de ideias tão legais. Vamos falar sério. São tubarões num tornado! Como isso não pode dar certo?

O elenco também é outra coisa soberba, reuniu vários atores capenga de séries como “Barrados no Baile“, “S.O.S Malibu” ou o próprio “Esquecera de Mim” ou “American Pie” e pronto a massa para esse sucesso instantâneo está pronto.  O nosso herói é Fin (Ian Ziering), uma ex-lenda do surf que agora tem um bar numa praia da Califórnia e por razoes que só sabe deus o porque ele abandonou a família, então vai ser também um filme de rendição (só melhora). Aos poucos ele e os amigos tentam chegar até sua família que está em outro lado de Los Angeles. Assim Fin junto com a empregada do bar Nova (Cassandra Scerbo) e seu melhor amigo Baz (Jason Simmons). Vão atrás da sua ex-mulher (???) April (Tara Reid), sua filha Claudia (Aubrey Peeples) e também do seu filho Matt (Chuck Hittinger).

Aos poucos vemos que a situação não melhora para essa galera. Porque alem de enfrentar tubarões que caem do céu, eles tem o tornado que está arrasando a cidade. Assim  como Matt é piloto, eles tem a ideia de explodir os tornados. Mas claro que essa ideia ia funcionar, mas para enfrentar essa ameaça eles usam desde armas para matar os tubarões ainda no céu e também uma outra forma criativa é usar a “serra – elétrica”, que sinceramente é arma mais versátil que eu já vi.

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Sharknado” pode ser zuado e com certeza é! Mas é original e divertido ao ponto de não se levar sério na sua zoeira. Eles querem curtir a ideia de “tubarões entrando em tornados e matando geral” que como eu disse é uma excelente ideia dentro do seu contexto. Aos poucos vamos entrando dentro dessa brincadeira e vemos que no fundo “Sharknado” pode ser bagaceira, “trash” ao extremo, mas no fundo é uma obra legal e que vale ser assistida.

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Nota: 

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Condado Macabro (2015)

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2015 / BR / 1h 53 min / Direção: André de Campos Mello, Marcos DeBrito/ Roteiro: Marcos DeBrito/ Produção: André de Campos Mello, Marcos DeBrito, Adriano Lírio, José Said De Brito / Elenco: Leonardo Miggiorin, Paulo Vespúcio, Francisco Gaspar, Rafael Raposo, Marcela Moura, Larissa Queiroz, Fernando de Paula, Bia Gallo, Beto Brito, Olivia de Brito

O terror nacional sempre viveu de altos e baixos, as vezes lembrado pelos filmes do grande “Zé Caixão” ou outras por uma galera nova como o Rodrigo Aragão e Petter Baiestorf que sempre fizeram filmes excelentes e engrandecem o cinema nacional de horror. Tirando claro os filmes de terror que saem do tipo “Isolados” que conseguem ser clichês e manjados do começo ao fim. O “Condado Macabro” conseguem ser divertido, fazer referencias fodas aquele terror “slasher” dos anos 70 e 80 e homenagear vários filmes como principalmente “O Massacre da Serra Elétrica” e “Sexta – Feira 13”.

Gostei muito do filme e como os diretores montaram num estilo “grindhouse“, aquela exibições toscas e trasheiras que deixa mais maravilhoso a proposta do filme. O roteirista Marco DeBritto que também dirigi em parceria com André de Campos Mello, soube contar muito bem a história do filme e principalmente utilizar a montagem como sua principal arma nessa produção. Como eu tinha dito no começo, temos toda a estrutura de “O Massacre da Serra Elétrica” do Tobe Hopper. O assassino mascarado que invés de pele humana usa uma mascara de porco (Motel Hell ai minha gente), uma família bizarra e um “plot” no final do filme que é digna de “Os Suspeitos” do Bryan Singer.

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O que diferencia “Condado Macabro” de uma copia de grandes sucessos é o controle que os diretores fazem com as referencias e também como ele quer ser mais divertido do que um filme sério de horror. Que nem de longe é a proposta do longa-mentragem. Principalmente com o elenco que é bem divertido e deixa mais leve algumas cenas. A história começa como qualquer filme de “slasher” clássico. Jovens que vão acampar ou alugam uma chácara num lugar afastado e vão curtir o feriado e transar feito loucos.

O roteiro parece que foi divido em partes para deixar o filme mais “cabeça“, essa estrutura é bem legal e a meta-linguagem utilizada da uma outra proposta para o filme e realmente consegue segurar o seu “plot twist” até o final. Logo nas primeiras cenas vemos um carro passando numa região deserta (olha o massacre ai) e em seguida conhecemos os personagens como Beto (Rafael Raposo), Theo (Leonardo Miggiorin), Mari (Larissa Queiroz), Lena (Bia Gallo) e Vanessão (Olivia de Brito). Os jovens vão curtir o feriado numa chácara, mas no meio do caminho dão carona a um palhaço “Bola 8” vivido pelo ator Fernando de Paula. Aos poucos o que parecia tudo tranquilo começa ficar estranho. Principalmente quando chegamos no lugar e Theo começa a fazer questionamentos interessantes, do tipo o lugar parece um matadouro. É tudo fechado e também um dos portões não abre. O que se faz uma ilusão de quando conhecemos o assassino e ele matando os animais.

