A Mosca da Cabeça Branca (1958)

1958 / EUA / 94 min / Direção: Kurt Neumann / Roteiro: James Clavell, George Lagelaan (história) / Produção: Kurt Neumann, Robert L. Lippert (não creditado) / Elenco: Vincent Price, Al Hedison, Patricia Owens, Herbert Marshall

Eu lembro pelo ano de 2008 tinha um canal que pegava aqui no interior de São Paulo que tinha um monte de programação da hora e uma delas era o “DarkSide” que era uma espécie de “Cine Band Trash” só que começava umas onze horas da noite e ia até as seis da manha, eu lembro que nessa época fazia faculdade, então era um prato cheio.

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Plano 9 do Espaço Sideral (1959)

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1959 / EUA / P&B / 79 min / Direção: Edward D. Wood Jr. / Roteiro: Edward D. Wood Jr. / Produção: Edward D. Wood Jr.; Charles Bug, Hugh Thomas Jr. (Produtores Associados); J. Edward Reynolds (Produtor Executivo) / Elenco: Gregory Walcott, Mona McKinnon, Duke Moore, Tom Keene, Tor Johnson, Vampira, Bela Lugosi

Logo de cara já falo que o pior filme do mundo não é o pior filme do mundo! Porra, tanto filme ai “mega produção” e tal que pode ser considerado o pior filme do mundo e é aplaudido. Ed Wood é um gênio, faz cinema do jeito que da e como pode e merece reconhecimento mais que vários ai. Comecei vendo Ed Wood por conta do filme do Tim Burton e logo ele me chamou a atenção e quando vejo estou vendo todos os filme do pior diretor de todos os tempos.

A verdade é que Ed Wood é uma daquelas pessoas mas tão azaradas que você toma simpatia por ela. Começando que ele ficou muito amigo do Bela Lugosi e o coitado falece no meio das gravações. Depois ele não tinha dinheiro para fazer a produção desse que ser séria sua “Magnum opus“, “Plano 9 do Espaço Sideral” então ele pegou um dinheiro de uma igreja dizendo que iria fazer um filme religioso e zarpou com a grana. Um filme trash essa é a verdade, mas é uma declaração de amor ao cinema de horror e ficção – cientifica e mais ainda, uma declaração ao fazer cinema. Onde você ficava preso aos grandes estúdios, Ed Wood foi a contra-mão disso tudo.

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Os efeitos especiais são os melhores possíveis, com disco de papelão segurado por barbante visíveis. Ed Wood não tem vergonha de mostrar isso e ainda quando Bela morreu, ele substituiu por um ator extremamente alto e que andava o tempo todo com o rosto coberto. Então ele mudou todo o visual do personagem do nada. O elenco é outra coisa fenomenal, contamos com a presença de Tor Johnson que já tinha participado de outro filme de Wood que é “A Noiva do Monstro” e também outro que é sensacional que é “The Beast of Yucca Flats” de 1961 e também de Vampira, que está sensacional no filme.

O roteiro é o mais bizarro possível, uma dupla de alienígenas que estava irritada com as “estúpidas mentes” do planeta Terra faz sua base em um cemitério da Califórnia, pois planejavam através do “Plano 9”, que se refere a um eletrodo de longa distância que é colocado nas glândulas pineal e pituitária dos mortos, criar um exército de zumbis que marchassem para conquistar as capitais do mundo. O fato de ressuscitarem só três mortos não os desencoraja. Jeff Trent (Gregory Walcott), um piloto de uma linha aérea que vive perto do cemitério precisa salvar Paula (Mona McKinnon), sua mulher, destes seres.

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Para quem não sabia, essa era a ideia original de Robert Kirkman o criador dos quadrinhos de “The Walking Dead“. Então para você ver que nada é desperdiçado nessa vida. Mas a verdade é que o roteiro é bem legal e também daria excelente resultados para um diretor hoje regravá-lo. Pena que Ed Wood não tem aquela fama que seus filmes carregam e é visto como um sinônimo de piada.

Mas a verdade é que sua vida acabou em desgraça já que quando o filme acabou de ser feito, os direitos do filme ficou com a igreja, então ele acabou em desgraça. Começou depois a filmar pornografia e a escrever contos eróticos até morrer por conta do álcool. Realmente uma perda de várias não valorizadas pelo cinema. Mas ” Plano 9 do Espaço Sideral” é um excelente filme e sim deve ser visto com outros olhos.

