Elephant (1989)

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1989 / Irlanda / 39 min / Direção: Alan Clarke / Roteiro: Bernard MacLaverty/ Produção: Danny Boyle / Elenco: Patrick Condren, Michael Foyle, R.J. Taylor, Gary Walker

Lembro que a primeira vez que assisti “Elephant” foi para um curso sobre crítica cinematográfica e nossa fiquei impressionado que o filme não apresentava história e sim uma combinação de cenas gore e também num contexto social de violência dos anos 80. Mas assim mesmo que assisti a essa produção consegue ficar chocado pelo alto grau de violência, como também pela história que é interessante. Mas porque nos interessamos tanto pela violência?

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Não lembro o que coloquei naquela crítica que fiz no curso. Mas re-assistindo o filme e pesquisando sobre essa obra. Vejo que na verdade ela é genial, e quis de uma forma ousada denunciar os problemas sociais de uma Europa caótica. O filme que apresentava como titulo “O elefante na nossa sala de estar ” que é uma referência aos vários problemas sociais da Irlanda do Norte. O filme que saiu direto em vídeo, ou seja, saiu direto para a televisão e teve como produtor o Danny Boyle que na época trabalhava na BBC irlandesa.
A direção fica por conta de Alan Clarke que é conhecido por fazer filmes polêmicos, morreu um anos apos “Elephant” ficar pronto. A história é muito baseada em casos da policia e assim da um certo ainda mais realista ao filme. Varias cenas de plano sequencia que o filme apresenta, você vê em outra produção que tem o mesmo titulo que é “Elefante” do diretor Gus Van Saint que retratou os tiros em “columbine“, com essa mesma estética de poucos diálogos, ação cru e também a fotografia clara e escura, se combinando sem um meio termo.

A história como eu disse no começo, não tem. Simplesmente são pessoas normais andando na rua ou dirigindo e encontrando alguma outra pessoa e atirando nela. O efeito de você ver aquilo realizado tantas vezes te deixa ao mesmo tempo anestesiado pela brutalidade do ato de matar, como contemplativo com o ato da matança em si. É impossível você terminar essa filme e não sentir algo. A vários questionamentos filosóficos na minha opinião de como encaramos a violência tanto numa questão social como geopolítica que é essa briga com a Irlanda do Norte que surge grupos de extrema violência que foi o I.R.A, que foi a inspiração para o filme.

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Gostei muito dessa discussão, principalmente porque assisti com um grupo de alunos. E foi interessante os questionamentos que uma produção com esse peso pode gerar. É claro que a violência é crua e surreal e não é para todo mundo, porque o grau de realidade é impressionante e aquele gore de você simplesmente ver a cabeça de outra pessoa voar por causa de um tiro. E também pode ser meio cansativo, mas acho que isso vem acompanhada com a sensação de violência, principalmente quando estamos numa era de extremos como hoje em dia. Mas será que um dia saímos dessa realidade de tudo ser ao extremo?

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Nota:  5 Caveiras

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Louca Obsessão (1990)

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1990 / EUA / 107 min / Direção: Rob Reiner / Roteiro: William Goldman (baseado na obra de Stephen King) / Produção: Rob Reiner e Andrew Scheinmann, Steve Nicolaides e Jeffrey Stott (Co-produtores) / Elenco: James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth, Lauren Bacall

Stephen King tem vários filmes excelentes que foram baseados em suas obras, e claro aqueles ruins para caramba. Mas os que salvam como excelente produções podemos contar nos dedos como “Cemitério Maldito“, “1408“, Iluminado, “It“, “O Nevoeiro” e “Um Sonho de Liberdade“. Na verdade ele tem vários filmes bons que encheria uma crítica só falando dos filmes baseados em suas obras. Mas uma coisa que gosta nas histórias de King é como ele consegue moldar o sobrenatural e transformar numa coisa mundana ou até simples como uma simpática mulher que ajuda um escrito a se recuperar, isso séria um ótimo romance. Mas se essa mulher o prende e faz o escritor mudar o final do seu livro para que a sua personagem sempre viva. Como isso pode ser tratado?