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O filme fica intercalando toda hora com as cenas na delegacia onde o palhaço Cangaço (Francisco Gaspar), logo ele vemos que ele é uma figura bem bizarra. Mas o ponto legal é quando Cangaço e Bola 8 decidem assaltar os jovens. Mas eles não percebem que caíram numa armadilha e aos poucos um a uma vai ser eliminado, até chegar no que tinha comentado antes, que é o grande “plot twits”.

Condado Macabro é um filme que não se leva a sério e também faz várias referencias fodas ao terror “clássico” , mas de certa forma de um jeito mais inovador. Eles conseguem inventar suas próprias situações de desespero. Os efeitos são excelentes, a trilha sonora é fantástica e também o gore corre solto em todas as cenas. Simplesmente genial. Um excelente filme nacional que merece ser apreciado várias vezes.

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Nota: 

Green Room (2015)

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2015 / EUA / 1h 35 min / Direção: Jeremy Saulnier / Roteiro: Jeremy Saulnier / Produção: Neil Kopp, Victor Moyers, Anish Savjani, Macon Blair, Daniel Hammond, Gabriel Hammond, Brian Johnston / Elenco: Anton Yelchin, Imogen Poots, Alia Shawkat, Joe Cole, Callum Turner, Patrick Stewart

Fazia tempo que não via um filme tão visceral, surreal e que te deixa tenso do começo ao fim. Ano passado foi lançado o filme “ Green Room” do diretor Jeremy Saulnier, que fez o sensação “Blue Ruin” (que infelizmente não assisti até agora). O trabalho que o diretor faz atrás da câmera, comandando a fotografia e tal, se revigora nessa trabalho. Que é surpreendente com a sua estética rápida, colorida, mas o clima “bad vibe” que ele coloca no começo até o fim deixa as o filme, como eu tinha dito antes, colorido mas ao mesmo tempo monocromático. Realmente difícil passar essa sensação sem que você tenha visto somente um filme do diretor, caso esse o “Green Room”.

O diretor soube muito bem mesclar o horror, suspense e aquele thriller em um lugar apertado e ao mesmo tempo dar  uma liberdade para os personagens improvisarem dentro de um lugar minúsculo, então o clima de claustrofobia mais a tensão dentro daquele lugar com todos os personagens é simplesmente genial. A escolha do elenco foi uma coisa certeira, então vemos o Patrick Stewart que está simplesmente genial como um líder “skinhead“, Anton Yelchin (que morreu esse mês de forma trágica) e Imogen Poots que também arrebenta no filme.

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A história é sobre uma banda punk que vai tocar em uma festa de “skinheads”, depois de uma apresentação desastrosa. E eles estão indo embora, e um assassinato acontece nos backstage, dentro de uma “SALA VERDE” . Então quando Pat (Yelchin), volta para pegar o celular, ele vê aquilo e rapidamente liga para a policia. O que torna eles testemunhas que pode afundar rapidamente o cartel do líder dos nazistas Darcy (Stewart), o legal do filme é como o diretor consegue aprofundar algumas coisas sem ser maçante e dar leves toques de ousadia. Gostei como o discurso do Darcy é levantado em alguns pontos e também como ele usa aquilo tudo para atividades criminosas e fazer a cabeça dos jovens com discursos de ódio.

O que me deixou nervoso do começo ao fim é saber o que vai acontecer com o grupo dentro daquela sala. O diretor conseguiu construir um bom elenco que mantém aquele suspense visceral, vemos que realmente o grupo está perdido dentro daquele lugar. Quando eles tentam sair, ou melhor, fazer uma negociação na primeira vez Pat perde a mão a facadas. A partir dai as negociações vira um jogo pela sobrevivência. Então temos cachorros mordendo a garganta de vários deles, tiros e facadas.

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Achei “Green Room” um filme honesto ao apresentar personagens realmente “ordinários” mas que conseguimos ter alguma empatia por eles. Acho que o senso de sobrevivência faz que carregamos isso, caso é os filmes “slashers” não conhecemos nada da vitima, mas mesmo assim torcemos para que ela sobreviva. Uma coisa eu digo, amei o trabalho do Jeremy Saulnier, excelente roteiro e também ótima fotografia com planos excelentes. Só digo que agora que prestar a atenção em todos os filmes dele e assim logo o “Blue Ruin”. E também foi um excelente últimos trabalho do Anton Yelchin que partiu muito cedo mesmo.

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Nota:  5 Caveiras

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