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Nota: 

Baixe o filme com legenda aqui

Viagem ao Planeta Proibido (1959)

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1959 / EUA / 83 min / Direção: Ib Melchior / Roteiro: Ib Melchior, Sidney W. Pink / Produção: Norman Maurer; Sindey W. Pink, Lou Perlof (Produtor Associado) / Elenco:Gerald Mohr, Nora Hayden, Les Tremayne, Jack Kruschen

Viagem ao Planeta Proibido” é um dos filmes mais famosos de syfy, podemos listar vários filmes com esse gênero que teve seu auge nos anos 50, mas praticamente morreu nos anos 60. Os filmes de ficção cientifica é um retrato de sua época. Mas qual não é? Enfim, ele mistura coisas que estavam na moda na época, como a guerra fria, o homem foi ao espaço e também quais eram os limites para a humanidade depois de tantos avanços tecnológicos.

Nos E.U.A dos anos 30 e 40 eram famosos aquelas revistas “pulp” que históricas fantásticas e várias delas viraram contos icônicos que até hoje é lembrado na cultura POP como Robert E. Howard, criador de Conan. Entre outros gêneros como terror, fantasia e etc. Assim a partir que a evolução tecnológica e o homem vai evoluindo, o mundo também muda o seu jeito de ver e pensar e claro isso se revela nas histórias. Então o gênero ficção espacial era o que mandava na época.

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Lembrando que as produções de ficção e terror eram todos do filme b, no caso saiu perolas como “Vampiros de Alma“, “Guerra dos Mundos“, “Invasores de Marte” e “O Terror vem do Espaço“. Todos esses filmes vão ganhar uma camada cult ao longo dos anos, mas agora não passa de cinema b mesmo. Mas o curioso é que “Viagem ao Planeta Proibido“, teve um bom orçamento para esse tipo de filme.

O filme foi produzido pela “American International Pictures“, um estúdio muito importante para o cinema mundial, que já leu “Como a geração sexo, drogas e rock and roll salvou Hollywood” sabe o que estou falando. O estúdio foi importante porque foram eles que deram a chance para diretores como Roger Corman realizar o seu ciclo Edgar Allan Poe de filmes e também a Denis Hopper, Peter Fonda entre outros produzirem filmes de terror que até hoje são cultuados. Como também mudou de vez a história do cinema mundial quando lançaram “Sem Destino“.

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O diretor em questão contratado Ib Melchior não é um diretor muito famoso em comparação que iriam ser os outros de ficção, ele é mais conhecido pelos seus roteiros, no qual ele escreveu um filme que gosto muito que é “Corrida da Morte – Anos 2000“. A produção teve um orçamento até modesto de US$200.000,00. E também usou um efeito muito legal que era “CineMagic” que era simplesmente colocar um filtro vermelho na lente. E assim da aquele efeito todo viajado. O filme usa isso quase todo o tempo que irrita bastante na verdade.

Mas bem, a história do filme conta quando o  primeiro foguete tripulado enviado à Marte, o MR-1, retorna a Terra trazido por controle remoto após ter ficado perdido no espaço e sem comunicação pelo rádio. Ao conseguirem aterrissar o foguete numa base em Nevada, os cientistas descobrem que apenas dois dos quatro tripulantes estão vivos: a Dra. Iris Ryan (Naura Hayden), que sofreu um bloqueio mental; e o coronel Tom O’Bannion (Gerald Mohr), em coma com uma estranha gosma verde no braço. Procurando descobrir o que aconteceu, os cientistas tentam romper o bloqueio da Dra. Ryan. Quando conseguem, ela lhes conta uma exploração acidentada da superfície marciana, repleta de ataques de monstros e plantas carnívoras alienígenas, mas também com a descoberta de uma cidade futurista, confirmando que os marcianos possuem civilizações avançadas.

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O filme é  uma viagem só e usa bastante dessa utopia espacial que é muito legal e também influencia outras produções dos anos 70, que tem uma temática sobre o apocalipse nuclear. Confesso que esse não é o meu filme favorito desse ciclo syfy dos anos 50, mas é uma produção viajada e bizarra que quem assiste se diverte e bastante. Um curiosidade é que o filme foi uma influencia para o Stan Lee criar o “Quarteto Fantástico” que iria ser lançado só em 1961. Lembrando que o filme está disponível na Netflix, então é só correr para lá e se divertir.

