O Homem Leopardo (1943)

1943 / EUA / P&B / 66 min / Direção: Jacques Tourneur / Roteiro: Ardel Wray (baseado na obra de Cornell Woolrich) / Produção: Val Lewton / Elenco: Dennis O’Keefe, Margo, Jean Brooks, Isabel Jewell, James Bell

Jacques Tourneur se tornou um dos meus diretores favoritos e muito foi por conta da Versátil que lançou alguns dos seus filmes e também pelo documentário que o Martin Scorsese fez que chama “Uma Viagem com Martin Scorsese pelo Cinema Americano”  no qual ele fala do diretor e suas obras pelo cinema noir como “Sangue de Pantera” que beira ao terror e também “Fuga do Passado“. Mas um dos meu filmes favoritos de Tourneur é “A Noite do Demônio” que já virou resenha no Terror Mania.

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O Túmulo Vazio (1945)

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1945 / EUA / P&B / 77 min / Direção: Robert Wise / Roteiro: Phillip MacDonald, Carlos Keith (baseado na obra de Robert Louis Stevenson) / Produção: Val Lewton; Jack J. Gross (Produtor Executivo) / Elenco: Boris Karloff, Henry Daniell, Russell Wade, Edith Atwater, Bela Lugosi

O Túmulo Vazio” faz parte do primeiro volumo de “Obras Primas do Terror” que a Versátil lançou. O interessante nesse box é que as produções em sua maioria tem no roteiro as obras de algum escritor foda, seja pelo próprio Robert Louis Stevenson como por Edgar Allan Poe. Os diretores como o próprio Bava que aparece dirigindo um filme foda que é “O Chicote e o Corpo” que tem Christopher Lee no elenco, como um dos meus filmes favoritos de terror que é “Na Solidão da Noite” que conta com vários diretores entre eles o brasileiro Alberto Cavalcanti.

Mas esse filme de Robert Wise que fez filmes fodas como “Desafio do Além“, e clássicos como “A Noviça Rebelde“, “Amor, Sublime Amor” e o clássico da ficção cientifica “O Dia em que a Terra Parou“, fora também que ele dirigiu o primeiro filme de “Star Trek“. Então é uma pessoa de respeito, mas antes de ganhar essa fama toda e notoriedade. Wise dirigiu muitos filmes de “cowboy“, “noir” e “terror“. Que eram filmes B, tirando de velho-oeste. Mas no caso como ele estava começando, era difícil ele conseguiu dirigir alguém de peso como John Ford ou James Stewart.

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Outra coisa sensacional nesse filme é que temos o encontro de dois monstros, literalmente falando que é Bela Lugosi e Boris Karloff, ou seja, Drácula e Frankenstein. Karloff que faz o papel de vilão nessa obra, está sensacional como uma pessoa sem escrúpulos que faz de tudo para ganhar alguma dinheiro ou até mais que isso ter o poder sobre algo. Tudo isso combinado com a excelente direção de Robert Wise, que soube explorar a fotografia e assim combinar com a perfeita atuação de Karloff para o filme, só engradasse ainda mais essa obra. Fora que toda a produção em si é uma coisa de encher os olhos de tamanha perfeição, que vai das carruagens, roupas, arquitetura e etc. Realmente capricharam bem.

A história se passar em Edimburgo no ano de  1831, o Dr. MacFarlane (Henry Daniell) contrata um cocheiro chamado Gray (Karloff) para desenterrar corpos e trazê-los para que possa fazer suas experiências. Com o aumento da segurança nos cemitérios, o cocheiro torna-se um assassino para conseguir os corpos e Joseph (Lugosi), um vigia, flagra uma das mortes e aborda Gray, o qual sugere uma parceria para que não o entregue às autoridades. Assim a exploração começa e o doutor fica refém da dupla.

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Karloff gostava de interpretar o papel de Gray, porque ele podia fazer alguma atuação genuína sem o uso de maquiagem pesada, eletrodos e sapatos de plataforma. Falando nisso, essa foi a terceiro filme que Boris Karloff fez com “RKO Radio Pictures“, que foram produzidos por Val Lewton . Os outros dois filmes foram “Isle of the Dead” e “Bedlam” . Karloff, que tinha alcançado o estrelato com Frankenstein , deixou a Universal Pictures , sentindo que a franquia Frankenstein já tinha dado o que tinha quer dar.

Novamente falo que graças a Versátil podemos ter a chance de ver esse excelente filme que tem a direção incrível de Robert Wise e atuação ainda mais incrível que é de Boris Karloff que mostra todo o seu talento para o filme, mostrando como ele é um grande ator. “O Tumulo Vazio” é um baita de filme que merece ser visto e revisto de tão bom que ele é.

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Nota: 5 Caveiras

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O Lobisomem (1941)

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1941 / EUA / P&B / 70 min / Direção: Geroge Waggner / Roteiro: Curt Siodmak / Produção: George Waggner; Jack. J. Gross (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco:Lon Chaney Jr., Claude Rains, Warren William, Evelyn Ankers

Confesso que “O Lobisomem” é o filme que menos gosto da linha clássica da Universal.  Acho a história muito batida e pouco trabalhada, além claro da história passar numa velocidade em que você não consegue sentir uma empatia por nada. Diferente por exemplo de “Frankenstein” onde a história também é rápida, mas conseguimos ter uma empatia pelos personagens e seus sofrimentos.

O filme saiu  em 1941 e foi escrito por Curt Siodmak, que escreveu vários roteiros para o genro de horror e ficção, além de ser produzido e dirigido por George Waggner. O filme se baseia na lenda clássica do Lobisomem. E uma curiosidade é que essa foi a segunda vez que um Lobisomem é usado em filmes, seis anos antes saiu pela Universal Studios mesmo  “Werewolf of London.” Mas muita coisa que saiu nessa produção de 1941, foi a regra básica para criar a mitologia do lobisomem nos cinemas, como a bala de prata, a lua cheia, a mordida como uma forma de transformação. E claro o lance da maldição que bem trabalhado vira uma coisa muito, mais muito bem feito. Caso é um dos meus filmes favoritos que é “O Lobisomem Americano em Londres” do John Landis.

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A história é focada em Larry Talbot (Lon Chaney Jr.) que volta para casa depois da morte do irmão. Ele também tem que enfrentar certas coisas como o seu pai Sir John Talbot (Claude Rains) e agora tem que também cuidar da propriedade da família. Pouco depois da sua chegada ele se interessa por uma garota local chamada Gwen Conliffe (Evelyn Ankers).

Assim ele não perde tempo e chama a mulher para sair no mesmo dia. Larry sai com Gwen e a amiga dela, Jenny (Fay Helm), e vão para um acampamento de ciganos. Jenny pede ao cigano Béla (Béla Lugosi) que lhe leia a mão. O cigano tem uma visão de um pentagrama na mão da garota e imediatamente pede que ela saia do acampamento. Enquanto esperavam por Jenny, Larry e Gwen conversam próximo à tenda. Eles ouvem um grito de Jenny e Larry corre até ela na mata e a vê sendo atacada por um lobo. Ele mata o animal com golpes de sua bengala, e acaba sendo mordido. Mais tarde a mãe de Béla, a idosa cigana Maleva(Maria Ouspenskaya), conta à Larry que seu filho era um lobisomem, e que ele está condenado a se transformar no monstro devido à mordida que sofreu.

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Todo esse embate no começo onde Larry realmente não acredita nisso e crê que matou um homem inocente é bem trabalhado. A cena aonde ele vai ao enterro de Béla é muito boa e você vê a dor do personagem. Mas rapidamente esse drama é cortado e não desenvolvido como se deve diferente da versão de 2010 que ganhou vários pontos interessantes dentro dessa contradição de ser um monstro e você não aceitar isso, mas também de não conseguir se livrar dela. Acho que essa é um dos raros casos que o “remake” é melhor que o original, mas assistam por titulo de curiosidade.

