Alguém Me Vigia (1978)

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1978 / EUA / 96 min / Direção: John Carpenter / Roteiro: John Carpenter / Produção: Anna Cottle, Robert Kobritz, Warner Bros., NBC / Elenco: Lauren Hutton, David Birney, Adrienne Barbeau, Charles Cyphers, Grainger Hines, John Mahon

Os anos 70  e 80 foi um ano maravilhoso para o terror. Além de conhecermos filmes como “O Exorcista“, “Halloween” ou “Alien- O Oitavo Passageiro“. Abriu porta para grandes diretores, e um dele é claro John Carpenter. Que merece ser reconhecido como um mestre da sétima arte. Fazendo filmes simplesmente fodas como “O Enigma do Outro Mundo“, “A Bruma Assassina” ou até um que para mim é espetacular que é “Os Aventureiros do Bairro Perdido“, que é um misto bem legal da aventura com o terror e elementos místicos.

Mas “Alguém Me Vigia” que foi feito para a televisão, ou melhor, foi pensando para fazer no cinema, já que percebemos nisso no roteiro foi prejudicado pela ação do filme. Explico isso vendo a filmografia de Carpenter, a ação e o espaço são coisas fundamentais no cinema dele. Mas aqui, apesar de termos isso no qual sabiamente Carpenter trabalha com isso e transforma cada parte do apartamento, onde se passa a maioria das cenas em um elemento de tensão. É impossível você não assistir esse filme e não fazer uma comparação a “Janela Indiscreta” de Alfred Hitchcok.

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O problema é que como o filme foi pensado para a televisão e claramente vemos que o olhar do diretor é exclusivo para o cinema, toda hora temos a quebra da ação e assim “Alguém Me Vigia”, fica uma coisa monótona e com  um ritmo estranho que beira a “chatice” na verdade. Mas claro que estamos falando de John Carpenter, um diretor que não fica na normalidade, com o seu olhar único ele consegue tirar grandes momentos do filme. Mesmo com o seu orçamento claramente limitado. O gozado que o filme foi feito na época de “Halloween” onde mandaria ele de vez para o sucesso. Os momentos únicos do suspense e também como o diretor constrói cada peça do quebra cabeça é uma coisa sensacional.

A história como disse é bem parecida com “Janela Indiscreta“, claro que nas suas devidas proporções. Acompanhamos a história de Leigh Michaels (Lauren Hutton) uma mulher que se muda de Nova Iorque para Los Angeles. Carpenter sempre trabalhou com mulheres fortes, tirando claro quando ele trabalhava com Kurt Russel no qual participou das duas partes de “Fuga de Nova Iorque” e depois a de Los Angeles. A partir disso vemos que Leigh que é produtora de televisão, começa a se acomodar dentro da cidade. Mas ao mesmo tempo que estamos dentro do apartamento dela ficamos com uma sensação de insegurança. O cenário foi muito bem pensado, porque como vemos que o “plot” do filme todo se trata de um “stalker” que sempre persegue moças e as leva ao limite, como percebemos no começo do filme.

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Assim Leigh, trabalha e quando chega em casa recebe sempre presentes estranhos, cartas e telefones bizarros de madrugada. No começo ela acha que se trata de brincadeiras, mas quando a perseguição começa a ser levado para fora do apartamento ou seja aquelas coisas de cartas e presentes, viram perseguições mesmo ela começa a ficar paranoica. Assim aos poucos o filme vira um jogo de “gato e rato“. Mas como disse a quebra continua da ação deixa a produção arrastada, essa quebra continua da ação e Carpenter preparando o suspense toda hora, onde claramente vemos que vai demorar para ser revelado algo. Fica uma coisa previsível e boba de certa maneira.

Como tinha dito no começo, o que salva claramente a produção e o filme todo é dedo de Carpenter. Certamente ele teve uma parcela de controle na produção e assim vemos em momentos exatos onde ele pode jogar tudo na cara do espectador. Como na cena referencia “A Janela Indiscreta” onde Leigh invade o apartamento de um suspeito e vemos que Sophie (Adrienne Barbeau) a monitora de longe usando um “walk-talk” referencia clara a James Stewart e Grace Kelly. E também outra cena muito bem feita que é puro “hitchcockiano” é a cena onde Leigh finalmente confronta seu “stalker” é levada até a sacada do apartamento e uma briga se inicia lá, que novamente vemos a influencia do mestre do suspense que leva a filmes memoráveis como “Intriga Internacional” e “Um Corpo que Cai“, principalmente quando Carpenter faz um efeito muito foda que lembra aquelas vertigens do James Stewart.