Rob Reiner que também é outro excelente diretor e fez vários filmes legais como “Isto é Spinal Tap“, “Harry e Sally” e claro o clássico da Sessão da Tarde e que se trata de outra obra de King que é “Conta Comigo“. Então é uma pessoa que tem, e fora que ele produziu o filme também. E tem o roteiro de William Goldman que só fez clássico. Outra coisa que contribui muito para o filme é a fotografia que é excelente e deixa aquela imensidão gelada num verdadeiro inferno. E as atuações que são excelentes, fora que uma curiosidade é que Anjelica Huston e Bette Midler foram soldados para o papel de Annie ( a louquinha do filme), mas o papel ficou e também caiu como uma luva para Kathy Bates e quem ia fazer o papel de Paul ( o escritor) ia ser Jack Nicholson, mas ele recusou e por sorte do destino acabou com James Caan que consegue transformar toda aquela áurea de ator forte como ele fez em “O Poderoso Chefão“, para um homem destruído pelo trabalho e também por suas obsessões estranhas.

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Como eu adiantei a história só se passa com duas pessoas, claro que tem mais pessoas. Mas o núcleo que mais interessa são os dois, fora que na própria capa do filme o nome de Bates e Caan aparece em fontes enormes. Como o filme é baseado num conto de King que chama “Angustia“. O roteiro conseguiu dar um ar mais completo para a história. E nisso acompanhamos a vida do escritor Paul (Caan) que faz um escritor que está encerrando sua série de livros de uma mulher chamada “Misery“. Mas quando ele volta para a cidade e passando por uma estrada deserta no meio das montanhas, ele sofre um acidente.

Assim ele é resgatado por uma enfermeira chamada Annie (Bates) que não acredita que salvou o autor da sua série favorita. Ela toma conta dele, principalmente porque ele quebrou a perna. Mas quando ela lê o ultimo livro da série ela fica furiosa. Chamo a atenção para ver a interpretação de Bates nesses momentos é incrível a versatilidade dela quando ela passa de uma moça indefesa para uma psicopata, não é à toa que Bates ganhou o Oscar de melhor atriz por conta desse filme.

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As cenas seguintes do filme é de uma angústia só e consegue nos prender na história, mas ao mesmo tempo você que escapar daquilo. Então é um sentimento louco, que combina muito com o filme. Fora aquelas cenas memoráveis quando Annie quebra o pé de Paul que nossa senhora, não tem gente que não fica mal com aquilo. O legal é como aos poucos vendo as tentativas de Paul de tentar escapar e também ele descobrindo a verdade por trás de Annie e que na verdade ela sempre teve problemas maiores do que a personagem que ela gosta.

Stephen King disse que escreveu esse conto por causa de uma fã que invadiu sua casa uma vez. Assim o filme consegue esse prólogo criativo de mostrar o limite da obsessão e até da maldade humana. “Louca Obsessão” é aquele típico filme que você assiste uma vez e nunca esquece, seja por seus personagens ou até as cenas de tortura e também por todo o talento do elenco. Realmente um excelente filme e claro umas das melhores adaptações de King para o cinema.

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Nota:  5 Caveiras

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Chamas da Morte (1981)

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1981 / EUA, Canadá / 91 min / Direção: Tony Maylam / Roteiro: Peter Lawrence, Bob Weinstein, Harvey Weinstein e Tony Maylam e Brad Grey (história original) / Produção:Harvey Weinstein, Dany Ubaud (Produtor Associado), Jean Ubaud, André Djaoui e Michael Cohl (Produtor Executivo) / Elenco: Brian Matthews, Leah Ayres, Brian Backer, Larry Joshua, Jason Alexander, Ned Eisenberg

Os anos 80 foi recheado de filmes esplendorosos, mas pouco conhecidos pelo grande publico, então logo cai em esquecimento. Um desses filmes legais e empolgantes é “Chamas da Morte” que é um “slasher” foda para caramba. Ele sai um pouco daqueles clássicos que conhecemos como “Halloween” ou até “Sexta-Feira 13” que você percebe nitidamente que ele se baseou no sucesso do primeiro filme. Mas ele lembra ainda mais os “giallos“, italianos do que qualquer outra coisa.

Chamas da Morte” ou “A Vingança de Cropsy ” como foi chamado também é aquele típico filme que você vê e se surpreende bastante. Começando pelos efeitos e maquiagem que Tom Savini fez que claro lembra novamente o de “Sexta-Feira 13“, mas aqui parece que ele teve uma liberdade mais criativa, porque o gore corre solto a toda hora. E claro tem mais “nudes” também e a direito a nu frontal e tudo. Esse foi o primeiro filmes que os irmãos Bob e Harvey Weinstein pegaram para produzir, fora que eles mesmos fizeram o roteiro e a ideia original do filme fica por conta de Harvey.