Nota: 

Assista ao filme legendado aqui

O Mensageiro do Diabo (1955)

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1955 / EUA / P&B / 93 min / Direção: Charles Laughton / Roteiro: James Agree (baseado na obra de Davis Grubb) / Produção: Paul Gregory / Elenco: Robert Mitchum, Shelley Winters,  Lilian Gish, James Gleason, Evelyn Varden

Um filme como “O Mensageiro do Diabo” é uma obra interessante para analisarmos nos dias de hoje. Primeiro porque vemos um homem com um falso cinismo que usa a fé, ou melhor, o nome de Jesus em vão para promover sua ganância e alcançar seus objetivos. E onde vemos isso? A sim a banca do congresso.. Estamos cansado de ver como a bancada evangélica funciona e também como certos deputados usam o nome da fé para promover seus interesses próprios. O paralelo que esse filme nos trás para os dias de hoje é incrível.

Charles Laughton o diretor do filme soube conduzir com maestria essa produção que conta com nomes grandes como Robert Mitchum que fez um monte de filme foda como “El Dorado“, “Cabo do Medo” e o noir “Fuga do Passado“. Sem contar as atrizes Shelley Winters de “O Destino de Poseindon“, “Winchester 73” com James Stewart e sem contar a atriz do cinema mudo Lillian Gish que estrelou a maioria dos filmes de D.W. Grifth, mas destaco dois que foi o conturbador “O Nascimento de uma Nação” e “Intolerância“. Apesar de Charles Laughton ser um ator de teatro britânico, ganhou fama na America por ter ganho o Oscar de melhor ator por “Os Amores de Henrique VIII” e também ter estrelado filmes como “O Grande Motim“, “O Corcunda de Notre-Dame” , “Testemunha de Acusação“, “A Ilha das Almas Selvagens” e claro “Estalagem Maldita” de Alfred Hitchcock. O mais curioso que esse é o primeiro e único filme que ele vai dirigir.

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A fotografia do filme é uma coisa sensacional! E não é atoa já que temos Stanley Cortez que só fez coisa foda no currículo como “Paixões que Alucinam” do Samuel Fuller , “O Segredo da Porta Cerrada” de Fritz Lang e “Chinatown” do Roman Polaski. Falar de toda a produção de “O Mensageiro do Diabo” é deixar eu falar o dia todo, de uma filme sensacional e que tem um fala muito poderosa e é atemporal.

O filme começa quando duas crianças estão brincando e o pai delas chega com uma quantia de 10 mil dólares. O pai das crianças fez esse assalto para poder ajudar sua família, já que o filme se passa na época da grande depressão. O que mais para frente e dentro desse contexto vai ser importante para o encaminhamento da trama. Depois que o pai é preso e as crianças somem com o dinheiro e fazendo uma promessa para o pai de que nunca ia contar onde estava o dinheiro, ele é levado para a prisão onde conhece o “pastor” Harry Powell (Mitchum), dentro da cadeia ele diz para Powell como era a vida em sua fazenda. Tudo isso faz com que o pastor elabore seu próximo golpe. O interessante a partir dai é como o uso da fotografia é bem elaborada para mostrar como o perigo está vindo para aquele lugar.
Um dos grandes achados dessa produção são as crianças. Já que vemos tudo pelo ponto de vista delas. Quando o pastor entra em cena vemos que ele é primeiro apresentado como um monstro pelo uso da sombra, aquele pensamento infantil de ver tal pessoa como um “bicho-papão”. Billy Chapin que fez o menino John, talvez seja a melhor coisa no filme. A atuação dele é sensacional, o fato dele ver o pastor como ele realmente é também o fardo que ele carrega de ver o pai indo para a cadeia, junto com cuidar da mãe e da irmã. É algo que você vê o peso disso na cara dele. Simplesmente sensacional. Aos poucos vemos que o Powell começa a fazer sua teia, quando ele seduz Willa (Winters) para conseguir o dinheiro e aos poucos a verdadeira face do “Pastor” começa a ser revelada, até ao ponto de finalmente ele matar a mãe das crianças.

