Zumbi Branco (1932)

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1932 / EUA / P&B / 69 min / Direção: Victor Halperin / Roteiro: Garnett Weston (baseado na obra de William B. Seabrook) / Produção: Edward Halperin, Phil Goldstone /Elenco: Bela Lugosi, Madge Bellamy, Jospeh Cawthorn, Robert Frazer, John Harron

Acho que “Zumbi Branco” é mais conhecido por ser o primeiro filme de zumbi, do que por sua trama mesmo. Apesar da trama, para a época ser bem legal até com uns efeitos bem realizados, a sua obra é esquecida e o que fica são os zumbis mesmo. Mas o termo clássico que estamos acostumados de “Zumbis” não combina para esse filme.

É impossível não falar zumbis e não relacionar a George Romero que reinventou tudo. Se no filme de 1932, temos aquele zumbi clássico haitiano no qual ele está vivo, mas fica fora de comando, já que ele foi hipnotizado e serve como escravo para o seu mestre. Mas nos anos 60 Romero dirigi, escreve e produz “A Noite dos Mortos – Vivos” que muda todo os elementos do zumbi e assim ele é um morto que come carne humana e tem “vida” própria, ninguém controla eles.

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O filme foi dirigido por Victor Halperin que depois fez filmes com o envolto do terror ou mistério como    “A Revolta dos Zumbis” de 1936, “Anjo e Demônio” de 1933″ e “Buried Alive” de 1939. Podemos considerar “Zumbi Branco” um desse filmes cânones da Universal, já que ele foi filmado em apenas 11 dias e foi lançado de forma independente também. O filme é baseado no livro de William B. Seabrook           “The Magic Island“, dizem que a produção teve um orçamento tão apertado que o maior salário era para Béla Lugosi que era muito popular na época, por ter feito “Drácula” em 1931.

A história começa quando o casal Madeleine Short (Madge Bellamy) e seu noivo Neil Parker (John Harron), iniciam o planejamento de seu matrimônio. A caminho de se hospedarem, o feiticeiro Murder Legendre (Béla Lugosi) os observa até conseguir pegar o cachecol de Madeleine. O casal finalmente chega na casa do rico proprietário Charles Beaumont (Robert Frazer), onde vão se hospedar.

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O amor de Charles por Madeleine faz com que ele procure pelo feiticeiro Murder, num moinho operado inteiramente por mortos-vivos. Charles quer convencer Madeleine de casar-se com ele e pede que Murder use suas técnicas voodoo para assassiná-la de forma sobrenatural. Murder afirma que a única maneira de ajudar Charles é transformando Madeleine em um zumbi com uma poção. Beaumont concorda e, disfarçadamente, dá a poção para Madeleine. Pouco depois da cerimônia de casamento de Madeleine e Neil, a poção faz efeito e Madeleine começa a morrer. Depois de seu funeral, Charles e Murder entram no túmulo de Madeleine à noite para que o feiticeiro reviva-a como um zumbi.

Bêbado e deprimido, Neil começa a imaginar aparições fantasmagóricas de Madeleine, o que o convence a ir até seu túmulo e ele acaba por encontrá-lo vazio. Neil solicita assistência do missionário local, Dr. Bruner (Joseph Cawthorn). Este conta como Murder transforma muitos dos seus rivais em zumbis, que agora protegem sua propriedade. Neil consegue convencer o comissário e os dois seguem viagem até o castelo de Murder para resgatar Madeleine.

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No castelo, Charles começa a lamentar a transformação de Madeleine e implora para Murder devolvê-la à vida, mas ele recusa. Charles descobre que também foi atingido pelo voodoo do feiticeiro e que está se transformando em um zumbi. Quando Neil entra na fortaleza, Murder sente sua presença e, silenciosamente, ordena Madeleine a matá-lo. Ela se aproxima de Neil com uma faca, mas o missionário Bruner consegue impedi-la. Neil segue Madeleine até uma escarpa, onde Murder ordena, mentalmente, seus guardiões zumbis a matar Neil. Bruner se aproxima de feiticeiro e o nocauteia, interrompendo o controle mental de Murder sobre os zumbis. Andando sem direção, os zumbis caem para fora do penhasco. Ao acordar, Murder tenta hipnotizar Neil e Bruner, mas Charles corre e o empurra para fora do penhasco, porém perde o equilíbrio e cai juntamente com o feiticeiro. A morte de Murder libera Madeleine de seu transe zumbi, e ela desperta para abraçar Neil.

Realmente um filme extraordinário e revolucionário para a sua época, apesar do roteiro hoje em dia ser bem preguiçoso na verdade e arrastado, mas vale muito a pena conferir o filme, não só por seu uma obra clássica como também pelos efeitos que são bem realizados e atuação do Lugosi que é sensacional. Uma obra obrigatório para qualquer fã do terror, ou melhor, do cinema.

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Nota: 

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Maniac Cop 3 – O Distintivo do Silêncio (1993)

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1993 / EUA / 85 min / Direção: William Lustig / Roteiro: Larry Cohen / Produção: W.K. Border, Larry Cohen, Michael Leahy, Joel Soisson / Elenco: Robert Davi, Caitlin Dulany, Gretchen Becker, Paul Gleason, Doug Savant, Robert Z’Dar

Se tem uma trilogia que goste no cinema de horror é “Maniac Cop”, gosto muito com os filmes se reinventam. Se no primeiro filme temos o policial Matt Cordell (Robert Z’Dar), como um oficial da lei “sangue nos olhos”, bandido bom é bandido morto. No segundo filme já é ao contrário ele ajuda bandidos e mata inocentes para colocar o nome da polícia de Nova Iorque na lama. O legal também é que nos filmes o protagonista muda. Se no primeiro temos Jack Forrest (Bruce Campbell) como o policial que vai matar Cordell, no segundo e terceiro filme é o detetive Sean McKinney (Robert Davi) que vai tentar parar o “Maniac Cop”.

Claro que filmes assim tem suas galhofas permitidas e deixa o filme mais legal até, se no primeiro filme a proposta é muito séria dentro do que ele propõe, temos o carismático Bruce Campbell que quebra essa linha e melhora muito o filme, o segundo é bom porque ele é bem inesperado na verdade, ele saiu totalmente fora da curva que esperávamos. Mas o terceiro filme, esse sim estraga um pouco a narrativa, ele não é muito bem construído, as cenas apesar de exageradas e que deixa o filme mais divertido, consegue irritar e pior ser bem cansativo.

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O filme ainda é dirigido por William Lustig que dirigiu também o excelente slasherManíaco” e fora a trilogia do “Maniac Cop”. Ele é roteirizado também pelo Larry Cohen que despesa apresentações que dirigiu uma caralhada de filmes da hora, tanto no terror como em outros gêneros.  Para a crítica o terceiro filme não foi muito bem nas pernas e vemos isso com razão né? Não sabemos o porquê e qual o real motivo de Cordell voltar dos mortos e também porque ele quer casar com uma policial em coma? A trama em si é muito fraca, o que vale o filme é a direção de Lusting que deixa o filme exagerado e não se leva a sério e isso é um ponto positivo. Mas tirando isso o filme é péssimo no ponto do roteiro e claro pela forçação de barra, principalmente no final.

O filme começa em Nova Iorque, onde durante uma noite violenta, uma policial é ferida gravemente e entra em estado de coma. O incidente foi gravado por um cinegrafista que ganha a vida vendendo episódios sensacionalistas para a televisão, no melhor estilo “O Abutre”. Porém, eles editam a gravação para fazer com que a culpa toda seja da policial e assim a opinião pública passa a acreditar que a policial se excedeu e matou os bandidos. Assim o detetive Sean McKinney (Davi) que, acreditando em sua inocência parte em busca de pistas para provar a verdade. Entretanto, ele não é o único que se importa com a imagem da policial. Matt Cordell, (Z’Dar) também entra em cena para vingar a colega, usando seus métodos peculiares e extremamente violentos. Mais forte que nunca e ajudado por forças macabras, o “Maniac Cop” impõe a própria lei e transforma as ruas da cidade em seu campo de combate espalhando terror e morte, sendo juiz, juri e executor.

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A trama realmente não consegue agradar, fazendo que o filme fosse lançado direto para “home-video” e assim perdendo também uma boa bilheteria. Acho que esse filme foi muito desnecessário apesar da direção boa e também pelos efeitos e as mortes que são bem criativas e realizadas também. Mas fica a recomendação para fechar a trilogia “Maniac Cop”.

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Nota: 

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Leia também a resenha de Maniac Cop – O Exterminador ,Maniac Cop 2 – O Vingador (1990)
e ouça o Locadora do Trash – Maniac Cop

Colheita Maldita (1984)

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1984 / EUA / 92 min / Direção: Fritz Kiersch / Roteiro: George Goldsmith (baseado no conto de Stephen King) / Produção: Donald P. Borchers e TerrenceKirby, Mark Lipson (Produtor Associado), Earl A. Glick e Charles Weber (Produtores Executivos) / Elenco: Peter Horton, Linda Hamilton, R.G. Armstrong, John Franklin, Courtney Gains

Esse é mais um filme que muitos sabem que é baseado na obras de Stephen King, mas poucos leram. Porque na verdade ele não é um livro completo e sim um conto. Ele está na sequência de livros que chama “Contos da Escuridão”. O que gosto dos livros do Stephen King é que seus personagens vivem e entram numa situação de merda, todos os seus livros os seus personagens tem problemas ou conjugais, amorosos, financeiros ou até no trabalho e tudo isso junta quando acontece algo bizarro.

Tem um conto de King nesse mesmo livro que gosto muito que chama “Proibido Fumar”, que também foi adaptado num filme de contos que é “Olhos de Gato” de 1985 que foi dirigido por Lewis Teague. Onde um homem deseja de todas as formas parar de fumar, mas não consegue. Até que um dia ele encontra um velho amigo que indicia o “Ex-Fumantes LTDA” onde o personagem descobre que os métodos da empresa não são nada comuns.

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Com tudo isso quero dizer que o legal dos livros de King é como ele trata o incomum e faz nascer o bizarro com ele. Acho que um dos pontos altos em “Colheita Maldita” é a relação dos personagens, falando no livro quero dizer. O casal principal está se divorciando fazendo com que você sinta a tensão de um divórcio, eles não se dão bem chegando a insultos e agressão. Diferente do filme por exemplo onde eles estão em lua de mel e tudo vai a mil maravilhas. Acho que esse ponto se perde, já que no livro tem um sentido para tudo que ocorre com aqueles casal e também pelo fato dos assassinos serem crianças.
Mas tirando esses detalhes que só fã percebe mesmo, o filme “Colheita Maldita” entra no “hall” de boas adaptações dos livros de Stephen King. O filme é estrelado por Peter Horton e Linda Hamilton(a nossa Sarah Connor), que estão excelente no papel de casal “lua de mel”. O filme foi dirigido por Fritz Kiersch que faz sua estreia na direção com esse filme e depois vai dirigir produções como “Gor E os Guerreiros Selvagens” e “Tuff Turf – O Rebelde”. Sem falar também que outros destaque são as crianças no filme que fazem a verdadeira ameaça, mas o destaque mesmo fica por conta de John Franklin que faz o pastor Isaac, o ator na verdade tem uma certa deficiência então no filme ele “interpreta” uma criança só que na época da produção, ele tinha 25 anos.

A história começa na cidade fictícia de Gatlin, onde a economia da cidade é baseada na agricultura, e a cidade é cercada por vastos milharais. Em um ano em particular, a colheita é péssima e as pessoas de Gatlin ficam em oração em uma tentativa de garantir uma boa safra. Assim um misterioso pregador, Isaac Chroner (Franklin) aparece e leva todas as crianças de Gatlin para um milharal a fim de explicar a eles sobre as profecias de um demônio dos milharais chamado “Aquele Que Anda Por Detrás das Fileiras“. Isaac, através de seu tenente Malachai (Courtney Gains), lidera uma revolução do grupo de crianças da cidade, matando brutalmente todos os adultos da região. Nos anos seguintes, as crianças capturam quaisquer adultos de passagem como sacrifícios. Alguns anos depois, Burt (Horton), e sua esposaVicky (Hamilton) passam por Gatlinem sua rota para o novo trabalho de Burt como médico em Seattle. Uma batalha tem lugar entre o casal, as crianças e “Aquele Que Anda Por Detrás das Fileiras”. Isaac é eventualmente possuído pela criatura e uma batalha ocorre, na qual Burt derrota finalmente a criatura ao queimar o milharal.

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O filme apesar de não ter sido bem recebido pela crítica, ele fez muito sucesso e rendeu só nos E.U.A mais de 14 milhões o que deu carta branca para que uma série de 8 filmes fossem feitas. Uma dica que eu dou é que fiquem no primeiro filme, que é bem melhor. Lembro que assisti ao filme quando era criança e gostei muito e me deixou perplexo, assistindo mais velho, vejo que ele não perdeu seu charme. É uma ótima dica para quem quer ver alguma obra baseado nos contos de Stephen King, mas claro leia o livro que é bem melhor.

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Nota: 

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Zumbis na Neve (2009)

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2009 / Noruega / 90 min / Direção: Tommy Wirkola / Roteiro: Tommy Wirkola, Stig Frode Henriksen / Produção: Tomas Evjen, Terje Strømstad; Magne Ek, Espen Horn, Kjteil Omberg, Harald Zwart (Produtores Executivos) / Elenco: Vegar Hoel, Stig Frode Henriksen, Charlotte Frogner, Lasse Valdal, Evy Kasseth Røsten

Não é surpresa para ninguém que um dos gêneros mais legais que existe são os de filmes de zumbis, apesar do mercado estar saturado hoje em dia, e a todo momento aparece um filme, quadrinho, games e etc com zumbis. Em 2009 isso era escasso, lembro que saiu “Zumbilândia” que é um filme muito divertido com zumbis e logo depois saiu o “Ilha dos Mortos” do George Romero, que muitos metem pau, mas nossa adoro esse filme e depois saiu estava vindo os europeus como “Zumbis na Neve” que é um filme muito bom.

Uma surpresa é que esse filme é norueguês! Depois disso comecei a dar mais atenção aos filmes de lá que trouxe a trilogia de “slasher” “Presos no Gelo” que é de 2006, depois o “Thale” e o “Trollhunter“. Gostei muito de assistir esses filmes com uma pegada bem diferente e totalmente nova com o gênero de terror. “Zumbis na Neve” não é exceção, logo na capa do filme você já sabe que os zumbis de fatos são nazistas, ou seja, o bicho vai pegar. O legal também é que os zumbis tem uma super-força, correm na neve e etc.

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O filme foi escrito e dirigido pelo Tommy Wirkola que é mais conhecido também por fazer o filme “João e Maria: Caçadores de Bruxos” que deu uma visão nova do conto clássico dos Irmãos  Grimm. Esse filme também não é de todo mal apesar de ser claro muito forçada em várias situações, mas o filme vale pelas cenas de gore e também por tentar ser uma coisa mais ” Steampunk ” que deixa o filme muito legal também.

A produção também foi muito bem feita, principalmente pela maquiagem e também pelas cenas de puro gore, humor negro e bizarrices sem pudor nenhum. A crítica ficou bem divida com o filme, mas foi bem rentável, gastando 800.000 dólares e faturando 1.984.662 dólares, a produção conseguiu se pagar. Fazendo que é 2014 saísse a sequencia que é mais foda ainda que chama “Dead Snow: Red vs Dead” onda agora os nazistas lutam com os russos, o ruim que tem produção americana também e meio que deixa o filme chato, mas nada que também estrague a experiência de ver o filme.

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A história se passa quando um grupo de amigos vão a uma estação de esqui isolada pela neve e encontram um velho que conta uma história de horror sobre nazistas. Então eles encontram um baú cheio de ouro e assim  eles ressuscitam um exército de zumbis nazistas que protegiam aquele lugar.

Como eu disse o filme apresenta várias cenas de humor negro e também muito gore! Vale muito a pena para quem quer sair das versões americanas de zumbis ou até explorar outras nacionalidades em relação aos filmes. E claro que a parte 2 também é muito engraçado.  É para fã nenhum botar defeito.

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Nota: 

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Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965)

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1965 / EUA / P&B / 83 min / Direção: Russ Meyer / Roteiro: Jack Moran, Russ Meyer (história original) / Produção: Eve Meyer, Russ Meyer, George Costello e Fred Owens (Produtor Associado) / Elenco: Tura Santana, Haji, Lori Williams, Sue Bernard, Dennis Busch, Stuart Lancaster, Paul Trinka

É curioso como o cinema “B” influenciou muito essa nova Hollywood, para quem já leu o livro “Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll salvou Hollywood“, sabe o que estou falando. Não é surpresa para ninguém dizer que os filmes tem a cara da época em que foi produzido, quando vemos um filme dos anos 80 onde as pessoas usavam aqueles rádios enormes na rua, andavam de patins ou usavam “walkman“, dizemos que é muito datado. Mas a filmes dessa nova geração dos anos 60 que ultrapassam a época em que foram feitos.

A um filme do Roger Corman que ele fez junto com o Denis Hopper e o Peter Fonda que chama “Viagem ao Mundo da Alucinação” que é uma viagem só, mas esse filme foi importante para marcar um que até hoje de certa forma é atual que é “Sem Destino“, com Hopper e Fonda fazendo dois motoqueiros viajando e curtindo seu país. O diretor Russ Meyer que fez vários filmes “exploitation” e com muita conotação sexual, como exemplo “De Volta ao Vale das Bonecas“, “Garotas Nuas do Oeste Selvagem” ou “O Imoral Sr. Teas” eram filmes que misturavam comédia com o erotismo, como as nossas “pornochanchadas” aqui no Brasil.

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Mas em 1965 ele escreveu, produziu e dirigiu ” Faster, Pussycat! Kill! Kill!” que foi uma verdadeira revolução, no sentido de mostrar mulheres bandidas, ou melhor, “badass” onde elas saem no braço com os homens, matam, assaltam e invertem o papel de deixar o homem em situação de perigo. A produção foi uma bagunça! Já que o diretor era aqueles caras que tinham um rei na barriga e uma mão de ferro, a histórias de brigas intermináveis entre ele a dançarina Tura Satana que faz “Varla” a líder do bando. Ela que também tinha um gênio forte não deixava barato ser mandada pelo diretor.

O filme não foi bem recebido nos cinemas e pela crítica. Ainda ficaram no prejuízo já que o filme custou 45.000 dólares para ser feito, foi filmado em preto e branco e gravado no deserto para baratear a produção e infelizmente o filme lucrou só 36.000 dólares.

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A história do filme como eu disse, se passa no  deserto, onde  três “strippers” Varla (Santana), Rosie (Haiji) e Billie (Lori Williams) roubam um carro e apostam um racha com um casalzinho, elas acabam matando o rapaz e sequestrando a garota, Linda (Susan Bernard). Em um posto de gasolina uma das garotas toma conhecimento de uma bolada em dinheiro guardada por um velho deficiente físico que mora com dois filhos, um deles demente. Usando a garota sequestrada como isca para se aproximar do rancho do velho e colocar a mão na bolada, a stripper “chefona“, juntamente com as outras controladas por ela, tentam seduzir o velho e os filhos com o intuito de encontrar o dinheiro.

O interessante é como o filme influenciou bastante a cultura POP e influenciou ainda mais diretores como John Waters, Quentin Tarantino fora também músicas, quadrinhos, televisão e etc. Para você ver o tamanho do impacto desse filme. Nem preciso dizer que ele virou cult e até hoje as pessoas assistem e amam esse filme. Como eu disse foi graças aos filmes B que temos o cinema independente que traz essas ideias loucas e maravilhosas para qualquer pessoa.

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Nota: 

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Onde os Fracos Não Têm Vez (2007)

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2007/ USA / 122 min / Direção: Ethan Coen, Joel Coen/ Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen / Produção: Ethan Coen, Joel Coen, Scott Rudin/ Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin

Onde os fracos não têm vez”, pode ser considerado um filme de eventualidades como a maioria dos filmes dos Coen, desde “Fargo”, “Queime depois de Ler” e “Barton Fink”. Podemos marcar a trajetória toda deles com filmes desse tipo, pessoas comuns envolvidas em casualidades maiores que elas. Um exemplo disso são os filmes mais alternativos dos Coen como “Matadores de Velinhas” no qual o personagem de Tom Hanks tem tudo planejado para conseguir milhões de dólares, mas o destino, eventualidades ou casualidades fazem com que ele fracasse e leve aquele destino inesperado no final do filme. Outro exemplo bom é o final de “Um Homem Sério” onde uma eventualidade acaba com o filme.

Assim é feito “Onde os fracos não têm vez”, o filme começa com uma narração do xerife Ed Tom que é interpretado pelo espetacular Tommy Lee Jones. Ele conta sobre tempos passados de como era a vida antigamente e como algo está para surgir, algo que ele e nem ninguém vai conseguir administrar. O filme se passa no Texas, lugar onde uma vez heróis da velha guarda tomavam conta, e filmes mostravam isso muito bem, era o homem contra tudo, um conflito que o homem branco sempre vencia seja contra ele mesmo, contra a natureza, ou até mesmo eventualidades. Exemplo maior são os filmes de John Ford como “O Homem que matou Facínora” ou “Rastros de Ódio”. Depois da narração e todo o discurso de Ed, somos apresentados a contradição do filme que é Anton Chigurh (Javier Bardem), digo contradição porque ele é uma pessoa que as regras simplesmente não se aplicam. E várias vezes isso é lembrado no filme, tanto diretamente como indiretamente. Ele usa uma pistola de pressão para matar as pessoas, primeiramente pensamos que é uma arma qualquer que ele leva simplesmente para matar, mas não! Logo explico essa parte. Anton tem uma apresentação magnífica no filme e logo descobrimos sua natureza.

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Na próxima cena, temos Llewelyn Moss (Josh Brolin) um homem comum que é levado numa pequena chacina no deserto. Ele entra no meio daquilo sem saber o que esperar. Llewelyn é um ótimo rastreador, você percebe que ao longo do filme, mesmo ele não pertencendo aquele mundo, uma eventualidade que acontece com ele, Llewelyn se sobressai no filme em vários aspectos, um deles é achar uma maleta de dinheiro que serve como o “MacGuffin” (termo usado em um roteiro como um dispositivo que impulsiona toda uma ação.) do filme, ou melhor, pode colocar duas ações como o “MacGuffin” do filme, primeiro claro o dinheiro e segundo a ambição dos personagens em vários aspectos.

Depois que o dinheiro some, o filme começa como uma caçada desenfreada atrás dele. Llewelyn tem que fugir porque a pessoas atrás dele. Isso leva sua mulher a fugir também para casa da mãe dela. Anton vai atrás dele. E nisso Ed é colocado também dentro desse jogo de gato e rato, mas parece que diferente de todos, ele só observa de longe aquilo tudo, ou melhor, ele trabalha do jeito dele, mas vemos que isso não leva a nada. E que realmente a narração de Ed está fazendo efeito e que o tempo dele já passou naquela terra. Llewelyn tenta de todos os jeitos se sobressair em tudo. O espectador é levado a um caminho onde estamos acostumados a ver. Principalmente na cena em que Ed conversa com a mulher de Llewelyn e ela revela que seu marido é duro na queda. E ele conta um caso para ela de um fazendeiro que matava gado para sobreviver, ele fala: “Que uma vez ele estava matando um boi, mas o jeito que o fazendeiro estava matando o gado não estava dando certo então o fazendeiro tentou usar uma arma, mas o tiro passou de raspão no boi e atingiu o ombro do fazendeiro. E Ed conclui isso dizendo que “eventualidades acontecem”. A história poderia acabar ai, mas ele reflete mais um pouco e fala: “Hoje em dia eles usam aquelas armas de pressão”. Nessa pequena frase de Ed percebemos por completo a natureza de Anton, no filme todo. Ele mata pessoas sem razão, mas para ele nos não passamos de gado pronto para o abate. É genial como essa pequena frase se encaixa no filme todo, e pegamos por completo toda a verdade sobre aquele assassino tão misterioso.

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Voltando as eventualidades, pensamos que Llewelyn vai sobreviver a tudo, mas outra eventualidade boba acontece e faz com que ele morra. Descobrindo que Llewelyn morre Anton que o perseguia o filme todo, vai atrás de sua mulher. Como uma promessa que ele faz para o falecido. Anton consegue cumprir sua jornada e nada o impede no caso nenhum confronto “homem x homem”. Mas na ultima cena o destino faz com que ele se torne humano novamente, quando ele sofre um acidente de carro, vemos que ele retorna a ser um humano com todas as fragilidades do mundo. Nessa parte se encerra a história de Anton e logo se conclui de Ed uma pessoa que aceita que aquele lugar não é mais para ele e que seu tempo se encerra ali. Na ultima cena em que Ed conta a sua esposa sobre o sonho que ele teve, onde seu pai o guia em um desfiladeiro com uma tocha, vejo aquilo como uma passagem de geração ou de obrigações ou até mesmo o encerramento de algo, ou melhor, o seu pai está te levando para um caminho onde não tem mais volta. Finalmente Ed aceita e vê quando na ultima frase ele fala “Eu acordei” é um sentimento de “É, realmente meu tempo passou”.

“Onde os fracos não têm vez” é um dos melhores filmes dos Coen, simplesmente não da para escolher o melhor dos melhores, porque eles misturam vários gêneros, estilos e eventualidades num filme só. Joel e Ethan é o que podemos chamar de diretores, verdadeiros gênios da casualidade humana e prova que não precisa de grandes produções ou roteiro super elaborados para mostrar que uma grande história pode estar na esquina da sua casa como na pequena cidade de “Fargo”, ou no bairro de “Um Homem Sério” ou até mesmo no trailer de “Arizona nunca mais”. Os irmãos Coen são verdadeiros heróis da normalidade humana.

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Os Suspeitos (2013)

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2013 / USA / 153 min / Direção: Denis Villeneuve/ Roteiro: Aaron Guzikowski/ Produção: Broderick Johnson, Kira Davis, Andrew Kosove / Elenco: Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo, Paul Dano

Comparar “Os Suspeitos” com “Seven” de David Fincher e “Zodíaco”. É uma bobagem tremenda já que os dois trabalhos de Fincher apresentam suspeitos e criminosos inteligentes e ao mesmo tempo místicos, principalmente por “Seven” já que vemos um criminoso que comete atos doentios usando a bíblia como uma desculpa para as suas atrocidades, até Zodíaco que foi inspirado num ato real de um “Serial-Killer” dos anos 70. Ambos os filmes conseguem atingir uma áurea mística relacionado aos criminosos. Mas Fincher fez escola, e vários filmes foram lançados ou inspirados na sua filmografia como “Jogos Mortais” e “O Colecionador de Ossos”.

Em “Os Suspeitos” vemos algo dessa herança, como um roteiro brilhante e desafiador do começo ao fim. Denis Villeneuve o diretor do filme, e estreante no cinema americano brinca com o espectador ao longo da trama, deixando alguns quebra-cabeças que não sabendo qual é o limite da verdade e do real. E simplesmente somos obrigados a entrar na cabeça de alguns criminosos para buscar uma pista do caso. E isso que ele propõe de desafiar a verdade é incrível, e coloca muito em cheque o que achamos certo e errado.

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O filme se passa dentro de uma pequena cidade que se comove com o sumiço de duas crianças. Keller Dover (Hugh Jackman) é um pai de família que trabalha como marceneiro e cria seu filho Ralph (Dylan Minnette) com mãos de ferro, mas mesmo sendo um cara durão, é um bom marido e um bom pai. Eles vão comemorar o dia de ação de graças na casa de seus amigos “Birch” eles se divertem e contam coisas do passado. A filha de Keller, Anna (Erin Gerasimovich) tem como amiga a filha do casal, elas saem para brincar na rua e depois de um tempo somem e assim que o filme começa como uma caçada contra o tempo. Villeneuve consegue mexer com a gente ao mostrar dois lados da moeda a primeira Keller que faz tudo pela verdade e tenta achar sua filha e o outro são de Franklin que não consegue chegar ao limite de Keller.

Jake Gyllenhaal vive o detetive “Loki”, um policial dedicado e ao mesmo tempo “louco”. O seu visual é todo contra o politicamente correto da policia, ele é cheio de tatuagens, o seu cabelo é diferente dos demais e ele manda o seu chefe se “foder” todo o momento. Mas mesmo assim ele é comprometido com o trabalho e com todo o protocolo da policia. Ele faz a caçada atrás da verdade, mas também o vemos como uma balança que tende a cair para um lado a todo o momento.

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O que mais gostei do filme é como vemos o suspense interagir com o drama, e o quanto vale chegar ao limite para se obter à verdade. Quando um suspeito é pego Alex (Paul Dano), mas logo é solto por não achar nenhuma evidencia que o levasse ao sequestro das meninas. Keller é o único que acredita que ele está mentindo e assim o captura e começa a torturar para obter a verdade.

O filme Como eu tinha dito tem um jogo psicológico que somos levados, o tempo todo para um caminho contrario. Será que Alex é um suspeito mesmo? E será que somos induzidos a pensar que Keller é realmente o que diz? Os Suspeitos apresentam essa tática de mexer com uma linha de pensamento que você cria o filme todo, mas de uma hora para outra ela muda. Ao avançar da historia vai aparecendo mais suspeitos, e ficamos mais longe da verdade e da lógica estabelecida. Realmente um filme genial e um drama muito bem desenvolvido, com um final em aberto que mexe com o certo e o errado, no caso é do Loki, não sabemos qual decisão ele tomou no final do filme.

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Mas como disse no começo da crítica Fincher fez uma escola. E ainda bem porque em tempos de tantos “remakes” e continuações “Os Suspeitos” surgem para mexer com essa geração que já este acostumado com tudo pronto. Mas veja e reveja esse filme e encaixe o quebra-cabeça dentro dessa historia espetacular.

Nota: 

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