Assassinato em Gosford Park (2001)

Gosford_Park_(2001)

2001 / ING / 82 min / Direção: Robert Altman / Roteiro: Julian Fellowes , Robert Altman e Bob Balaban / Produção: Robert Altman e Bob Balaban / Elenco: Maggie Smith, Ryan Philippe, Michael Gambon, Kristin Scott Thomas, Camilla Rutherford, Bob Balaban

Robert Altman talvez seja considerado um dos melhores diretores americanos de todos os tempos. E não é atoa; Com um alto grau impecável que apresenta em seus filmes. Ele influenciou também um dos melhores diretores dessa nova geração que é Paul Thomas Anderson, que fica bem claro essa referencia artística em sua obra prima que é “Magnólia”.

Assassinato em Gosford Park” que foi lançado em 2001 pode ter um titulo errado, já que ele se vende como um filme policial, parecendo bem alguma obra de “Agatha Cristie”, no contexto de que sempre no final do livro ela nos surpreende e nos tira da linha de raciocino que tínhamos montado ao longo do livro todo. Com a ideia e produção de Altman com ajuda de Bob Balaban (Simplesmente Alice, Desconstruindo Harry e Moonrise Kingdon), o filme é na verdade um drama muito bem resolvido em si. É incrível como Altman usa os planos para construir os detalhes do filme, além de planos sequências e os planos detalhes, ele usa o espaço do cenário para construir uma ideia de insegurança e medo.

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O filme é todo focado na aristocracia inglesa dos anos 30, antes do começo da segunda guerra mundial. Num final de semana um rico dono de empresas chama alguns amigos para caçar em sua mansão no interior. Aos poucos quando os hospedes vão chegando e seus criados também, se têm uma separação de classes. É bacana como ele mostra que na parte da “criadagem” temos mais histórias, personagens mais desenvolvidos e mais ação também, do que na parte da alta sociedade, onde tudo era escondido e o rigor e os bons modos os impediam de cometer certos deslizes na vida.

Com um elenco quase todo inglês, Altman aproveita isso para aplicar os conceitos de comportamento da época e também para mostrar o humor negro e o sarcasmo comum em séries e filmes ingleses.

William McCordle (Michael Gambon) o anfitrião, é o moinho daquilo tudo, ele que faz girar os principais interesses dos seus hospedes, seja pelo passado, presente ou o futuro. E quando ele convida seus “amigos” para passar o final de semana naquela pequena sociedade, ela é apresentada com máscaras, ou melhor, camadas e nas intimidades deles, eles vão se revelando a verdadeira “persona” de cada um, até o desfecho final que é a morte de William. Mas como eu disse isso não é o importante na trama. O filme pode ter sido vendido assim, mas ele é mais profundo do que um simples jogo de detetives. Visto pela cena em que o detetive Thompson (Stephen Fry) investiga e abordam alguns suspeitos, as cenas são cômicas e quase sem importância para a cena, porque o que queremos ver na verdade são as relações daquelas pessoas e até os motivos, apesar de que Altman já nos apresenta nos primeiros minutos do filme tudo que queremos saber.

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Outra coisa que é genial no filme e enriquece ainda mais a trama é que sempre que vemos ou testemunhamos alguma coisa, sempre estamos na companhia de alguém, então não descobrimos nada sozinho. Quando citei que Altman cria um clima de medo e mistério no cenário, é quando vamos para parte de baixo da casa onde fica os empregados e ação é divida, ele constrói o mistério desde a primeira cena, de um mordomo que fica parado atrás de uma pilastra e ação continua e o vemos ainda parado lá e depois ele sai de cena de uma forma suspeita, ou como são apresentadas as armas do crime, quando a câmera faz um plano sequencia e passa perto de um veneno ele faz por várias vezes um plano detalhe e se segue a trama. E isso é apresentado em vários objetos como facas, armas e etc… Tudo que poderia a ser um motivo para o crime.

As tramas paralelas também são muito eficientes e divide o filme, de um lado temos os criados que tem como uma ação principal ser só os ouvidos da alta sociedade, já que eles não interferem em assuntos de cima. Helen Mirren interpretada a “chefa” das criadas uma mulher fria, sabe se posicionar naquele mundo e ao mesmo tempo fica em choque com a chegada de outro criado que é interpretado por Clive Owen. A história dos dois é um drama que vai crescendo até chegar num momento ideal em que é resolvido tudo, inclusive o verdadeiro motivo da morte de William. Já que ele foi envenenado e esfaqueado. A trama da sociedade é uma crítica a própria aristocracia, já o que influenciou a trama foi o dinheiro e o fato do filho de William o matar. Essa cena da revelação é numa cena muito bem detalhada e sutil, já que o pai ia parar de dar dinheiro para ele, então o diretor da algumas dicas e deixa para você interpretar o resto.

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A literatura é mais explicita no filme que vira uma linguagem polifônica, onde se tem um texto introduzido dentro de outro texto. “Assassinato em Gosford Park” é uma obra-prima do mistério querendo ou não, e até do drama já que ele consegue ser sutil e ao mesmo tempo revelador dentro de algumas cenas. Não cabe a nos decifrar o mistério já que Altman muda isso nos minutos finais do filme, somos apenas mais um quebra-cabeça dentro daquele mundo regrado, metódico e elitista. Somos os ouvidos daquela sociedade como os criados eram, um mistério que nunca vai se resolver ou chegar aos ouvidos da sociedade que prisma mais o conforto do que a verdade.

Nota: 

Baixe o filme com  legenda aqui.

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