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Em geral “Alguém Me Vigia” é um filme bom, que naquilo que está disposto consegue entregar. Mas claro que o suspense como elemento principal fica muito prejudico pelo claro baixo orçamento e também os atores não ajudam. Mas como tinha dito se não tivesse o dedo do John Carpenter tudo iria realmente para o brejo. Mas como um dos primeiros filmes de sua carreira é interessante fazer essa analise. Vale como titulo de curiosidade.

Nota: 

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Maniac Cop 2 – O Vingador (1990)

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1990 / EUA / 98 min / Direção: William Lustig / Roteiro: Larry Cohen  / Produção: Larry Cohen, Frank D’Alessio, Anthony De Felice, John Engel, David Hodgins / Elenco: Robert Z’Dar, Bruce Campbell, Robert Davi, Laurene Landon, Claudia Christian, Leo Rossi, Michael Lerner, Clarence Williams III, Charles Napier

Se tem uma coisa melhor que um filme “trash” são as suas continuações bizarras. Podemos citas várias produções que foram para esse caminho como “O Dentista“, “A Noite dos Mortos-Vivos“, “O Duende” e um exemplo mais recente o fenômeno “Sharknado“. Mas o legal das continuações, acho que mais para o “trash” obvio é que elas são fodas! E as vezes perolas do cinema. Lembrando de filmes que começaram num tom sério e depois esculacharam é só rever os trocentos filmes da “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”.

O diretor William Lustig já está acostumado a trabalhar com o “trash”, só olhar sua filmografia. Claro que podemos retirar dai o “Maniac Cop“, o primeiro de 1980. Quem não viu veja, ou melhor, leia porque ele tem a crítica aqui no Terror Mania, como também temos a resenha do primeiro filme do “Maniac Cop”. O roteiro e produção ainda continua com Larry Cohen que como já tinha dito fez obras fantásticas como “Nasce um Monstro“, “A Coisa” e o blaxploitationO Chefão do Harlem” de 1973. Mas o ponto é que a segunda parte foi tão boa que a crítica adorou a continuação. O suspense que aqui fica um pouco mais vago é muito bem colocado pelas cenas de ação.

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O filme começa quando termina o primeiro. Vemos a policial Teresa (Laurene Landon) entrando no armazém onde Jack (Bruce Campbell) é refém de Cordell (Robert Z’Dar) o policial doidão que está matando todo mundo. Assim depois que os dois conseguem parar Cordell, mas seu corpo nunca foi achado. A polícia tem dificuldades de acreditar neles. Então eles são suspensos e forçados a passar numa psicóloga. Ao mesmo tempo em que nosso policial maníaco favorito está vivo e matando agora os bonzinhos (se podemos colocar assim), ele ficou “putasso” porque a policia só quer tirar os deles da reta. Então Cordell que tacar o terror na cidade de Nova Iorque.

O legal é que personagens novos são apresentados e pouco a pouco os velhos são mortos. Primeiro foi Jack que é morto e depois Teresa numa cena foda, onde ela pega uma “serra elétrica” e vai para cima do policial e ele segura aquela “porra” com uma mão só!!!! E lembrando que na mesma cena está a psicóloga/policial Susan (Claudia Christian) é algemada e num carro e Cordell liga o carro e a mulher é arrastada. Achei essa parte sensacional. Aos poucos vemos que o roteiro de Cohen vai para um lado legal quando ele aborda a injustiça que Cordell sofreu e assim ele começa a matar os policiais. Claro que agora ele está mais parecido com o Jason do que antes. O diretor William Lustig não foca a cara dele, só vemos por meio de flashes que nesse ponto lembra Jason Vorhess.