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A história é bem simples no caso de acampamento de verão, jovens querendo sexo e claro se isolando de todos e etc. Prato cheio para os clichês desse gênero. Lembrando também que ele surfou na onda de Jason, ele saiu por baixo porque o filme foi lançado quase junto com “Sexta- Feira 13 – Parte 2” e assim Jason ficou mais conhecido do que Cropsy e também todos queriam saber o que iria acontecer depois que Pamela Voorhees foi morta. O que fica fora dos padrões desses filmes é como as coisas são tratadas, temos uma empatia maior pela galera do camping do que pelo assassino. Mesmo que você veja a galera boazinha dos filmes e etc. Você sempre torce para o vilão, prova disso é como Jason, Freddy ou Michael Myers são mais famosos do que as “final girls“.

Tudo começa no acampamento quando uma galera está conversando de se vingar do zelador do camping que é um alcoólatra degenerado que persegue as crianças e também usa uma tesoura de jardinagem para cima e para baixo, ai pergunto cadê a administração desse lugar? Bom como estamos nos anos 80, você tinha que se virar do seu jeito. Mas uma galera decide dar o troco em Cropsy e com uma ideia genial usam gasolina na pegadinha e claro ele pega fogo e supostamente morre. Depois de passado 5 anos dentro do hospital, ele foge.

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Assim ele volta para o acampamento atrás mas claro que agora ele mata qualquer um que não tem haver com o assunto. Mentalmente insano por causa do incêndio, ele mata qualquer pessoa com requintes de crueldade. O começo do filme é um pouco lento e demora bem para desenvolver toda a trama. Assim conseguimos claro sentir aquela empatia que comentei pelos personagens. E nossa, que galera zuada. Temos um “freak” que do nada invade o banheiro feminino e fica olhando uma menina tomar banho e depois ele é tipo um coitadinho da história. Mas como comentei é os anos 80, tudo era diferente nessa época. Quando a turma desce por um rio é ai que o terror começa na verdade. Porque eles são levados para uma armadilha pelos psicopata Cropsy. Acho que uma das melhores cenas do filme todo e mostra aquele gore vivo de Tom Savini é quando a canoa da turma é levada para longe e assim eles fazem outra. E certo ponto do rio eles navegam até lá e dentro do bote sai o assassino que com a sua tesoura faz aquela carnificina. É tão explicito que você sente o sangue vindo na sua cara. Então é tesourada na jugular, no olho, peito e tem uma cena magnífica de um garoto que perde os dedos quando ele passa a tesoura lá.

Uma curiosidade é que esse filme é o começo de filme de várias atores já consagrados agora como Jason Alexander, o “George” da série Seinfeld, que pasme está com cabelo nesse filme e claro é seu primeiro longa. E também Fisher Stevens que fez um monte de filmes legais como “Um Robô em Curto-Circuito“, a série “Edição de Amanha” e claro o incrível filme “Hackers“.

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Gostei muito de “Chamas da Morte“, claro que ele tem uns escorregões graves no roteiro e etc. Mas é eficiente na direção e claro a maquiagem do incrível Tom Savini. E sai muito dos padrões do “slasher” clássico, vale muito a pena assistir essa perola dos anos 80 e claro sempre lapidar os filmes dessa década perdida que tem muita coisa boa pronta para ser achada.

Nota: 

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A Hora do Pesadelo (1984)

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1984 / EUA / 91 min / Direção: Wes Craven / Roteiro: Wes Craven / Produção: Robert Shaye, Sarah Risher (Co-Produtora), John Burrows (Produtor Associado), Stanely Dudelson e Joseph Wolf (Produtores Executivos) / Elenco: Heather Langenkamp, Robert Englund, John Saxon, Johnny Depp, Ronee Blakely, Amanda Wyss

Quem nunca assistiu ao filme de terror e não dormiu a noite? Mas se esse motivo de não dormir é porque você precisa sobreviver já quer seu monstro ataca pelos sonhos? Assim temos a premissa de “A Hora do Pesadelo” de Wes Craven. Quem nunca viu um filme se quer de terror já sabe quem é Freddy Krueger, com aquela roupa listrada toda hipster e sua famosa luva com garras. Qualquer pessoa reconhece ele e suas irônicas formas de matar.

