Seres Rastejantes (2006)

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2006 / EUA, Canadá / 95 min / Direção: James Gunn / Roteiro: James Gunn / Produção:Paul Brooks, Eric Newman; Jeff Levine (Coprodutor); Jonathan Shore (Produtor Associado); Marc Abraham, Thomas A. Bliss, Scott Niemeyer, Norm Waitt (Produtores Executivos) /Elenco: Nathan Fillion, Gregg Henry, Elizabeth Banks, Michael Hooker, Tania Saulnier, Xantha Radley, Don Thompson

James Gunn é o diretor mais foda dos últimos tempos. Além de ter feito o melhor filme da Marvel que é “Guardiões da Galáxia” e também dirigiu “Super” que é um puta de um filme surtado. E trabalhou na “Troma” que é o melhor estúdio de todos os tempos. Lá ele desenvolveu seu ócio criativo e que o ajudou a escrever também filmes como “Madrugada dos Mortos” de 2004 e o “Seres Rastejantes“. Que é simplesmente maravilhoso.

Acho que a formação de Gunn no cinema deve ser a melhor possível. Alem de ter passado pela Troma, percebemos que ele viu e pegou as melhores influencias possíveis de vários filmes. A trama de “Seres Rastejantes” é basicamente igual a de “A Noite dos Arrepios” de 1986. Temos seres alienígenas que vem do espaço e tem a forma de larvas e assim tomam o corpo de humanos e fazem deles zumbis do mal. E claro percebemos várias homenagens a filmes como o próprio “A Hora do Pesadelo“. Além de “O Enigma do Outro Mundo“, “Basket Case“,” A Bolha Assassina” e em uma cena que uma mulher está assistindo “O Vingador Tóxico” na televisão.

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O roteiro é muito bem trabalhado e também os efeitos especiais que são muito bem trabalhados. Mas a direção de Gunn realmente arrasa, o elenco é muito bem escolhido e tem uma química que mista entre o gore e a comédia. Que é a marca do diretor em toda a sua filmografia.

Starla (Elizabeth Banks) é a mulher mais desejada da cidade. Ela vive na pequena cidade de Wheelsy onde as coisas estão realmente decadentes. Isso combina com o máximo da cidade que é abertura da caça aos cervos. Então algo ocorre. Depois que Starla rejeita seu marido Grant (Michael Rooker), ele sai pela vida pensando nas coisas e encontra uma mulher e quando os dois saem bêbados do bar e vão para a floresta, ele encontra o meteoro e dentro um bicho estranho. Quando ele cutuca a criatura, ela solta um inseto em Grant.
As coisas começam a mudar para ele. Primeiro seu apetite por carne aumenta bastante e também seu comportamento começa a ficar muito bizarro. O que deixa Starla preocupado. E quando ele começa a se transformar numa coisa bizarra, ela aciona a policia e sua antiga paixão aparece em cena. O xerife Bill (Nathan Fillion) que junto com os outros policiais que é a melhor força tarefa que já vi na vida começam a perseguir Grant. Que nessa altura se transformou num molusco dos infernos.

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Mas numa enrascada, a força policial acaba entrando num barracão e lá está a mulher que Grant pegou no bar. E se transformou numa bolha humana gorda. Quando ela “explode“, sim ela explode e sai vermes, ou melhor, SERES RASTEJANTES de dentro dela é que o pau começa. Os bichos entram pela boca das pessoas e viram zumbis louco por carne. E assim eles dominam a cidade toda. E cabe a Starla, Bill e Kylie (Tania Saulnier) livrar sua cidade dessas pestes.

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James Gunn trabalhou muito bem no filme e deixou ele descontraído e também divertido e uma puta homenagem ao terror em geral como ao “sci-fi” dos anos 50. Como “Vampiros de Alma“. Realmente ele é um excelente diretor e sabe muito bem o que faz. Não é atoa que ele está na frente na direção dos filmes da Marvel e também da Troma. Não esquecendo claro sua raízes no gore e no trash.