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Outro ponto legal em “Maniac Cop 2” é como ele conta várias histórias. Principalmente quando vemos o “serial killer” Turkell (Leo Rossi) no qual ele fica amigo de Cordell, assim os dois começam a pensar em matar vários policiais e fazer um exercito de criminosos (Bem, por que não né?) Mas o legal é como as cenas de ação que são muito bem construídas cai no vigor da narrativa pontual e empolgante.

Tiro destaque para a cena final do filme, onde Cordell volta para a prisão onde ele supostamente foi morto e assim um prisioneiro joga um coquetel “molotov” nele. E ele sai caminhando calmamente para matar os prisioneiros. Apesar de tosca a maquiagem que fizeram para parecer um pouco com o nosso maníaco. A cena realmente ficou foda! Tipo muito bem feita mesmo. Eu amo muito os filme B e o trash, gore em geral. E se não fosse isso não teria criado esse blog dedicado a essa arte do cinema. Mas realmente enche os olhos quando você vê um filme tão foda como o “Maniac Cop 2”. Recomendo para todos e também assista a trilogia toda. Vai valer a pena!

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Nota: 

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Carrie, a Estranha (1976)

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1976 / EUA / 98 min / Direção: Brian De Palma / Roteiro: Lawrence D. Cohen (Baseado no livro de Stephen King)  / Produção: Paul Monash, Brian De Palma (não creditado), Louis A. Stroller (Produtor Associado) / Elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, Amy Irving, John Travolta

Muita coisa pode ser dita sobre esse filme de Brian DePalma, como sendo seu primeiro grande sucesso comercial e também ser um das melhores obras de Stephen King que foi adaptada. “Carrie” custou apenas “2.500 dólares” para ser adaptada e então ai veio o estouro para o sucesso. Rapidamente a “United Artist” recuperou o dinheiro do filme e em apenas 2 semanas de exibição o lucro do filme chegou a 33,8 milhões de dólares, lembrando que para 1976 isso era um fenômeno e ficou como um dos filmes mais lucrativos do ano.

Se analisarmos a carreira de DePalma, vemos que ele homenageia certos diretores. Via claro a cena de “Os Intocáveis” com o carrinho de bebe, que claro é uma referencia direta ao “Encouraçado Potenkin” do Eisenstein. Como em Carrie, onde ele demonstra todo seu amor a Alfred Hitchcock. Desda fotografia que lembra muito os filmes do mestre do suspense, até a trilha sonora que os acordes foram copiados descaradamente de “Psicose” , e também os lugares por onde os personagens passam que está escrito “Bates“.

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Mas sempre achei uma injuria meterem pau em Brian DePalma por fazer essas certas “homenagens” viver de homenagens não é para cada um quando bem trabalhadas. Visto claro por Woody Allen, um amante do cinema clássico e do europeu ou até nosso amigo Quentin Tarantino, que sempre homenageou ou até copiou quadro por quadro filmes trash, filmes b de kung-fu e etc. E isso deixa eles como diretores horríveis? Claro que não! Uma prova de como o diretor coloca sua marca no filme, é o crescente suspense que ele deixa em todas as cenas e também como DePalma trabalha muito bem com o terror ao mesmo tempo com a inocência e paixão em “Carrie – A Estranha“.

A história de Carrie, continua sendo atual até os dias de hoje. Principalmente quando tocamos em assuntos como religião, abusos e também o bullying. Algo muito discutido na sociedade de hoje. Uma das causas de Carrie ser o que é, talvez é tocar em assuntos como esses. Isso claro é uma coisa que o terror consegue tocar, em abordar esses temas bizarros, antes do drama que temos hoje em dia. A liberdade de expressão vinha por filmes que ninguem ligava. É só analisar filmes como “O Exorcista” que vemos uma mulher separada e dona do seu próprio negócio, “Invasores de Corpos” de 1979, onde o diretor Phillip Kaufman trata assuntos como a AIDS de um forma menos explicita. A forma como vemos a Carrie é por conta desses problemas que enfrentamos na sociedade de hoje em dia. O forte querer dominar o fraco.