No falecido “TerrorCast” fizemos um programa dedicado ao Wes Craven e citamos “A Hora do Pesadelo” como um filme fundamental para pessoas conhecerem mais não só a obra do diretor como o terror em geral. Mas lembrando que o SBT fazia um serviço para os fãs dos anos 90 e exibia em exaustão os filmes. Então quem era moleque se divertia vendo aquelas bizarrices e não conseguindo dormir depois. Lembro que passei várias noites em claro quando criança por conta do filme, que mesmo mais “terrir” que os outros filmes seriam, esse tem uma pegada mais macabra.

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Wes Craven que produz a maioria dos seus filmes e consegue deixa-los com uma estimativa de baixo orçamento que foi o caso desse primeiro “A Hora do Pesadelo” ele fez a produção toda com apenas 1,8 milhão de dólares. Mas o sucesso foi tanto que ele conseguiu recuperar esse investimento na primeira semana de exibição nos cinemas. Ao todo o filme conseguiu lucrar 25,5 milhões de dólares só nos E.U.A; Lembrando também que Craven escreveu e dirigiu esse filme.

A história de “A Hora do Pesadelo” é uma reunião de coisas esquisitas. Várias matéria que ele deu na época falam que ele tinha lido na infância sobre um caso de pessoas refugiadas do Camboja que pelo medo da guerra começaram a ter pesadelos com o exercito local e assim não conseguiam dormir por várias noites, assim até um desses refugiados chegou a morrer por conta de não dormir. Outra coisa que o próprio Craven relata é que quando criança ele viu uma figura bizarra do lado de fora do quarto dele que ficou o encarando e depois foi embora. Quando ele acabou o roteiro e tentou vender para vários estúdios, eles recusaram. Até a própria Disney teve um interesse, mas Craven rejeitou por causa das mudanças de roteiro que eles queriam. Então ele decidiu vender para “New Line Cinema“, que teve tudo a ver com a proposta de Craven até o momento como o fato de ser uma produtora independente também.

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Apesar da história se passar em Springwood, Ohio. Ela foi gravada em Los Angeles. E também é o primeiro filme de vários atores e conta com veteranos como John Saxon, Heather Langenkamp, Ronee Blakley, Amanda Wyss, Jsu Garcia, Robert Englund e Johnny Depp. Assim no meio de nomes consagrados e pessoas que seriam consagradas, o filme consegue ser assustador num nível tão foda, que hoje ele tem o status de cult. Durante a produção, 500 galões de sangue falso foram usados. Na icônica cena em que Nancy é atacada por Krueger dentro de sua banheira foi realizada com uma banheira especial sem fundo. A produção conseguiu ser a mais criativa quanto possível como a cena onde Depp morre e é puxado para dentro da cama, o quarto foi filmado de cabeça para baixo. Como em “Sexta Feira-13” que as mortes, ou melhor, o filme é um terror cristão. Onde você não pode fazer nada de errado se não você vai morrer, aqui é de uma ordem social. As vitimas de Freddy são todas pessoas que tem problemas em casa ou de ordem social mesmo. Então as famílias são destruídas ou tem problemas com drogas ou álcool. Assim, tudo isso é perfeito para que tudo se origine e crie pesadelos. O legal de como aos poucos vamos percebendo que ninguém é inocente dentro daquela história é explicada dentro do filme e fora dele. Aos poucos coisas em comuns vão acontecendo, principalmente quando os jovens de Springwood começa a sonhar com um cara bizarro que usa chapéu, luva com garras e tem a cara toda queimada.

Quando Tina (Amanda Wyss) faz uma festinha para os amigos em casa e ela leva o namorado para o quarto e eles dormem juntos e tal. Ela roda e vira a primeira vitima de Freddy, assim também vemos duas coisas muitos massas e bem boladas no roteiro que é a morte da vitima no sonho e na vida real. Então quando Tina é morta nos sonhos, ela morre de forma bizarra na vida real. Ela sobe nas paredes é cortada em vários pedaços e seu namorado até então vira o principal suspeito. Assim Nancy (Heather Langenkamp) vira a vitima que Freddy vai torturar o filme todo. Outra coisa que da arrepio é a sensação de não poder dormir, você está com aquele sono mas dormir é fatal.