Nota: 

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As Sete Vampiras (1986)

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1986 / Brasil / 100 min / Direção: Ivan Cardoso / Roteiro: Rubens Francisco Luchetti /Produção: Antonio Avilez, Ivan Cardoso, Flávio Holanda, Cláudio Klabin, Mauro Taubman /Elenco: Andrea Beltrão, Tania Boscoli, Simone Carvalho, Ariel Coelho, Ivon Cury, Nuno Leal Maia, Lucélia Santos, Nicole Puzzi

O cinema de terror nacional hoje em dia é o melhor do mundo. Temos coisas maravilhosas como “A Noite do Chupa Cabra“, “Mangue Negro” e o mais recente “Fabulas Negras“. E claro o Zé do Caixão que é uma lenda viva e é um dos melhores cineastas vivos do mundo. Mas o cinema de horror brasileiro já ficou em baixa? E sim! Já ficou, quando algum cineastas e principalmente da Globo filmes tentam filmar algo é um deus nos acuda.

Em 1986 com o fim da ditadura militar no Brasil e com a ressaca da “pornochanchadaIvan Cardoso que fez obras-primas como “Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez“,”O Escorpião Escarlate”  e o mais recente “Um Lobisomem na Amazônia“. Cardoso sempre fez esse misto de terror, mistério e suspense com a comédia. Tanto ” O Escorpião Escarlate”  que brinca com os filmes “noir” e etc.. Como o o próprio “As Sete Vampiras” que invoca vários gêneros do cinema americano. Como o próprio “noir” e claro aquele terror clássico da época da Universal.

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O exagero que Ivan Cardoso coloca no filme é muito legal e realmente muito aproveitado. A história começa com ninguém menos que “TIÃO MACALÉ” o ícone da comédia nacional e quando um botânico, Frederico Rossi (Ariel Coelho) chega no porto do Rio de Janeiro pegando uma misteriosa planta. O legal é que o próprio Alfred Hitchcock  (de forma irônica, claro) e faz apresentação do filme, que é um referencia ao seu programa ” Alfred Hitchcock Apresenta“. Assim temos o começo do filme que vale até com a musica do começo de “Psicose“. Sim! O diretor usou a música Bernard Herrmann, se os direitos foram pagos isso é outra história.

Em uma ótima cena quando Frederico é morto pela planta, sua noiva Silvia Rossi (Nicole Puzzi) vai até o seu laboratório e ela também é atacada. Assim se passa um tempo e Silvia se afasta de todos os seus amigos. Mas quando o sócio do seu falecido noivo aparece e faz a proposta de dirigir a casa de espetáculo ela aceita e assim ela lança moda no Rio de Janeiro ao lançar o show “A Dança das Sete Vampiras“. Apresentação do espetáculo é muito foda, invoca elementos do “expressionismo alemão” e também lembra aqueles filmes clássicos mudo como o “Gabinete do Dr. Caligari“.Realmente o filme é muito legal. Porque além de ter esse entorno clássico do cinema, tem também aquele apelo popular do cinema nacional. Como os palavrões rasgados e os peitinhos que é uma marca do nosso cinema.

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Assim também começa assassinatos bizarros em todo o Rio de Janeiro, como as vitimas aparecerem sem sangue algum. A policia é acionada e ai começa a melhor parte do filme. O chefe de policia fica puto da vida porque de acordo com ele “a melhor policia do mundo” não está fazendo nada para pegar o assassino. Quando Rogério (John Herbert) sócio de Silvia é morto. A sua amante contrata o detetive Raimundo Marlou (Nuno Leal Maia) e sua assistente, Maria (Andréa Beltrão) para ficar de olho nela.

Assim aos poucos coisas estranhas vão acontecendo até que quase todo mundo é morto dentro da boate. Léo Jaime que faz o papel de Bob, o cantor da boate é quase morto e junto com Raimundo e Maria eles começam a perseguir o assassino. Essa mistureba de gêneros coloca em mão até o “slasher” clássico, ou melhor, o “giallo” com o assassino mascarado e esperto e tal. Quando todas as pistas vão para Silvia, temos a revelação que na verdade o assassino é Frederico que sobreviveu ao ataque da planta e agora caça pessoas para desenvolver um antídoto para sua noiva e para ele.

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“As Sete Vampiras” é um filme simplesmente genial e muito divertido e que consegue animar qualquer um. Ele é leve e mistura ótimos gêneros de terror num filme só e também uma comédia muito legal. Lembrando que o diretor Ivan Cardoso é um mestre no terrir. Ele se comprova com o seu filme anterior “O Segredo da Múmia” de 1982 que pega o gênero “pulp” e brinca com ele no cenário nacional. “As Sete Vampiras” é um filme excelente que merece ser visto e prestigiado como toda a filmografia de Ivan Cardoso e todo o terror nacional.

