Os Meninos (1976)

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1976 / Espanha / 107 min / Direção: Narciso Ibáñez Serrador / Roteiro: Narciso Ibáñez Serrador (baseado na obra de Juan José Plans) / Produção: Manuel Salvador /Elenco: Lewis Fiander, Prunella Ransome, Antonio Iranzo, Miguel Narros, María Luisa Arias, Luis Ciges

Confesso que comecei vendo “Os Meninos” errado, ou seja, vi primeiro o remake e depois o original. O que me tirou uma baita de uma surpresa, numa história tão boa e surpreendente. Não que o remake seja ruim, porque é um filme decente mesmo, no Brasil ele saiu com o nome “Brincadeiras de Crianças” e inclusive está no catalogo da Netflix. Mas né? Original é sempre melhor.

O filme dirigido pelo uruguaio Narciso Ibáñez Serrador, e baseado na obra do escritor Juan José Planos, que no Brasil deve ser encontrar com o nome de “Os Filhos“. O titulo original, ou seja, em espanhol faz muito mais sentido que é “¿Quién puede matar a un niño?” ( Quem pode matar uma criança?), esse sentimento que fica presente na produção toda. Mas também prefiro o nome que os nossos colonizadores deram que é “Os Revoltados do Ano 2000“. Sensacional em?

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É bem nítida a influencia do diretor para o filme, vemos desde a ambientação de “Os Pássaros“, até a ideia “Aldeia dos Amaldiçoados” e passando para “O Senhor das Moscas“. Essa ideia de crianças matando, sempre é uma coisa que deixa a gente mal e também ver crianças morrendo é uma parada muito forte. Narciso foi muito sábio ao dar esse tom no filme, principalmente pelas cenas de abertura, onde vamos acompanhando vários conflitos da história como a segunda guerra mundial, passando para conflitos de guerra civil na África e a guerra na Coréia, e assim ele mostra que os únicos que sofrem na verdade são as crianças.

O filme que como falei tem a ótima direção de Narciso Ibáñez Serrador, usa elementos muito bem construídos sobre o estereótipos de crianças serem inocentes e tal. Ele escreveu o roteiro sobre o pseudógino de Luiz Peñafiel, e nisso não sabemos o que aconteceu para as crianças se revoltarem assim, achei muito parecido com “A Noite dos Mortos Vivos” de 1968 do George Romero, onde simplesmente não tem uma explicação da origem do monstro, infecção e etc. Simplesmente acontece e pronto. E confessamos que assim é bem mais legal mesmo, não ficamos preocupados em saber sobre o porque e sim como? Ou melhor, como vamos sobreviver.

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O filme começa com aquele documentário que já tinha citado, e a partir dessa temática imposta. O filme corta para uma praia, onde uma criança acha um corpo de uma mulher boiando. Logo que ela é resgata, acompanhamos Tom (Lewis Fiander) e Evelyn (Prunella Ransome), um casal de turistas estrangeiros que chegando na cidade espanhola de Benavís, a fim de navegar  para a ilha de Almanzora para passar alguns dias de férias.

Evelyn está  gravida de seu terceiro filho e estão dispostos a relaxar na ilha, onde Tom passou as férias quando criança. No entanto, ao chegar em Almanzora, eles começam a perceber que tudo parece abandonado, só as crianças vivem lá e não há nenhum vestígio de adultos. Assim eles decidem descansar em um bar, onde eles encontram tudo como se as pessoas tivessem deixado às pressas, deixando até galinhas no forno, e carbonizado. Tom foi investigar as casas para descobrir alguma pista sobre os adultos. Aos poucos Evelyn e Tom começam a receber um telefonema de uma menina que fala num tom angustiado. Depois de comer, o casal vai em um hotel, Evelyn, olhando para a porta do hotel, finalmente vê um homem velho que parece brincar de esconde-esconde com uma menina mas ela começa a bater no velho com o pedaço de pau. Dentro do hotel  eles finalmente encontra finalmente um adulto que revela que alguns dias antes, todas as crianças tinham  contraído uma espécie de loucura coletiva e decidiram matar todos os adultos na aldeia, mas ele não pode fazer nada, porque afinal  quem pode matar uma criança?

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Esse plot é simplesmente fantástico. Como seu final revelador e sanguinário, que não merece receber spoiler. O filme nesse ponto é bem melhor que o remake, que deixa as coisas muito em abertas sem necessidade nenhuma. A nossa querida Versátil lançou no box “Obras – Primas dos Terror vol.3” esse maravilhoso filme restaurado e depoimento do diretor. Quem assistir ao filme vai ser surpreender com uma obra visceral e bem realizada. Simplesmente um filme chocante em todos os sentidos.

Nota: 

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