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Nancy começa a investigar esse homem bizarro e assim ela percebe que já conheceu o assassino. Ele era o encarregado da limpeza da escola e também era um assassino. Assim quando Freddy é preso, mas um erro do sistema faz com que ele seja solto, os pais revoltados fazem justiça com as próprias mãos e queimam vivo o assassino. Assim ele jura que vai se vingar e dito e feito. A única esperança de Nancy de sobreviver é quando ela descobre que pode trazer o assassino dos sonhos para o mundo real e assim matá-lo.

A Hora do Pesadelo” é um dos melhores filmes dos anos 80 e pena que suas continuações não alcançam o máximo da primeira obra. E aquele “remake” de 2010 foi uma bosta de um nível insuportável e não reviveu a tentativa de franquia. Mas citando outra obra que Craven escreveu e dirigiu que foi “Pânico” é “Não se meta com o original“.

Nota: 

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Aracnofobia (1990)

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1990 / EUA / 103 min / Direção: Frank Marshall / Roteiro: Don Jakoby, Wesley Strick /Produção: Kathleen Kennedy, Richard Vane; Don Jakoby (Coprodutor); William S. Beasley (Produtor Associado); Robert W. Cort, Ted Field (Coprodutores Executivos); Steven Spielberg, Frank Marshall (Produtores Executivos) / Elenco: Jeff Daniels, Harley Jane Kozak, John Goodman, Julian Sands, Stuart Parkin, Brian McNamara

Acho que um dos filmes que mais vi na vida tirando claro “Tubarão“, “A Volta dos Mortos Vivos“, “Massacre da Serra Elétrica” e “Evil Dead“. Foi “Aracnofobia“, aquele filme que passava sempre na Globo na Sessão da Tarde. Lembro de ser criança e assistir ao filme junto com a minha prima e morrer de medo de qualquer coisa pequena que se mexesse.

Filmes de “monstros” foi uma febre nos anos 60 e começo dos 70 e teve filmes legais e outros horrorosos como “O Império das Aranhas“, “O Império das Formigas” e claro o clássico “A Fúria das Feras Atômicas“. Enfim essas produções fizeram muito sucesso antigamente e ostentava o imaginário de escritores como H.G. Wells que escreveu vários livros com esse tema. Mas enfim essa ideia da natureza se revoltar não é uma coisa nova no cinema. Mas a forma como ela é abordada é que muda as coisas.

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Aracnofobia” foi a estréia do produtor Frank Marshall na direção, ele que  produziu  vários filmes de Steven Spielberg, consegue pegar o “felling” do seu amigo de prender todos na cena e aumentar o suspense. Coisa que vemos muito em “Tubarão” e fica claro nessa produção, é o uso da trilha sonora para avisar do perigo e também a família que se muda para o interior e começa a perceber um perigo iminente e ninguém acredita neles. É o roteiro basicamente de “Tubarão” só que agora você tira o mar e coloca fazenda e etc. E lembrando que Marshall é um dos fundadores da “Amblin Entertainment” junto com Spielberg, então está tudo em casa.

O roteiro fica por conta de Don Jakoby que escreveu vários filmes legais como “Força Sinistra“, “A Colônia“, “Vampiros de John Carpenter” e aquele comédia Sci-fiEvolução“. Como eu disse que o filme é bem parecido com “Tubarão“, ele consegue deixar o suspense aflorar em vários momentos. Na cena inicial do filme de Spielberg, já conhecemos o “monstro” quando uma jovem vai nadar no mar e é morta por uma criatura. Nesse filme é basicamente a mesma coisa, mas você tira o mar e coloca a selva peruana onde cientista capturam aranhas. Mas uma delas consegue escapar e acaba matando um pesquisador e assim começa toda história.