Nota: 

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Tokyo Gore Police (2008)

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2008 / Japão / 110 min / Direção: Yoshihiro Nishimura / Roteiro: Yoshihiro Nishimura, Kengo Kaji, Sayako Nakoshi / Produção: Satoshi Nakamura, Yoko Hayama, Yoshinori Chiba / Elenco Eihi Shiina, Itsuji Itao, Camille LaBry, Shōko Nakahara, Sayako Nakoshi

Nos últimos anos o Japão vem se destacando seu mercado para os filmes mais “zueira” com várias pitadas do gore, sexo e humor negro. Lembrando dos filmes Takashi Miike como “Audition“, “Ichi-The Killer” e a comédia musical “Happiness of the Katakuris“. Até os mais rasgados como “Zombie Ass“. Não importa os japoneses adoram fazer essa maluquices.

Mas “Tokyo Gore Police” trabalha sobre camadas. Gostei muito dos exageros do filme, mas para mim em particular deixou muito cansativo em várias partes. Mas claro que tirando isso o filme é muito bom. Voltando ao assunto “camadas“, ele pega o lance do “Robocop” do diretor Paul Venhover ao falar da polícia sendo privatizada. Assim a policia de Tóquio vive um estado de ditadura, fazendo o que querem sem se preocuparem com a justiça por esse abuso. Mas “Tokyo Gore Police” lembra “Robocop” em vários aspectos, tanto no lance da privatização da policia, como também a interferência da mídia na vida das pessoas, mas nesse caso o exagero e humor negro vai ao extremo.

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O diretor Yoshihiro Nishimura que escreveu, dirigiu e também fez os efeitos especiais do filme, adora fazer esses “torture porn” com temáticas mais loucas o possível. Seja por filmes como “Robô Gueisha“, “Mutant: Girl Squad” e por ter participado também do ambicioso “ABC da Morte“. Ele cria um universo próprio, no ” Tokyo Gore Police” a ironia é levada ao extremo ao vermos comerciais de materiais de suicídio “fofinhos” e também por mostrar execuções ao vivo.  Toda essa irreverência no filme é colocada em choque quando analisamos friamente o quanto distante estamos dessa realidade mesmo?

Mas voltando ao filme, temos uma policial Ruka (Eihi Shiina) que caça “engenheiros” uma espécie de mutantes que são psicopatas e matam qualquer pessoa por puro prazer. Assim é dever de Ruka deter a qualquer custo esses mutantes. Mas quando um novo vilão aparece que se mostra um “serial killer” de verdade, as coisas começam a ficar feias para o esquadrão privatizado da policia. Então Ruka vai atrás desse cara e acaba gravemente ferida e ela vira uma “engenheira” também.

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Aos poucos vemos aquele Tóquio utópica virar um caos e as coisas começam a perder o controle. Nesse ponto o caos também fica nítido no roteiro que não tem pé e nem cabeça e fica uma coisa chata e cansativa na verdade. Assim as coisas também pioram no ponto de vermos tudo indo para os ares quando o jogo vira. O assassino psicótico que Ruka está perseguindo revela que ela na verdade foi enganada esse tempo todo pelo seu chefe que depois da morte do seu pai a criou como uma filha.

Vemos o passado da nossa personagem por “flash-backs” mas isso não ajuda muito para explicar por ela se corta, temos uma rápida lembrança dela com a sua mãe e depois simplesmente some e não sabemos mais a verdade. Assim ela vai até o seu chefe. Devo dizer que o filme todo tem várias lutas bizarras e situações mais bizarras ainda, como o caso da primeira parte onde um cara tem a mão substituída por uma moto serra que gira, ou até uma mulher caracol que é uma espécie de prostitua mutante. E também o seu chefe que tem um bichinho de estimação que é uma mulher amputada.

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Quando Ruka se torna uma engenheira de vez, ela vai matando a rodo todos os policiais. Assim ela também acaba com o seu chefe, e nossa a cena da luta dela com o chefe é uma das coisas mais bizarras que já vi. Ruka corta as pernas dele e assim o sangue que sai vira um jato para ele a atacar. Realmente uma das coisas mais estranhas que já vi.

Mas o filme é bem interessante, vale a pena assistir e também ver todo aquele gore que é muito bem feito e bizarro. E sinceramente o Japão manda muito bem nesse gênero de filmes. Uma aula para outros filmes bizarros que tentam se levar a sério. É uma produção para assistir de qualquer jeito. Baixando, indo para o Japão, realmente não importa. Só assista!

