O Mensageiro do Diabo (1955)

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1955 / EUA / P&B / 93 min / Direção: Charles Laughton / Roteiro: James Agree (baseado na obra de Davis Grubb) / Produção: Paul Gregory / Elenco: Robert Mitchum, Shelley Winters,  Lilian Gish, James Gleason, Evelyn Varden

Um filme como “O Mensageiro do Diabo” é uma obra interessante para analisarmos nos dias de hoje. Primeiro porque vemos um homem com um falso cinismo que usa a fé, ou melhor, o nome de Jesus em vão para promover sua ganância e alcançar seus objetivos. E onde vemos isso? A sim a banca do congresso.. Estamos cansado de ver como a bancada evangélica funciona e também como certos deputados usam o nome da fé para promover seus interesses próprios. O paralelo que esse filme nos trás para os dias de hoje é incrível.

Charles Laughton o diretor do filme soube conduzir com maestria essa produção que conta com nomes grandes como Robert Mitchum que fez um monte de filme foda como “El Dorado“, “Cabo do Medo” e o noir “Fuga do Passado“. Sem contar as atrizes Shelley Winters de “O Destino de Poseindon“, “Winchester 73” com James Stewart e sem contar a atriz do cinema mudo Lillian Gish que estrelou a maioria dos filmes de D.W. Grifth, mas destaco dois que foi o conturbador “O Nascimento de uma Nação” e “Intolerância“. Apesar de Charles Laughton ser um ator de teatro britânico, ganhou fama na America por ter ganho o Oscar de melhor ator por “Os Amores de Henrique VIII” e também ter estrelado filmes como “O Grande Motim“, “O Corcunda de Notre-Dame” , “Testemunha de Acusação“, “A Ilha das Almas Selvagens” e claro “Estalagem Maldita” de Alfred Hitchcock. O mais curioso que esse é o primeiro e único filme que ele vai dirigir.

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A fotografia do filme é uma coisa sensacional! E não é atoa já que temos Stanley Cortez que só fez coisa foda no currículo como “Paixões que Alucinam” do Samuel Fuller , “O Segredo da Porta Cerrada” de Fritz Lang e “Chinatown” do Roman Polaski. Falar de toda a produção de “O Mensageiro do Diabo” é deixar eu falar o dia todo, de uma filme sensacional e que tem um fala muito poderosa e é atemporal.

O filme começa quando duas crianças estão brincando e o pai delas chega com uma quantia de 10 mil dólares. O pai das crianças fez esse assalto para poder ajudar sua família, já que o filme se passa na época da grande depressão. O que mais para frente e dentro desse contexto vai ser importante para o encaminhamento da trama. Depois que o pai é preso e as crianças somem com o dinheiro e fazendo uma promessa para o pai de que nunca ia contar onde estava o dinheiro, ele é levado para a prisão onde conhece o “pastor” Harry Powell (Mitchum), dentro da cadeia ele diz para Powell como era a vida em sua fazenda. Tudo isso faz com que o pastor elabore seu próximo golpe. O interessante a partir dai é como o uso da fotografia é bem elaborada para mostrar como o perigo está vindo para aquele lugar.
Um dos grandes achados dessa produção são as crianças. Já que vemos tudo pelo ponto de vista delas. Quando o pastor entra em cena vemos que ele é primeiro apresentado como um monstro pelo uso da sombra, aquele pensamento infantil de ver tal pessoa como um “bicho-papão”. Billy Chapin que fez o menino John, talvez seja a melhor coisa no filme. A atuação dele é sensacional, o fato dele ver o pastor como ele realmente é também o fardo que ele carrega de ver o pai indo para a cadeia, junto com cuidar da mãe e da irmã. É algo que você vê o peso disso na cara dele. Simplesmente sensacional. Aos poucos vemos que o Powell começa a fazer sua teia, quando ele seduz Willa (Winters) para conseguir o dinheiro e aos poucos a verdadeira face do “Pastor” começa a ser revelada, até ao ponto de finalmente ele matar a mãe das crianças.

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O legal dentro da obra é o falso moralismo que as pessoas compram ao ver pessoas falando em nome de Deus e também como ela julga outras pessoas. Então todos entram dentro dessa roda e começam a ser donos da verdade. Aos poucos que vemos as coisas se desenrolar , torcemos mais que a fé seja revelada para que a mascara daquele falso pastor seja revelada. O interessante é quando os meninos fogem e vão parar numa fazenda e temos uma inversão de valores quando uma família não convencional adota as crianças. E aquilo que o pastor falava de “família tradicional” cai por terra. E quando finalmente ele acha as crianças, o seu falso moralismo cai e o baque vai ser duro. Porque como Powerll é um matador de viúvas , ele correu os E.U.A todo fazendo vitimas por causa do dinheiro. E essa sensação de enganação que ele faz com todo mundo vai custar caro. Então o que realmente as pessoas estão preocupadas não é a forma como o pastor fez eles de otários e sim ter caído no papo dele.

É engraçado como as coisas são contadas a tanto tempo e na verdade elas não mudam nunca. “O Mensageiro do Diabo” foi um fracasso de bilheteria e imagino o porque já que nos anos 50 e o auge da recuperação econômica dos E.U.A e ainda mais a promoção dos valores americanos, discutir a podridão e a corrupção da fé dentro de valores sagrados para os gringos como liberdade, pátria e etc. Deve ter sido um choque e tanto. Mas volto a repetir ao dizer que esse produção é uma reflexão para a sociedade dos dias de hoje e tudo que envolvemos desde julgamentos morais e claro a política. Quer maior uso do nome de Deus do que a câmara dos deputados, realmente uma obra maravilhosa mas uma pena que não temos tantas pessoas que não querem tirar esse véu que os cercam para enxergar a verdade de vários “MENSAGEIROS DO DIABO”.

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Nota:  5 Caveiras

Baixe o filme com  legenda aqui.

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