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Assim quando o corpo do pesquisador é mandado para o E.U.A para ser enterrado na sua cidade natal, a aranha estava dentro dele e ela escapa e começa seu reino de caos. É muito legal quando numa cena vemos a cidade bem de longe e aranha mesmo pequena entrando dentro da cidade consegue ficar gigante. A direção de fotografia desse filme é realmente excelente. Ao mesmo tempo se muda para a cidade de Canaima, o Dr. Ross Jennings (Jeff Daniels), que vem é contratado para substituir o médico local. Ele se muda com a família para uma fazenda e descobrimos em pouco tempo que ele tem aracnofobia (que coisa em?). Aos poucos as mortes vão começando e claro a aranha se reproduz e assim várias “arainhas” servem para fazer o caos na pequena cidade. As cenas das mortes são muito fodas e serviu para eu ficar esperto com certas coisas como chegar meu tênis para ver se não tem nada dentro (coisa que acontece no filme por sinal), verificar se não tem nenhuma aranha no chuveiro e claro olhar o que vou comer. Que essa sim é a cena mais foda do filme todo. Aos poucos as pessoas da cidade começam a ficar em pânico por conta das mortes e o Dr. Ross começa a investigar e também apresenta John Goodman no filme que faz um dedetizador que nossa é a melhor coisa do filme os dois.

Os efeitos especiais são maravilhosos também, ainda mais na parte final onde temos a aranha líder que tenta matar Ross. Que vira um combate sem igual e que lembra novamente o final de “Tubarão” que é o homem versus a natureza. “Aracnofobia” virou um filme sensação porque conseguiu facilmente contar uma história legal e simples e mostrar o perigo que vem do nada, que é uma marca registrada desses filmes de monstros gigantes e claro contou a estrutura básica de “Tubarão” para ser o enredo da história então não tem como sair algo errado. Principalmente quando se tem o Steven Spielberg na produção e de olho no que você está fazendo.

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Mas esse filme é aquele típico filme que você assiste quando criança que te faz aproximar ainda mais do gênero de terror. E essa obra foi uma dessas, é legal você assistir algo de 15 ou 20 anos atrás e ver que ela ainda continua boa. Apesar de “Aracnofobia” ser um filme bem mais “Sessão da Tarde” mesmo porque não apresenta aquele terror escachado ou o gore absurdo, mas mesmo assim consegue ser legal e divertido de assistir.

Nota: 

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Os Garotos Perdidos (1987)

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1987 / EUA / 97 min / Direção: Joel Schumacher / Roteiro: Janice Fischer, James Jeremias, Jeffrey Boam / Produção: Harvey Bernard; John Hyde, Mark Damon (Coprodutores Executivos); Richard Donner (Produtor Executivo) / Elenco: Jason Patric, Corey Haim, Dianne West, Bernard Hughes, Edward Herrmann, Kiefer Sutherland, Jami Gertz, Corey Feldman

Dormir de dia. Fazer festa a noite toda. Nunca ficar velho. Nunca morrer. Ser vampiro é o maior barato.” Essa era a frase que se tinha no pôster do filme de “Os Garotos Perdidos“, aquele filme foda que passava na Sessão da Tarde nos anos 90 e dava um cangaço e mostrava vampiros sendo vampiros. Com aquela sede de sangue, o sadismo que é uma coisa presente no mito do vampiro e também aquele lance da sedução que é a marca do vampiro clássico.

O legal desse filme que ele é a cara dos anos 80, então temos um monte de tribos exóticas por todos os lados e também aquela trilha sonora incrível que embala o filme do começo ao fim e tirando o chapéu para o INXS, Echo & the Bunnymen (Que regravou o “People Are Strange” do The Doors”) e também o tema do filme que da aquele ar todo melancólico para a produção que é “Cry Little Sister” do  Gerard McMann. Simplesmente demais, pega o álbum para ouvir na integra é uma das coisas mais sensacionais para se fazer. E outra marca registrada dos anos 80 é a presença de Corey Haim e Corey Feldman que foi a própria cara dessa década perdida e fez uma caralhada de filmes como “Os Goonies“, “Conta Comigo“, “Sem Licença para Dirigir” e “Bala de Prata“.

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A produção foi marcada por vários problemas, entre eles é que no roteiro de Janice Fischer e James Jeremias, os personagens centrais não teriam nem 10 anos de idade. E Joel Schumacher odiou a ideia e disse aos produtores que só faria o filme se pudesse mudá-los para adolescente. A ideia foi ótima e assim você vê um ótimo proveito visual na sexualização dos vampiros e também todo aquele lance de ser adolescente e estar apaixonado que os personagens principais mostram do começo ao fim. Os problemas não pararam, principalmente quando produtor executivo Richard Donner que seria o diretor de “Garotos Perdidos“, pulou fora para dirigir “Máquina Mortífera“. Assim ele deixou a direção para Mary Lambert (a diretora de “Cemitério Maldito”) chegou a assumir o cargo, mas deixou devido a diferenças criativas com a produção e assim finalmente Joel Schumacher dirigiu nosso querido filme.

A história se passa em Santa Cruz, na Califórnia. Já percebemos que alguma estranha está acontecendo naquele lugar, porque primeiro temos os cartazes de desaparecidos e também algumas pichações por toda a praia. Assim conhecemos a família que é Lucy (Dianne Wiest), o mais velho e claro rebelde Michael (Jason Patric) e o irmão mais novo Sam (Haim). Eles se mudam para viver com o avó já que ela se separa e fica quebrada e pede refugio para o Vovô (Barnard Hughes). Aos poucos Michael começa a se envolver com a turma da noite e conhece Star (Jami Gertz) e também seus amigos punk’s – góticos – vampiros – motoqueiros da praia. O primeiro é David (Kiefer Sutherland, que nos anos 80 só fazia vilão foda) e em seguida toda a turma bizarra.

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O legal como eu disse sobre aquela fauna dos anos 80 é como também não temos firulas sobre a demonstração dos vampiros em serem eles mesmos. Então se você é jovem, imortal e tem poderes você quer é tacar o puteiro e é isso mesmo que eles fazem. Atacam pessoas na praia, aterrorizam em parques de diversão e também torturam psicologicamente o Michael ao ponto de morder-lo e transformá-lo num vampiro. Sam começa a procurar ajuda para esse caso e conhece os irmãos Edgar (Feldman) e Alan (Jamison Newlander), que vendem quadrinhos numa loja e a noite combatem vampiros. A partir dai uma guerra começa entre a família de Michael e Sam contra os vampiros de David. Lembrando também que ele revela que existe um vampiro chefão entre eles.

Michael vira um vampiro bonzinho que reluta para tomar sangue e também a matar. Assim eles tem essa vantagem ao descobrir que as lendas de vampiros são reais como o crucifixo, alho, água benta e também a estaca. Garotos perdidos é muito maneiro e fez a minha geração ao mostrar aquele limiar da fantasia juvenil dos anos 80, lembrando que vamos ter a presença do gore, horror e também sexo, já que estamos falando de outra época. Mas mesmo assim é um filme voltado para o publico mais infantil e mostra de forma interessante da jornada do adolescente para fase adulta ou a criança para a fase adolescente. Então ele consegue abordar esse dois núcleos no filme.

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Lembrando que o primeiro filme de 1987 gerou um lucro muito para a produção e agora nas décadas de 2000, começou as continuações como “Garotos Perdidos: A Tribo” e “Lost Boys: The Thirst” . Ambos saíram diretamente para vídeo, mas mesmo assim estou curioso para assistir.

Nota: 

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Halloween – A Noite do Terror (1978)

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1978 / EUA / 91 min / Direção: John Carpenter / Roteiro: John Carpenter, Debra Hill /Produção: Debra Hill, John Carpenter (não creditado), Kool Marder (Produtor Associado), Irwin Yabians (Produtor Executivo), Moustapha Akkad (Produtor Executivo – não creditado) /Elenco: Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Tony Moran, Chalres Cyphers

Dizem que o “slasher” moderno nasceu com “Halloween” e isso não é bem verdade. Outros filmes com a estrutura do slash já foram lançados antes dessa obra-prima de John Carpenter, só lembrar do “giallo” italiano. Mas se tem um filme que renovou esse estilo de cinema foi o próprio “Halloween“, só lembrar das caralhadas de filmes que vieram depois nas formas de continuação como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Pânico. E até produções mais recentes como a trilogia “Presos no Gelo” que é norueguês.

Uma coisa legal de “Halloween“, ou melhor, do próprio Carpenter é que ele mesmo fez a famosa trilha do filme. Além de claro produzir, dirigir e escrever. Lembrando que ele fez o filme apenas com 325,000 dólares e gerou um lucro de 4 milhões. Como eles não tinham dinheiro para contratar um figurinista os atores tiveram que trazer a roupa de casa para atuar. E claro o famoso caso da mascara de Michael Myers que foi reaproveitada sobre o molde da cara de William Shatner. E também outra coisa legal são aquelas famosas regras de filmes de terror como “Nunca faça sexo“, “Não use drogas” e também “Nunca vá a um lugar escuro e diga já volto“, certeza que você vai morrer.

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Quem já leu outras críticas minhas que tem algum filme do John Carpenter, sabe que pago muito pau para ele. Principalmente com a sua direção precisa e esclarecedora, coisa que vemos muito em seus outros filmes como a “trilogia do apocalipse” que vemos aquela piração que o diretor consegue encher e dar um foco em cada personagem e também seu roteiro que é maravilhoso. Principalmente esses das décadas de 70 e 80. Um coisa que o filme ainda mais memorável é como ele consegue montar essa estrutura na sua quarta produção. Então podemos ver aquele lance do voyeur, cada detalhe que ele aproveita para dar um ar de perigo e tensão, só lembrar das cenas onde Michael está parado na frente da escola ou quando ele para na frente de beco e fica encarando a personagem principal. Todos esses elementos quando visto várias vezes, são coisas que você vai pescando e vendo a genialidade do diretor.

Uma coisa que queria deixar mais para o final é a presença de Jamie Lee Curtis em seu primeiro filme. Ela que é filha de Janet Leigh (A Marion Crane de Psicose) e Tony Curtis. E depois vai fazer mais um filme que é “A Bruma Assassina” e depois viver da fama de “Halloween“. Lembrando que ela fez a parte 2, uma pontinha na parte 3 e estrelou aquela continuação horrível nos anos 90 que “Halloween H:20“. Mas claro que nada é pior que as refilmagens do Rob Zombie.

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A história é do filme é bem envolvente. Tudo começa em 1963, na cidade Haddonfield, Illinois. Essa é a famosa cena do plano sequencia em primeira pessoa. Onde vamos testemunhando assassinatos e depois numa incrível sequencia descobrimos que quem estava matando era um garoto de apenas 6 anos. Assim ele é trancafiado num sanatório e 15 anos depois no dia do Halloween ele volta para a cidade. E logo começa a perseguir Laurie Strode (Curtis), uma colegial. Ela fica com medo recorrente do assassino, principalmente quando ele aparece na escola olhando para ela ou quando ela está em seu quarto e de sua janela ela o vê olhando para ele.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, a policia já sabe que Michael Myers voltou para a cidade e assim junto com o seu psiquiatra Dr. Sam Loomis (Donald Pleasence), eles vão até o cemitério e descobrem que a lápide de Judith Myers (a irmã) foi roubada, e assim mais para frente descobrimos que Laurie é na verdade sua irmã. Quando a noite chega e Laurie tem que ficar de baba e temos aquela mitologia do “bicho papão” e começamos ver o terror pelos olhos de uma criança, fica tudo muito foda e isso só combina com a frase do Dr. Sam Loomis quando ele fala para o xerife da cidade: O Terror chegou na sua cidade, xerife.

Acho as cenas de perseguição e aquele terror claustrofóbico que Carpenter constrói, simplesmente genial e ainda mais quando não sabemos na verdade o que é o assassino. Nas primeiras cenas suas ações são simplesmente enigmáticas e agora no final fica ainda pior. A analogia que o filme faz com família e etc. É bem legal mesmo, ou melhor, aquele maniqueísmo puro que esses filmes trazem com as suas regras. Principalmente quando de um lado temos a Lauire que não fura nenhuma regra do filme e suas amigas morrem uma por uma e do outro lado que é Michael que simplesmente é uma força de matar, ele só quer isso. Não sabemos sua motivação e não sabemos quase nada dele. O final que John Carpenter deixa para o filme é um claro ponto para a continuação da parte 2 que tem um começo de filme bem interessante.

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Gosto muito de “Halloween” e gosto tanto que assisti todas as sua sequencias e até aquele coisa dolorosa que foi a parte 6 e claro os “remakes” de Rob Zombie como eu disse. Bom a prova das continuações é como os estúdios conseguem ser mais cruéis que os próprios “serial-killers“. Mas a primeira parte que é o original é simplesmente fantástica e ainda tem aquele fôlego dos anos 70 do John Carpenter que empolga e deixa tudo mais gostoso de assistir. E ainda apresenta aquele vilão que ia ser marcado para sempre na cultura POP e influenciar tantos filmes fodas de “slasher’s” nos anos seguintes. Realmente um filme que merece ser apreciado várias e várias vezes e esquecer as continuações e “remakes“.

Nota:  5 Caveiras

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