Nota: 

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Preservation (2014)

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2014 / EUA / 90 min / Direção: Christopher Denham / Roteiro Christopher Denham / Produção: Jennifer Dubin e Cora Olson / Elenco: Wrenn Schmidt, Pablo Schreiber, Aaron Staton, Cody Saintgnue

Sabe aquele tipo de filme que é tão absurdo que você não sabe se gosta mesmo ou odeia. Bom “Preservation” fica nesse meio termo, o filme é muito bom. Mas as situações que o filme nos obriga a ver são tão absurdas que fica no meio termo. Não digo na ação do filme e sim no roteiro.

A situação foi engraçada quando assisti esse filme, estava numa sexta feira a noite depois da aula e estava caçando alguma coisa na netflix. E quando vi a capa do filme lá pensei  que era outra produção, mas estava tão cansado que comecei a ver o filme errado mesmo. Até meu pai que assisti qualquer coisa achou muito forçação de barra algumas cenas e principalmente seu final. Mas assistimos mesmo assim. A produção em alguns momentos me lembraram e muito “A Fortaleza”, sim é aquele filme que passava incansáveis vezes no SBT e assistimos todas as vezes porque era foda demais.

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Esse é o primeiro filme do diretor Christopher Denham que também escreveu e produziu. Ele é mais conhecido pelas atuações em “Argo“, “Acampamento do Inferno” e “A Ilha do Medo“. Em sua primeira produção o menino abusa do “thriller” e  do terror psicológico. Eu particularmente adoro filme onde a pessoa precisa correr para sobreviver e achar estratégias absurdas para poder realmente matar para viver. O roteiro tem um começo interessante, mas depois ele vai se perdendo em vários níveis até o seu final previsível e chato.

Tudo começa quando Mike (Aaron Staton) vai acampar com a sua esposa Wit (Wrenn Schmidt) e leva seu irmão o ex-fuzileiro Sean (Pablo Schreiber). Os três vão até um lugar isolado e proibido a entrada, até ai normal né? Quem não gosta de acampar num lugar abandonado. E apesar dos avisos e todo aquele clima estranho, eles continuam viagem. Tem uma cena muito foda onde eles passam por um parquinho e lá e numa casinha de criança tem um monte de sapatos abandonados lá dentro. Essa cena realmente ficou boa.

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Aos poucos percebemos que coisas estranhas acontecem em volta do acampamento do trio e também entre eles. E no dia seguinte o casal Mike e Wit amanhecem sem a barraca e equipamentos e com um “X” pintado na testa. Mike culpa seu irmão, mas Sean fica perturbado quando seu cachorro também foge. E assim as coisas sem complicam e o logo eles percebem que alguns maníacos estão fazem um jogo psicótico com eles. Confesso que as cenas de assassinato e as perseguições são fodas. Mas o clamor do diretor de se livrar dos dois homens e deixar só a mulher como protagonista é ridículo. Invés dele explorar a capacidade dos assassinos e menosprezar a mulher e ai serem surpreendidos por ela, simplesmente coloca os caras como dois idiotas e a mulher a única esperta do filme. Na minha opinião esse foi o maior erro do roteiro.

Assim temos as perseguições numa floresta e o mais bizarro é que os assassinos usam bicicletas e logo percebemos que não passam de adolescentes. E Wit passa o inferno na mão deles. Seu marido é morto se escondendo numa lata de lixo e Sean um soldado é facilmente morto. Aos poucos vemos o como a mulher é de ferro. E quando ela está pronta para fugir, ela decide se vingar dos garotos.  E um por um ela vai matando os pivetes. Um verdadeiro “Rambo” de saias.

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O que achei legal no filme é uma crítica indireta que o diretor faz aos pais e o controle que eles tem sobre seus filhos. Como na cena onde Wit está prestes a ser morta. Logo na cena final na verdade e um dos assassinos, o principal do grupinho, recebe um telefonema da mãe e quando vemos ele tirar a máscara é simplesmente uma criança. Tipo o que nossos filhos estão fazendo ou também o que estão consumindo. Achei legal essa reação com o filme e tal, um ponto interessante que o diretor deixou em aberto para conversas futuras.

Preservation” não é um filme bom, mas também não é ruim. Ele simplesmente tem seus erros e acertos. Um filme legal para assistir quando está cansado e quer ver algo para passar o tempo. Apesar de coisas obvias no roteiro como a “final girl” virar um soldado universal na meia hora final do filme. Mas mesmo assim é  produção legal e vale a pena assistir para ver qual é mesmo desse filme.

Nota: 

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A Bruxa (2016)

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2016 / EUA, Canadá / 90 min / Direção: Robert Eggers / Roteiro: Robert Eggers / Produção: Daniel Bekerman, Lars Knudsen, Jodi Redmond, Jay Van Hoy, Rodrigo Teixeira / Elenco Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw, Ellie Grainger, Lucas Dawson

Todos sabem do reboliço que “A Bruxa” trouxe nos últimos meses. Uns dizendo que era um dos melhores filmes de terror da última década, até Stephen King elogiou e muito o filme. Mas realmente o filme é tudo isso? Eu sou um daqueles infelizes que esperou o filme vir para a internet para eu poder assistir. E confesso que vi com uma emoção pura e esperando muito do filme. Claro que ele apresenta coisas boas e muitas até, mas a construção do seu roteiro é fraco e o esquema de deixar tudo para o terceiro ato, prejudicou muito o filme e o fez ficar cansativo.

O diretor “semi-estreante” Robert Eggers, escreveu e dirigiu o filme. Ele se baseou no folclore da “Nova Inglaterra” e não é atoa que o filme chama “The VVitch: A New-England Folkta“. Assim ele teve uma base legal para construir um mundo particular em seu roteiro, e realmente foi muito bem pesquisado todos os processos do filme. Desde a construção da casa, até o modo de vida e a escolha dos atores, todo aquele aspecto muito religioso que se tinha e claro o puritanismo que foi “desculpa” para os famosos casos de Salém e a queima das mulheres em fogueiras e etc. Mas estamos falando de 1630, uma família é expulsa de uma colônia na America e começam a morar numa clareira numa floresta. O motivo da expulsão não fica bem clara. E aos poucos coisas estranhas começam a acontecer naquele local.

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Acho que a produção deu certo por causa dos atores. A escolha do núcleo familiar dentro daquele universo foi muito bem construído. A mãe dominadora e o pai submisso. Temos um aspecto legal nesse sentido. E claro toda aquele misticismo em volta da religião que deixa todos cegos.

Thomasin (Anya Taylor-Joy) é a mais velha dos filhos e ela está tomando conta do bebe, quando ele misteriosamente some e assim as coisas começam a se complicar. Nessa cena também temos uma das primeiras cenas que mostram as bruxas. O legal é pensar o que são as bruxas? São mulheres de verdade ou só demônios. E se são mulheres como elas chegaram lá? Essa não explicação e o contexto de mistério deixa o filme mais empolgante. Mas o que deixa a desejar depois dessa cena de suspense, é que o ritmo do filme cai e muito e o filme se foca na vida da família. Talvez a intenção do diretor de mostrar o tédio de todos em relação ao lugar onde vivem, tenha sido exagerado demais.

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Outro ponto interessante são as crianças que atuam muito bem. Um dos destaques é Harvey Scrimshaw que interpreta o jovem Caleb. O garoto manda muito bem e digo que ele rouba unas 90% da cena quando aparece. Aos poucos que o filme vai adiantando e vemos o “mal” tomando conta daquele lugar o interesse no filme vai aumentando. Mas o diretor Robert Eggers opta por deixar a monotonia mais evidente que o ar de misticismo que ronda aquele lugar. E o que era para ser mais empolgante fica um tédio só.

Quando Thomasin é acusado de bruxa pela sua família. Vemos que na verdade quem fez um pacto com “pata rachada” foi os caçulas da família. E eles conversavam com o bode que se chama Phillip. As cenas onde o bode aparece são muito fodas, e principalmente na parte final onde a família toda vai a merda e a menina começa a conversar com o bode e ele responde e finalmente vemos que na verdade o bode era o demônio e ele faz um pacto com a menina e ela é levada a floresta junto as outras bruxas é muito bem realizada. O clima de terror, suspense e horror é comprovado e vemos uma ótima finalização de filme e também a justificativa do mistério e misticismo a cerca da família e etc.

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Ainda acho o diretor Robert Eggers muito esperto ao realizar uma obra complexa e inteligente dentro do que ele se propõe, mas sinceramente os ajustes no roteiro deveriam ser mais consciente e explorado mais o horror do que simplesmente esse terror psicológico que ele deixou para as cenas.”A Bruxa” não é um dos melhores filme desse ano. Colocando o que já vi, coloco fácil “Boneco do Mal” e “Cabana do Inferno” na frente dele. Mas é aquilo o jeito é o “hype” do filme passar para ver se ele vai sobreviver realmente.

Nota: 

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Boneco do Mal (2016)

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2016 / Reino Unido / 1h 37 min / Direção: William Brent Bell/ Roteiro Stacey Menear / Produção: Matt Berenson, David Kern, Roy Lee, Gary Lucchesi, John Powers Middleton, Tom Rosenberg, Jackie Shenoo, Adam Stone, Jim Wedaa / Elenco: Lauren Cohan, Rupert Evans, Ben Robson

Aposto que quem assistiu o trailer de “Boneco do Mal” achou uma bosta instantânea correto? Tudo bem porque eu também achei uma pedreira aquele trailer e aquela proposta do filme. O filme que teve uma ótima publicidade e virando pegadinha do Silvio Santos, foi ótimo. Mas uma coisa que tem e que me deixou muito interessado em assistir foi seu final. As primeiras críticas que saíram falaram de um “plot twist” então acabei vendo e realmente cumpri o que promete.

Na verdade somos enganados. O filme assume um suspense muito grande nas partes finais, mas volta a dar umas escorregadas no seu final. Claro que temos que ter uma suspensão de descrença com vários filmes e principalmente com terror. A áurea do filme se revela algo sobrenatural e bem legal até. O diretor William Brent Bell e a roteirista estreante Stacey Menear conseguiram manter aquele clima de terror psicológico e também em  saber se atriz está enlouquecendo acreditando que o boneco está vivo ou se ele realmente está vivo.

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No começamos não sabemos nada o que está acontecendo . A americana Greta (Lauren Cohan) chega a Inglaterra e já vai para o interior do país e lá ela recebe o emprego de baba de uma criança numa mansão bem dark. Mas quando ela conhece de quem ela vai tomar conta que é Brahms, um boneco que a família acredita que a alma do filho está dentro dele. Assim Greta recebe uma lista de fazeres para o boneco. No começo ela não acredita naquilo, mas aos poucos coisas esquisitas acontecem na casa e ai ela fica desesperada.

Quando Malcolm (Rupert Evans) que trabalha no mercado vá até a casa fazer suas entregas diárias ela explica para Greta o que aconteceu com o menino. Que na verdade ele morreu num acidente e tal.  Quando as investigações de Greta começam a ficar mais intensas, ela descobre segredos da família que mora naquela casa e que os pais de Brahms não são tão inocentes como eles dizem. E que na verdade o filho deles era um sociopata.

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Quando chegamos no final do filme é que as coisas ficam realmente interessantes. Principalmente que depois de um acidente envolvendo o boneco e ele se quebrando,a casa começa a tremer e realmente acreditamos que a alma da criança está presa lá dentro. Mas o “plot twist” acontece e se revela que na verdade Brahms está vivo e ele mora nas paredes da casa. Tudo foi arquitetado pelos seus pais para esconder o crime que ele fez quando criança.

O que escorregou foi tentar transformar Brahms num assassino de “slasher” clássico, ou seja, ser um Jason que nada para ele ou ter uma superforça. Essa lambança estragou seu final e claro outras coisas que você for analisar no filme já que sua proposta muda. Mas é o que falei, temos que ter uma suspensão da descrença quando se trata de filmes de terror.

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Mas achei legal a temática do filme. Seu segundo e terceiro ato são bem legais. O terror psicológico que ele apresenta no segundo ato é muito legal e também toda aquele proposta de você desacreditar da personagem também é muito legal. Boneco do Mal é aquele típico filme que você assiste pensando que é uma merda e o filme é muito bom. Realmente um dos melhores filmes até agora de terror.

Nota: 

A Lenda dos Sete Vampiros (1974)

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1974 / Reino Unido, Hong Kong / 83 min / Direção: Roy Ward Baker / Roteiro: Don Houghton / Produção: Don Houghton, Vee King Shaw, Run Run Shaw e Rumme Shaw (Produtores Executivos – não creditados) / Elenco: Peter Cushing, David Chiang, Julie Ege, Robin Stewart, Szu Shih, John Forbes-Robertson, Shen Chan

Se tem uma coisa que eu goste é artes marciais e o sobrenatural. E eis que a “Hammer” juntamente com o magnífico estúdio de Hong Kong “Shawn Brothers” fazem uma parceira e lançam essa maravilha. No começo dos anos 70 o lendário estúdio inglês estava com dificuldades de se manter e longe do auge dos anos 60 e dos seus clássicos filmes. Culpa pela nova onda do terror que começou, principalmente com os “slashers” e claro a estréia de “O Exorcista‘ nos cinemas. Assim eles começaram a apelar para todos os lados, seja pelo conteúdo sexual nas filmagens ou pelas inusitadas parcerias.

Mas apesar de seus exageros, o filme é muito legal. Longe de ser um clássico do terror e tal. Mas é uma comédia, ou melhor, um “terrir trash” muito bem produzido. Os efeitos são maneiros apesar de várias tosquices, e também temos a valorização das artes marciais que é foda para caralho os golpes e etc. Uma curiosidade é que esse filme é o único da Hammer que é não tem o Christopher Lee como “Drácula“.

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O filme começa na Transilvânia onde um monge chinês caminha a pé até o castelo do Conde, do príncipe dos mortos ou outras coisas que ele se auto- intitula. Assim ele pede para que Drácula ressuscite os sete vampiros dourados. Mas bobo que nada o vampiro se transforma no monge (coisa que não sabia que vampiro poderia fazer) e assim caminha também até a China. O legal também desse filme é como a produtora inglesa estava sofrendo no ocidente abriu o mercado para o oriente. Olha o imperialismo britânico novamente, mas dessa vez essa abertura foi muito bem elaborada. Já que desde aquela época os chineses tem um mercado cinematográfico enorme e bem produzido, o que não é diferente de hoje em dia. Assim o diretor Roy Ward Baker que fez “Os Vampiros Amantes” e o diretor chinês Cheh Chang que foi responsável pela coreográfica criaram essa obra-prima.

A produção toda se passa  na China e assim temos o professor Van Helsing (Peter Cushing) palestrando numa universidade de Hong Kong e lá ele fala das lendas da Transilvânia e sobre Drácula e também cita uma lenda chinesa dos “Sete Vampiros“.  Ninguém acredita no “veio” e assim ele volta para casa desacreditado, mas uma pessoa acredita que é o jovem mestre Hsi (David Chiang) No qual ele fala que no seu povoado é reinado por esses vampiros do mal e precisa da ajudar de Van Helsing para acabar com eles. E assim também conhecemos os irmãos de Hsi, no qual cada um é especializado em alguma arte marcial. Legal algumas coisas que o filme apresenta, principalmente nesse quesito. Mas tem coisas que pelo amor de deus, principalmente dos irmãos que são especialistas em espadas e o tempo todo ficam de mãos dadas lutando.

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Assim conhecemos também o fillho de Van Helsing, o jovem Leyland (Robin Stewart), com a ajuda de uma rica mulher eles fazem uma excursão até o vilarejo dos vampiros. No meio do caminho eles enfrentam gângster chineses e também a diversidade da língua. Mas Leyland que é malandro nem nada, arrasta asa para a chinesinha e da uns esfrega nela. Quando os vampiros percebem a presença dos desconhecidos é que o pau começa. As cenas de luta foram muito bem coreografadas e os vampiros sabem lutar “kung-fu” muito bem, é a porrada come solta.

Essa mistura de estilos na filmagem deixa as coisas muito bem feitas. Em alguns momentos temos a presença do gore e do horror, que deixa tudo muito melhor por assim dizer. Realmente foi uma parceria muito produtiva, apesar dos pesares e também a barreira da língua. Lembrando que temos outro filme que mistura artes- marciais e vampiros e não é “Blade” e sim o sensacional “Jesus Christ Vampire Hunter ” de 2001, onde temos nosso senhor em sua lambreta envenenada matando vampiros. É muito coisa boa numa vida só.

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Mas “A Lenda dos Sete Vampiros” é um filme muito foda e que merece ser visto e revisto. O próprio Drácula que é interpretado por John Forbes-Robertson que fez outros filmes de terror como o próprio “Os Vampiros Amantes“, “A Cripta dos Sonhos” ou até o clássico dos anos 80 “Força Sinistra” da um show de interpretação. Realmente esse filme é muito foda, ele da algumas escorregadas em seu roteiro mas não é nada que não tire sua genialidade e também toda sua coragem em ousar numa história curiosa assim.

Nota: 

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