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A história de Carrie (Sissy Spacek), mesmo para quem nunca assistiu ao filme, deve ter visto certas cenas. Como a famosa cena do banheiro. Mas antes o diretor nos apresenta nossa protagonista. Carrie está na aula de educação física e já vemos que ela é tímida e não se entrosa com ninguém. E quando vemos a “famosa cena do banheiro”, as coisas começam a se tornar mais complicadas. Primeiro porque Carrie está tomando banho e ela menstrua pela primeira vez. E ela não sabe o que é isso, então as meninas da sala começam a zuar com ela e a jogar absorventes, isso mostra o “bullying” agindo quando o mais fraco é acuado por um grupo e nisso quem comanda aquilo é a vilã do filme Nancy (Chris Hargensen). Aos poucos vemos que a vida da pobre Carrie é um inferno, primeiro por sofrer na escola por conta de algumas pessoas e depois na casa dela por conta da sua mãe que é uma religiosa fanática e também proíbe Carrie de fazer qualquer coisa e claro tem o discurso pronto dizendo que tudo é obra de satã! Tem coisa mais atual que isso?

Mas o ponto alto no filme são os poderes que Carrie acaba descobrindo, ao certo não sabemos de onde eles vem. E na verdade nem interessa, porque aos poucos sabemos que ela veio através de sua família e também pode ser por motivos religiosos. Não sabemos realmente e que deixa as coisas mais legais para pensarmos “pós-filme“. O curioso é que o filme tenta ser neutro em algumas questões e nos aproxima muito nos problemas pessoais da Carrie. Quando as meninas que são castigadas por terem zuado no vestiário são punidas a única que não aceita aquilo é Nancy que vai fazer uma vingança e também humilhar a pobre Carrie para valer. A única arrependida é Sue (Amy Irving) que começa a tratar bem a moça e empresta seu namorada para que ele vá ao baile com Carrie (realmente não vi muito sentindo nisso, mas né?)

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Tommy (William Katt) é um bom moço e quer fazer a vida de Carrie melhor e assim a convida para o baile. E assim temos a famosa cena do baile, onde o latão de sangue de porco cai sobre a moça e temos aquele caos instaurado na festa. Para mim um dos pontos altos em efeitos e também de cenas na história com cinema. Vemos a pobre moça mostrando todo o seu poder e assim, literalmente colocando para quebrar naquele lugar.

A história de Carrie, é um dos melhores contos da história do cinema. Cheio de subtextos, uma câmera feroz e ótimo elenco esse filme mostra porque veio e também porque íamos ter uma caralhada de obras do Stephen King sendo adaptadas nos anos que iam vir. Brian DePalma arrasa nessa obra e também mostra que fazer homenagens certas é fruto de coisas maravilhosas como o próprio “Carrie – A Estranha”.

Nota: 

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The Blackcoat’s Daughter (2015)

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2015 / E.U.A / 1h 33 min / Direção: Oz Perkins / Roteiro: Oz Perkins /Produção Chris Armogida, Bryan Bertino, Adrienne Biddle, Carissa Buffel, Sarah Deline, Arianne Fraser, Alphonse Ghossein, Kevin Matusow, Robert Menzies, Rob Paris / Elenco: Emma Roberts, Kiernan Shipka, Lauren Holly, Lucy Boynton, James Remar

Bom não é segredo para ninguém que uma das minhas maiores influencias para criar o Terror Mania, foi o site 101 Horror Movies. Adoro o site do Marcos Brolia! E uma das melhores coisas que o site produz é o “Horroview“. São dicas de filmes novos, e vi muita coisa nova por conta dos videos e também esse nova safra “indie horror movies“, se pode falar assim. Pela quantidade de filmes novos que sai de horror é bom ter que ajuda você a separar o joio do trigo.

Mas nessa jogada eu assisti ao filme “The Blackcoat’s Daughter” ou ” February” mas acredito que vocês encontrem o filme por esse dois nomes. Uma coisa curiosa é que ele é dirigido por Oz Perkins! Sim o filho de Antonhy Perkins, o nosso querido filhinho da mamãe Norman Bates. Oz escreve, produz e dirigi esse thriller, que toma de assalto pelo suspense que ele consegue se transformar e também como o filme consegue ser natural em alguns aspectos, como não precisar utilizar explicações para o espectador entender o que está acontecendo.

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Outra coisa que simplesmente é sensacional é a sua fotografia que fica por conta de Julie Kirkwood, confesso que só assisti um filme em que ela é diretora de foto, que é o desconhecido e maravilhoso “Hello I Must Be Going” de 2012. Um filme indie, totalmente desconhecido. Mas voltando a fotografia de “The Blackcoat’s Daughter” a escolha das cores frias combina muito com o cenário sombrio e também pelo tom de abandono das meninas que ficam no internato. E o legal que as cores quentes como o laranja e o vermelho, em todo momento coloca aquele perigo iminente. Coisa que já vimos em “O Iluminado” do Kubrick ou “O Sexto Sentindo” do Shyamalan.

A história é meio confusa no começo, deixando várias coisas jogadas o que é realmente uma aposta arriscada que o diretor coloca no filme, mas não consegue prender muito a atenção do publico. Aos poucos vamos percebendo algumas coisas como que a história se passa num internato católico e para meninas. E elas vão entrar em férias e no feriado apenas duas meninas ficam lá, uma que está esperando seus pais. Kiernan Shipka, a Sally de Mad Men. É legal ver uma atriz que você viu crescer praticamente e agora arrasa como atriz. Ela está simplesmente genial no filme. Outra atriz que compensa por sua beleza e também por uma representação over que cai como uma luva é Lucy Boynton. No meio disso tudo, a história se divide e vemos que temos uma outra garota que é Joan (Emma Roberts).

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Mas calma, essa confusão toda é explicada aos poucos e vemos isso se desenrolar muito bem ao longo do filme todo. Primeiro vemos que Kat (Shipka) é uma menina muito estranha em alguns aspectos. Ela sempre está sozinha o tempo todo e passa muito tempo com o padre da escola. E também numa apresentação que ela vai se apresentar os pais dela faltam, aos poucos vemos coisas erradas. Numa cena onde Kat está com Rose (Boynton)  no escritório do diretor. As duas ficam na escola, Kat porque seus pais se atrasam para pegar ela e Rose que decide ficar para resolver algumas coisas, que mais para frente sabemos que ela está grávida. Na verdade já sabemos pelo conteúdo da conversa que vemos ela com as amigas quando a personagem é apresentada. Na verdade nenhum mistério. O legal é como as coisas se invertem ao longo do filme. A Rose começa a ser a protagonista do filme e Kat a menina misteriosa simplesmente some aos poucos na produção.

Enquanto isso o Joan (Roberts) é uma guria que descobrimos que ela foge de um hospital e tem um passado estranho que sabemos por “flash-backs“.  A história começa a ficar mais envolvente dentro da escola na verdade e quando vemos que coisas estranhas acontecem com Kat e a sua fisionomia começa a ficar pesada e todo o ambiente fica estranho, uma mudança de ares pesados e claro que a direção de Oz Perkins e a excelente fotografia de Julie Kirkwood colabora para o crescimento do suspense e desse thriller, simplesmente genial. A fotografia certeira e também a ótima atuação das atrizes deixa “The Blackcoat’s Daughter” num “top 10” de melhores filmes do ano fácil!

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Claro que não vou contar o filme todo, principalmente com seu final arrebatador e as descobertas que fazemos ao longo da história. Mas é para roer as unhas e também se ligar nas mensagens que o filme da, principalmente no seu final no qual tive que voltar umas duas vezes para entende-lo. Um bom filme que merece ser visto e entendido, apesar de suas pequenas escorregadas de roteiro.

Nota: 

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O Caseiro (2016)

 

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2016 / Brasil / 88 min / Direção: Julio Santi / Roteiro: Felipe Santi , Julio Santi , João Segall /Produção: Rita Buzzar , Marcio F. de Oliveira , Vinicio Espinosa , Bruno Garcia , Ricardo Mello , Julio Santi , João Segall / Elenco: Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg, Bruno Garcia, Malu Rodrigues

Quem disse que não tem terror no cinema nacional? Tem sim meus amiguinhos! Essa semana chega aos cinemas o filme “O Caseiro”.