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O legal dentro da obra é o falso moralismo que as pessoas compram ao ver pessoas falando em nome de Deus e também como ela julga outras pessoas. Então todos entram dentro dessa roda e começam a ser donos da verdade. Aos poucos que vemos as coisas se desenrolar , torcemos mais que a fé seja revelada para que a mascara daquele falso pastor seja revelada. O interessante é quando os meninos fogem e vão parar numa fazenda e temos uma inversão de valores quando uma família não convencional adota as crianças. E aquilo que o pastor falava de “família tradicional” cai por terra. E quando finalmente ele acha as crianças, o seu falso moralismo cai e o baque vai ser duro. Porque como Powerll é um matador de viúvas , ele correu os E.U.A todo fazendo vitimas por causa do dinheiro. E essa sensação de enganação que ele faz com todo mundo vai custar caro. Então o que realmente as pessoas estão preocupadas não é a forma como o pastor fez eles de otários e sim ter caído no papo dele.

É engraçado como as coisas são contadas a tanto tempo e na verdade elas não mudam nunca. “O Mensageiro do Diabo” foi um fracasso de bilheteria e imagino o porque já que nos anos 50 e o auge da recuperação econômica dos E.U.A e ainda mais a promoção dos valores americanos, discutir a podridão e a corrupção da fé dentro de valores sagrados para os gringos como liberdade, pátria e etc. Deve ter sido um choque e tanto. Mas volto a repetir ao dizer que esse produção é uma reflexão para a sociedade dos dias de hoje e tudo que envolvemos desde julgamentos morais e claro a política. Quer maior uso do nome de Deus do que a câmara dos deputados, realmente uma obra maravilhosa mas uma pena que não temos tantas pessoas que não querem tirar esse véu que os cercam para enxergar a verdade de vários “MENSAGEIROS DO DIABO”.

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Nota:  5 Caveiras

Baixe o filme com  legenda aqui.

Godzilla (1954)

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 1954 / Japão / P&B / 96 min / Direção: Ishirô Honda / Roteiro: Ishirô Honda, Takeo Murata, Shigeru Kayama (história) / Produção: Tomoyuki Tanaka / Elenco: Akira Takarada, Momoko Kôchi, Akihiko Hirata, Takashi Shimura

É difícil um monstro entrar tanto na cultura pop como “Godzilla”, “King Kong” e “O monstro do armário”. Mas poucas pessoas se recordam do Godzilla original, e só lembram-se da versão americana feito em 1998 onde eles tentaram criar uma versão deles mesmo do filme.

Mas deixando as versões a parte. Vamos exaltar o original de 1954 dirigida por Ishirô Honda, que mais tarde iria dirigir filmes como “Godzilla vs King Kong” e outros filmes de monstros, que iria entrar para os clássicos de filmes cults ou trash.

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A história de Godzilla é cheia de simbolismo e da situação da época, principalmente pelo fato de ser no Japão, lembrando de Hiroshima e Nagazaki. E os anos 50 que é o auge da guerra fria, da corrida espacial e dos testes atômicos que foram realizados no pacifico. Essa época foi a inspiração para se criar o maior de todos os monstros. Mas a crítica por trás do filme, sobre a ignorância e ambição do homem pelo poder é o que mais se sobressai no filme todo.

Godzilla como todos sabemos é um monstro que nasceu nos mares do Japão e por causa dos testes atômicos que alteraram seu eco-sistema ele acorda. Para fazer o que, isso não sabemos. O filme tenta encontrar uma explicação como sendo fome, vingança ou sobrevivência. Mas realmente não sabemos. Ele ataca várias aldeias ao longo do seu caminho. O governo tenta arranjar um jeito para que Godzilla não chegue até Tóquio, mas os esforços são em vão.

Um professor cria uma arma que ele reluta para mostrar ao mundo. Apesar de ele criar uma “arma” de destruição em massa, ele acha errado usar, mesmo que seja para uma coisa mais nobre que é salvar um país inteiro.

A história do filme é muito bem desenvolvido, eles tentam criar uma historia por cima para desenvolver um romance ou até deixar no ar uma intriga, mas o que vale mesmo é a filosofia do poder.

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O filme usa uma técnica que é muito bem conhecida por nos aqui no Brasil que é o “Tokusatsu” que são os efeitos especiais. No caso do filme as cidades foram construídas em maquetes e usaram uma roupa especial para um ator usar no qual ele teria total liberdade de se movimentar e assim criaria uma característica original ao seu personagem. Lembramos disso de séries como “Power Rangers”, “Kame Raider”, “Ultra Seven” e “Jiraiya”. Séries famosas por causa da antiga rede manchete. Mas a técnica do filme é incrível só usando a criatividade e o próprio uso da câmera para criar aquele efeito de ilusão de ótica que é muito bem explorada e uma marca original de outros filmes do diretor.

