O Cemitério Maldito (1989)

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1989 / EUA / 103 min / Direção: Mary Lambert / Roteiro: Stephen King (baseado em seu livro) / Produção: Richard P. Rubinstein; Mitchell Galin (Co-produtor); Ralph S. Singleton (Produtor Associado); Tim Zinnermann (Produtor Executivo) / Elenco: Dale Midkiff, Denise Crosby, Fred Gwyne, Brad Greenquist, Miko Hughes

Lembro quando eu via a capa assustadora de “Cemitério Maldito” nas locadoras. Aquele VHS sinistro com uma criança e um bisturi em mãos. Simplesmente era apavorador para uma criança de 10 anos. Mas lembro bem que a primeira vez que eu assisti ao filme, foi por causa dos “Ramones“. Sabia que eles tinham um música que fazia muito sucesso que se chamava “Pet Semetary“. Mas será que era por conta do filme? E fiquei bobo quando descobri que era sim! E quando finalmente aluguei o DVD agora em 2003. Grata foi a surpresa que o filme não se tratava de um horror total e sim um puta de um drama.

Quem escreve o roteiro é o próprio Stephen King. Sabemos que ele é velho de guerra em escrever seus próprios roteiros por conta da treta que teve com o Stanley Kubrick. Mas nesse filme ele teve aquela velha coisa que também estamos acostumado em seus livros. No começo temos um grande suspense que vai crescendo e tal, mas dai ele se perde em seu final. Claro que não é todo livro ou filme que acontece isso como o próprio “O Nevoeiro” que é um final desesperador e muito foda. Ou próprio “A Hora do Lobisomem” que já tinha dito aqui no blog.

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A direção fica por conta de Mary Lambert. Acho que a escolha de colocar uma mulher na direção foi acertada, porque ela soube colocar em cheio algumas situações e deixar em detalhe alguns sentimentos que não ficam explícitos. E essa carga dramática que a produção carrega, ao falar de perdas e também escolhas, ficou muito bem resolvida. O que se perde e muito é o terceiro ato onde tudo fica muito corrido e temos uma tentativa de levar o filme para uma escolha pífia para um terror mais escachado que não fica legal com o que estávamos vendo nos outros atos.

Tudo começa quando vemos uma família se mudando para a beira de estrada. O doutor Louis (Dale Midkiff) é o novo médico da faculdade local e assim sua família vai para esse lugar. Acho já errado você ter crianças pequenas e morar num local aberto onde facilmente crianças podem correr para estrada. Mas quem sou eu para julgar né? Rachel (Denise Crosby) é sua mulher e junto temos a filha do casal Ellie (Blaze Berdahl) e Cage (Blaze Berdahl), as crianças dão um show de interpretação. E claro para completar como todo filme dos anos 80, precisamos do velho que explica os perigos da região. Essa parte ficou com Jud que é interpretado por Fred Gwynne, o Hermann de “A Família Monstro”, que da um show de atuação também.

O legal do filme é como vemos as coisas acontecerem com a família e como eles se relacionam ao falar de coisas como a morte ou também recomeço. E King gosta muito de falar de segredos em seus filmes. E temos isso com Ellie, quando ela conta de sua irmã que tinha problemas de saúde e assim foi um alivio para ela morrer. Esses segredos e também o não enfrentamento de certos assuntos é o que vai levar essa família para a ruína. Aos poucos vemos que a região também tem seus segredos. Quando Jud leva a família Creed para um passeio, eles conhecem o cemitério de animais. A palavra “Semetary” está escrita errada e percebemos que foi crianças que escreveu essa palavra. Achei legal essa parte porque vemos um enfreamento que passamos ao lidar com a morte e aceitação que nada é para sempre.

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Temos uma passagem de tempo no filme e logo a família vai se acostumando ao local onde moram. Assim quando Ellie e as crianças vão passar o dia de ação de graças com os pais dela. Louis decide ficar e numa manha Jud liga para ele e avisa que o gato de sua filha foi atropelado. Antes sabemos que a um perigo além do “cemitério de animais“, quando um fantasma que Louis tentou salvar em vida, volta e tenta ajudar ele dizendo para ele não ir no cemitério indígena. Mas claro que ele não houve isso e vai com Jud até o local e enterra o gato e assim o bicho volta.

Várias coisas acontecem e fazem que a sanidade do próprio Louis seja colocado em cheque, principalmente quando Cage é atropelado (olha o que disse sobre segurança) e assim ele decide enterrar o filho no “CEMITÉRIO MALDITO“. Mesmo quando Jud o alerta sobre esses perigos e ele diz que certas coisas é melhor “continuar morto” ele ignora e enterra o garoto. Mas aquilo não é o filho dele e sim um criatura do inferno? Um zumbi? realmente não sabemos. Quando finalmente chegamos na parte final, acontece o que disse o filme se perde e muito. O guri que volta dos mortos e vira uma maquina assassina fica estranho e também  a condução do filme fica muito fora da realidade proposta até ali. E assim ele mata o velho Jud, que é uma morte legal e depois sua mãe. E uma coisa que realmente não entendo é como uma criança de 6 anos consegue carregar uma mulher adulta até o sótão e fazer uma corda para enforcar ela. Essas coisas que podem parecer pequena, mas não são. Fodem e muito o filme e também o deixa como mais um filme bobo de terror.

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Cemitério Maldito tem seus erros e claro se perde muito no seu final bobo e infantil. Mas mesmo assim é uma puta de um filme, os primeiros atos do filme comprova isso e também a escolha do elenco que foi uma sacada muito importante para condução da trama e também sentirmos uma empatia pelo casal e as crianças realmente mandaram bem. King e Lambert mandaram bem em quase tudo no filme. E não é atoa que ele é um dos principais filmes que logo fazemos uma ligação quando falamos de Stephen King e Ramones. E isso engrandece e muito essa obra.

Nota: 

Baixe o filme com  legenda aqui.

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