Com um roteiro escrito a seis mãos por Julio Santi, Felipe Santi e João Segall, a trama acompanha a  história de Davi (interpretado pelo ator Bruno Garcia, que além de atuar também investiu na produção do filme) um cético professor de psicologia famoso por escrever um livro que explica aparições sobrenaturais através da psicanálise.  Até que um dia, após anos sem atender pacientes, ele é procurado por uma de suas alunas, Renata. Ela vive com o pai (Leopoldo Pacheco) sua tia (Denise Weinberg) e suas irmãs em uma chácara a beira do lago e desconfia que o comportamento estranho de sua irmã mais nova, Júlia, tenha relação com a morte do antigo caseiro da propriedade, que se suicidou. Vislumbrando a possibilidade de escrever um novo livro e comprovar sua tese mais uma vez, Davi, apesar de relutante, resolve investigar o caso sem nem imaginar as provações que o aguardavam.

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Rodado em Jarinu, no interior de São Paulo, e na capital paulista, em 2015 o longa metragem é o segundo do jovem diretor Julio Santi e vem chamando a atenção não só pela qualidade da produção como também pela coragem de apostar em uma história sobrenatural, algo tão pouco explorado nas produções brasileiras.

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Durante a coletiva que rolou semana passada em São Paulo, o roteirista Felipe Santi e a Produtora Rita Buzzar (“Olga“) explicaram que a intenção aqui não era trazer algo novo pro gênero e sim trazer esse gênero pro grande circuito, contar uma história semelhante a tantas outras já vistas no terror “hollywoodiano” só que dentro da nossa realidade. E bem, é exatamente isso que vemos! “O Caseiro” realmente consegue mesclar pontos importantes da nossa cultura a elementos  universais dos quais estamos acostumados, como aquela fotografia soturna, aquele jogo de luzes, aquela trilha cheia de tensão, a casa amaldiçoada, a criança que vê gente morta, até o jeito que os personagens conversam, enfim,  todo aquele “clichezão”, mas é o nosso “clichezão” sabe? É um filme de terror com um orçamento abaixo da média, feito aqui no Brasil, que não deixa a dever em nada pras produções lá de fora. E pra completar a história é muito bem construída, com uma trama que é capaz de prender e surpreender do começo ao fim.

“O Caseiro” chega aos cinemas dia 23 de junho e vale a pena conferir essa de perto!

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Nota: 

Crítica escrita pela Dany B aquela que grava o Locadora do Trash!!!

Seis Mulheres para o Assassino (1964)

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1964 / Itália, França, Mônaco / 88 min / Direção: Mario Bava / Roteiro: Marcello Fondato /Produção: Alfredo Mirabile, Massimo Patrizi / Elenco: Cameron Mitchell, Eva Bartok, Thomas Reiner, Ariana Gorini, Dante DiPaolo, Mary Arden

Confesso que sei pouco sobre o maestro Mario Bava, mas foi graças aos box da Versátil comecei a me aproximar dos filmes dele. Consegui “Arte de Mario Bava“, os títulos que viam com os filmes dele “Obras Primas do Terror” e agora os filmes de “Giallo” que eles lançaram. Bom já digo que eles não me patrocinam! O que é uma pena … Queria tanto… Mas realmente eles fazem um trabalho de qualidade com os produtos deles e temos a chance de conhecer essas obras que infelizmente são desconhecidas.

Mas foi graças também a gravação do primeiro  TerrorCast do Bava que comecei a me interessar por seus filmes. A temática do “giallo” que esse filme acompanha, já tinha noção e assistia e muito os filmes do Dario Argento. Mas te digo que realmente Mario Bava é rei. Cada filme foda que ele dirige, a paleta de cores em seus filmes é incrível e também os enquadramentos é uma coisa linda. Em “Seis Mulheres para o Assassino” acho que ele atinge o ápice com a sua direção e posicionamento de câmeras, que lembrou e muito ” Um Corpo que Cai” do Hitchcock. Principalmente quando vemos que ele conversa com a trama usando a câmera. Coisa que Hitchcock é campeão em fazer em seus filmes, visto por “Psicose“, “Intriga Internacional” e os mais explícitos dentro desse conceito que é “Festim Diabólico” e “A Sombra de uma Duvida“.