A partir dos anos a franquia do filme foi caindo para a comédia e bastante da “comédia paspalhão” como o Godzilla ganhar um filho e o governo japonês criar uma versão robótica para lutar com o próprio monstro e o já citado “Godzilla vs King Kong”, que mesmo assim era divertido por toda a sua mitologia. Mas tirou aquele ar de crítica social e mundial que o filme apresentava.

Ano passado foi lançado à versão americana que foi dirigida por Gareth Edwards diretor de “Monstros”. O filme ganhou um ar nostálgico e respeitou até original de 1954. Mas claro que não supera a criação de Ishirô Honda . E nas palavras do Dr.Fransktein “Ele está vivo!” finalmente.

Nota: 

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Invasores Invisíveis (1959)

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1959 / EUA / 67 min / Direção: Edward L. Cahn/ Roteiro: Samuel Newman/ Produção: Robert E. Kent/ Elenco: John Agar, Jean Byron, Philip Tonge, Robert Hutton, John Carradine

O maior diretor de filmes “B” dos anos 50 é sem sombra de dúvidas Edward L. Cahn. Com filmes consagrados que misturam a ficção cientifica e o terror, como nas obras “Ameaça do Outro Mundo”, “O Mistério das Caveiras” e “A Maldição do Homem sem Rosto”, os filmes dele sempre misturam o contexto social da época com a fantasia, deixando a imaginação correr solta tanto no roteiro como nas filmagens.

“Invasores Invisíveis” saiu 1959 o auge da Guerra Fria e da corrida armamentista. Assim vários filmes saíram com essa temática do medo, paranoia e também o xenofobismo, que eram uma subtrama muito forte. Mas mesmo depois de algum tempo, essa sociedade dos anos 50 é também um reflexo da nossa sociedade, do medo que vivemos agora, ou melhor, do desconhecido. O roteirista Samuel Newman que escreveu o filme é conhecido também por ter roteirizado o clássico “O Ataque vem do Pólo”. “Invasores Invisíveis” apesar de ter uma trama datada, soluções cientifica fabulosas, é engraçado pensar como era o terror para aquela época e de como uma hora ou outra você pode ser morto por um míssil nuclear, assim esses filmes conseguiam mexer com subconsciente coletivo.

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A história gira em torno de uma invasão alienígena, onde os visitantes do espaço são invisíveis, eles começam a possuir os mortos e provocar acidentes para que a população entre em pânico. Assim consigam rapidamente conquistar a terra. O Dr. Adam Penner (Philip Tonge) é o único homem que sabe que o planeta está sendo invadido por aliens, mas ele é ignorado quando pede que países poderosos parem com os testes nucleares, assim é ridicularizado por todos. Mas quando o pedido de Penner é ignorado, começa a invasão e aos poucos o mundo vai virando um caos. Com ajuda de sua filha, um civil e um militar eles conseguem trabalhar juntos para deter essa ameaça.

A subtrama como eu disse no começo da crítica é interessante, porque diferente de filmes consagrados da ficção com o próprio “Vampiros de Alma” onde ele prega que ameaça de você ter algo diferente vivendo com você geraria um caos. Esse discurso de ódio é levado as telas livremente. Mas o filme de Edward L. Cahn prega algo diferente, ele mostra como trabalhando juntos conseguimos impedir uma ameaça maior que nos. Então ele coloca esses quatro indivíduos representando a sociedade America. Uma mulher, um civil, um militar e um cientista. O final do filme passa uma mensagem interessante para aquela época e fora que é extremamente crítica. Achei essa mensagem de que trabalhando juntos conseguimos superar nossas diferenças e assim alcançar uma coisa maior que é a paz, muito bonita obviamente, mas também da outra visão daquela época e também da própria sociedade que tinha um olhar crítico sobre essa situação perturbadora.

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“Invasores Invisíveis” tem uma trama muito arrastada e difícil no começo do filme, mas aos poucos vai conquistando com o seu olhar crítico e o apreço de uma contracultura pouco valorizada nos anos 50. Ou seja, um filme que vale a pena ser conferido, como toda a filmografia de Edward L. Cahn que é para mim um rei dos filmes de ficção B.