Nota: 

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Suspeita (1941)

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1941/ E.U.A / 99 min / Direção: Alfred Hitchcock/ Roteiro: Samson Raphaelson, Joan Harrison, Alma Reville  e Anthony Berkeley (Livro)/ Produção: Harry E. Edington/ Elenco: Nigel Bruce, Cedric Hardwicke, Joan Fontaine e Cary Grant

Hitchcock talvez seja o sinônimo de perfeição no cinema. Nunca um diretor soube como equilibrar a trama, com boas atuações e uma direção incrível. Acho que sua filmografia já fala por si só como os clássicos absolutos como “Psicose”, “Janela Indiscreta” e “Um Corpo que Cai”. Além de saber se equilibrar no suspense, daí que vemos seu apelido como “Mestre do Suspense”. Alfred Hitchcock também vai para outros gêneros como a comedia e também sabe como fazer um excelente filme.

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Em “Suspeita” temos várias assinaturas pessoais que vão seguir em sua carreira. Como sua obsessão pelo assassinato, a culpa, mulheres fortes e também como somos enganados facilmente em vários momentos. Esse é o primeiro filme em que Hitchcock aparece como produtor. O filme foi escrito com a ajuda da sua mulher Alma Reville, Samson Raphaelson que tinha escrito também “O Cantor de Jazz” e “A Loja da Esquina” do diretor Ernst Lubitsch. Joan Harrison outra roteirista que completa esse time criativo já trabalhou anteriormente em alguns filmes do mestre do suspense como “Rebecca, a mulher inesquecível” e “Estalagem Maldita”. Podemos notar várias referencias ao “noir”, mas talvez um “noir” inverso. Inves da “dama falta” temos um homem que é interpretado por Cary Grant, num excelente papel de um playboy falido que tenta manter as aparecia, mas mesmo assim só se mete em confusões e por outro lado temos sua esposa Joan Fontaine, uma mulher forte e inteligente que aos poucos vai descobrindo a verdadeira face de seu marido. E claro outra referencia é como o perigo é mostrando em tela. Temos as cortinas que forma na sombra o aspecto de uma grade de prisão e como a palavra ou até o sentindo “murder” é colocado em cena. Na parte em que ela está jogando “scrubes” com o marido e um amigo dele e os dois discutem sobre um terreno e o que aconteceria se o seu sócio morresse, vemos como as engrenagens começam a se encaixar na mente de Lina (Fontaine) e ela forma “assassino” no jogo e ela percebe que seu marido talvez seja um “serial killer”.

Os diálogos precisos e também as atuações completa dos personagens fazem o filme girar de um modo criativo e também inesperado, visto pelo seu final apreensivo e revelador. É gozado como algumas decisões podem alterar para sempre um filme. Caso é em “A Suspeita” onde no roteiro Johnnie (Grant) era para ser um assassino cruel e o estúdio decidiu mudar essa parte. O que foi muito bem colocado e que deixou o filme mais leve e muito mais real com as situações propostas. Uma curiosidade é que Joan Fontaine foi à única atriz a ganhar o Oscar num filme de Hitchcock.

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Em “A Suspeita”, mostra todo o conteúdo criativo de Hitchcock, como sua facilidade em lidar com questões humanas como o egoísmo e também as ações das pessoas com outras e a tolerância, assunto que fica ainda mais palpável em outro filme do diretor que é “Marnie – Confissões de uma ladra”. Acho que o começo do diretor em seus filmes é um gigante começando a andar com passos grandes e que aos poucos começa a correr para nunca mais parar. É incrível como os filmes do diretor conseguem ser atuais e também deixar o publico tenso não importando quantas vezes você já viu o filme. Acho que esse é o mérito do “mestre do suspense”.

Nota:     

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