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O interessante em “Seis Mulheres para o Assassino“, é a forma como Bava conduz a trama. Vemos as coisas de um modo natural, pessoas sendo assassinadas sem interferência de ninguém. No caso a policia não segue uma linha de raciocino para pegar o assassino, mas se você pensar como o filme dialoga nos primeiros minutos você consegue chegar em alguns suspeitos. No caso dois suspeitos, e fica obvio que o assassino é um homem e uma mulher! Mas quem séria? Isso o maestro não revela.  E a maior prova de como ele nos coloca como meros espectadores e não como detetives é a forma como ele entrega seu final. Coisa que os filmes  de Dario Argento faz por exemplo, onde você consegue pistas e ajuda ou é o detetive a solucionar o caso, mas nessa produção de Bava você é simplesmente a testemunha ocular dos fatos.

O filme se passa em Roma, onde num importante ateliê de moda da cidade, varias coisas acontecem. E assim as pessoas começam a ficar paranoicas principalmente quando uma modelo morre e nisso se revela o lado escuro daquele lugar. Principalmente quando temos drogas, traições, segredos e etc. Assim de um jeito único Bava nos confunde em querer passar no que o assassino está interessando em fazer mesmo. Mas quando um diário é descoberto com todos os segredos das pessoas as coisas se complicam. E um por um as mulheres que estão sendo citadas, ou melhor, fazem parte do ateliê são mortas. O assassino é um dos mais criativos, ele lembra o personagem que quadrinhos da DC o “Questão“. Assim ele não tem um rosto e o uso de suas roupas que cobrem todo o corpo, dificulta sabermos se é homem ou mulher. Mas lembrando o que eu disse, se você prestar atenção no que a câmera está dizendo você mata essa “questão”.

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O giallo de Bava é o mais clássico possível desde as mortes que são várias, como afogamento, queimadura, asfixia e etc. Realmente ele capricha nesse ponto, até no momento das reviravoltas. O giallo tem esses problemas na minha opinião, sempre na conclusão vemos que o problemas do assassino é o mais idiota possível.

“Seis Mulheres para o Assassino” é um excelente filme para quem quiser começar a se aventurar nesse mundo do giallo, porque quem tem condições de comprar o box dos filmes “Giallo” não vai se arrepender, alias, é necessário que se compre uma pedida boa para  quem é fã de terror ou simplesmente um entusiasta do cinema em geral. Só tem clássicos do gênero e com certeza vão se apaixonar por esse famoso gênero italiano.

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Nota: 

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O Mensageiro do Diabo (1955)

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1955 / EUA / P&B / 93 min / Direção: Charles Laughton / Roteiro: James Agree (baseado na obra de Davis Grubb) / Produção: Paul Gregory / Elenco: Robert Mitchum, Shelley Winters,  Lilian Gish, James Gleason, Evelyn Varden

Um filme como “O Mensageiro do Diabo” é uma obra interessante para analisarmos nos dias de hoje. Primeiro porque vemos um homem com um falso cinismo que usa a fé, ou melhor, o nome de Jesus em vão para promover sua ganância e alcançar seus objetivos. E onde vemos isso? A sim a banca do congresso.. Estamos cansado de ver como a bancada evangélica funciona e também como certos deputados usam o nome da fé para promover seus interesses próprios. O paralelo que esse filme nos trás para os dias de hoje é incrível.

Charles Laughton o diretor do filme soube conduzir com maestria essa produção que conta com nomes grandes como Robert Mitchum que fez um monte de filme foda como “El Dorado“, “Cabo do Medo” e o noir “Fuga do Passado“. Sem contar as atrizes Shelley Winters de “O Destino de Poseindon“, “Winchester 73” com James Stewart e sem contar a atriz do cinema mudo Lillian Gish que estrelou a maioria dos filmes de D.W. Grifth, mas destaco dois que foi o conturbador “O Nascimento de uma Nação” e “Intolerância“. Apesar de Charles Laughton ser um ator de teatro britânico, ganhou fama na America por ter ganho o Oscar de melhor ator por “Os Amores de Henrique VIII” e também ter estrelado filmes como “O Grande Motim“, “O Corcunda de Notre-Dame” , “Testemunha de Acusação“, “A Ilha das Almas Selvagens” e claro “Estalagem Maldita” de Alfred Hitchcock. O mais curioso que esse é o primeiro e único filme que ele vai dirigir.

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A fotografia do filme é uma coisa sensacional! E não é atoa já que temos Stanley Cortez que só fez coisa foda no currículo como “Paixões que Alucinam” do Samuel Fuller , “O Segredo da Porta Cerrada” de Fritz Lang e “Chinatown” do Roman Polaski. Falar de toda a produção de “O Mensageiro do Diabo” é deixar eu falar o dia todo, de uma filme sensacional e que tem um fala muito poderosa e é atemporal.

O filme começa quando duas crianças estão brincando e o pai delas chega com uma quantia de 10 mil dólares. O pai das crianças fez esse assalto para poder ajudar sua família, já que o filme se passa na época da grande depressão. O que mais para frente e dentro desse contexto vai ser importante para o encaminhamento da trama. Depois que o pai é preso e as crianças somem com o dinheiro e fazendo uma promessa para o pai de que nunca ia contar onde estava o dinheiro, ele é levado para a prisão onde conhece o “pastor” Harry Powell (Mitchum), dentro da cadeia ele diz para Powell como era a vida em sua fazenda. Tudo isso faz com que o pastor elabore seu próximo golpe. O interessante a partir dai é como o uso da fotografia é bem elaborada para mostrar como o perigo está vindo para aquele lugar.
Um dos grandes achados dessa produção são as crianças. Já que vemos tudo pelo ponto de vista delas. Quando o pastor entra em cena vemos que ele é primeiro apresentado como um monstro pelo uso da sombra, aquele pensamento infantil de ver tal pessoa como um “bicho-papão”. Billy Chapin que fez o menino John, talvez seja a melhor coisa no filme. A atuação dele é sensacional, o fato dele ver o pastor como ele realmente é também o fardo que ele carrega de ver o pai indo para a cadeia, junto com cuidar da mãe e da irmã. É algo que você vê o peso disso na cara dele. Simplesmente sensacional. Aos poucos vemos que o Powell começa a fazer sua teia, quando ele seduz Willa (Winters) para conseguir o dinheiro e aos poucos a verdadeira face do “Pastor” começa a ser revelada, até ao ponto de finalmente ele matar a mãe das crianças.

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O legal dentro da obra é o falso moralismo que as pessoas compram ao ver pessoas falando em nome de Deus e também como ela julga outras pessoas. Então todos entram dentro dessa roda e começam a ser donos da verdade. Aos poucos que vemos as coisas se desenrolar , torcemos mais que a fé seja revelada para que a mascara daquele falso pastor seja revelada. O interessante é quando os meninos fogem e vão parar numa fazenda e temos uma inversão de valores quando uma família não convencional adota as crianças. E aquilo que o pastor falava de “família tradicional” cai por terra. E quando finalmente ele acha as crianças, o seu falso moralismo cai e o baque vai ser duro. Porque como Powerll é um matador de viúvas , ele correu os E.U.A todo fazendo vitimas por causa do dinheiro. E essa sensação de enganação que ele faz com todo mundo vai custar caro. Então o que realmente as pessoas estão preocupadas não é a forma como o pastor fez eles de otários e sim ter caído no papo dele.

É engraçado como as coisas são contadas a tanto tempo e na verdade elas não mudam nunca. “O Mensageiro do Diabo” foi um fracasso de bilheteria e imagino o porque já que nos anos 50 e o auge da recuperação econômica dos E.U.A e ainda mais a promoção dos valores americanos, discutir a podridão e a corrupção da fé dentro de valores sagrados para os gringos como liberdade, pátria e etc. Deve ter sido um choque e tanto. Mas volto a repetir ao dizer que esse produção é uma reflexão para a sociedade dos dias de hoje e tudo que envolvemos desde julgamentos morais e claro a política. Quer maior uso do nome de Deus do que a câmara dos deputados, realmente uma obra maravilhosa mas uma pena que não temos tantas pessoas que não querem tirar esse véu que os cercam para enxergar a verdade de vários “MENSAGEIROS DO DIABO”.

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Nota:  5 Caveiras

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