Nota:     

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A Noite do Demônio (1957)

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1957 / Reino Unido / P&B / 95 min / Direção: Jacques Tourneur / Roteiro: Charles Bennett, Hal E. Chester (baseado na obra de Montague R. James) / Produção: Frank Bevis, Hal E. Chester (Produtor Executivo) /Elenco: Dana Andrews, Peggy Cummins, Niall MacGinnis, Maurice Denham, Athene Seyler

A  “versátil home vídeo” está lançando nesse mês uma coleção de “obras primas do terror” , uma boa coleção que traz grandes filmes. E um deles é “A Noite dos Demônios” de 1957, ele foi dirigido por Jacques Tourneur. O diretor cuja carreira está recheada de clássicos do terror e do suspense, sabe bem montar uma história envolvendo esses gêneros.

Baseado no livro de M.R. James chamado “Casting the Runes” e roteirizada porCharles Bennett que também escreveu o roteiro de outro clássico do suspense que é “O Homem que sabia demais.” O filme tem como sua principal “Plot” a razão e o misticismo. No qual a magia e as crendices imperam numa Inglaterra escura, fria e pouco amistosa.

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A história acompanha o Dr. John Holden (Dana Andrews) um famoso psicólogo que se especializou em parapsicologia, o estudo do sobrenatural. Então ele viaja o mundo combatendo mitos e lendas. O filme todo se passa na Inglaterra, onde ele ia encontrar um amigo. Na verdade já sabemos que o misterioso existe, ou melhor, a magia. Já que o amigo de John o Prof. Harrington (Maurice Denham) é vitima de magia negra e um demônio aparece e o mata, mas a necropsia diz que ele morreu eletrocutado. Apesar de a produção ser excelente no filme, e os efeitos especiais também. Quando o demônio aparece, é incrível a qualidade colocada em cena, principalmente pela época e o desenvolvimento da tecnologia. Só que o mistério já é revelado nas primeiras partes, então não temos aquele conflito de “verdades”, do tipo se o que o protagonista está vendo é real ou coisa da cabeça dele mesmo. Senti falta desse conflito interno, que também poderia passar facilmente esse sentimento para o publico em geral.

A história se apóia muito na razão versus crendices. O Dr. John se apóia na razão e tenta ver aquilo tudo que se passa de uma forma mais racional possível. Apesar de vermos que a magia é real, chega a ser irritante algumas cenas em que ele tenta achar uma forma possível de ver aquele mundo usando outras formas para explicar os fenômenos. Um ponto positivo é atuação de Niall MacGinnis que faz o “bruxo” Julian Karswell, ele é a mente por trás de todo aquele mistério. Ele é o líder de um culto e elimina todas as pessoas que passam em sua frente. Mas sua interpretação e simpatia são tão poderoso nesse filme, que o deixa acessível e ao mesmo tempo perigoso.

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Uma curiosidade sobre “A Noite dos Demônios” é que Sam Raimi o usou como base para o seu filme “Arraste-me para o Inferno”. Basicamente toda a mitologia é copiada. No filme de 1957, Karswell só consegue eliminar alguém quando ele passa um pergaminho para a pessoa e ela em posse do papel é morta pelo demônio em três dias. No filme do Sam Raimi é a mesma coisa, até a ultima cena é parecida, quando se tem a morte na estão de trem. O filme se diferencia nas partes técnicas. Jacques Tourneur soube muito bem usar os enquadramentos e também a luz do cenário para criar um ambiente de medo e suspense, tanto com o “Plongée” e o “contra-plongée” e também com “planos fechados” para criar climas claustrofóbicos com os seus personagens.

Mas voltando a história, é bem interessante o suspense com o terror, e os efeitos especiais, que realmente o deixa com mais qualidade possível. E também pelo ano, já que filmes com temática de ficção cientifica estava mais em moda como o ótimo “Planeta Proibido”. Mas a “Noite dos Demônios” realmente surpreende. Apesar de algumas falhas de roteiro e de direção, como condução de cena e também dos atores. O filme consegue se manter até o final, com o terror e o suspense. Realmente um filme imperdível para quem é fã de terror e uma edição sublime para quem é colecionador de filmes em geral. E também para quem é fã desse diretor que dirigiu excelentes filmes de terror.

Nota: