O Dia da Besta (1995)

 

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1995 / Espanha / 103 min / Direção: Álex de la Iglesia / Roteiro: Jorge Guerricaechevarría e Álex de la Iglesia  / Produção: Claudio Gaeta, Fernando de Garcillán, Andrés Vicente Gómez, Carmen Martínez Rebé e Antonio Saura / Elenco: Álex Angulo, Armando De Razza, Santiago Segura, Terele Pávez, Nathalie Seseña e Maria Grazia Cucinotta

Demorei muito para ver “O Dia da Besta” do diretor espanhol Álex de la Iglesia, e caramba que filme foda. Tipo espetacular mesmo, eu sei de toda a aura que ele tem de cult dentro do cinema de horror. Mas nunca pensei que um filme tivesse tanta essa estigma como esse. Temos todos os elementos do terror e também a presença do terrir. O diretor já fez algumas obras que são muito marcantes dentro do território espanhol e também flerta com o terror que foi crescente nos anos 70, 80 e que ganhou um fôlego legal com a franquia do “REC” na Espanha. Mas dentro da sua filmografia confesso que só vi 2 filmes, um que foi o inglês “Enigmas de um Crime” que é bacana a estrutura do roteiro e da direção, mas seu final se perde muito e o outro que foi  “As Bruxas de Zugarramurdi” que inclusive está disponível na netflix.

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O filme começa com um professor e padre de teologia que está num convento e vai conversar com um amigo e fala que descobriu que o anti-cristo vai nascer na noite de natal em Madrid. E ele precisa de ajuda para impedir que isso aconteça. Esse “plot” é a chave para que o padre faça as coisas mais loucas, já que para ele encontrar o demônio, ele precisa pecar. Então o padre Cura (Álex Angulo) começa a cometer seus pecados que vai de roubar um caixinha de um mendigo a empurrar um mímico escada a baixo. Achei muito foda como o diretor conseguiu deixar o filme sombrio e engraçado ao mesmo tempo. Aquela Madrid que vemos na produção de la Iglesia é totalmente diferente da Madrid de Almodóvar por exemplo. Lá vemos um universo que lembra mais o “cyber punk” porque é tudo escuro, chove o tempo todo, as ruas são sujas e violentas. Parece São Paulo numa segunda feira.  Quando Cura anda pelas ruas de Madrid ele entra numa loja de discos, mais voltado para o Heavy Metal, e lá ele encontra José María (Santiago Segura), ele comanda essa loja e logo pega amizade com o padre, principalmente pelas suas idéias malucas e satanistas. Assim ele indica que o Padre vá até a pensão da mãe dele e se hospede.

O filme tem vários pontos, mas quero relatar as coisas que acontecem depois como um grupo de extermínio em Madrid. Achei atual pela fase que a Europa está passando e de certa maneira também esses crimes de ódio que presenciamos aqui no Brasil também. Mas a linha de pensamento do filme é espetacular porque em todo o momento vemos o Padre brincar com o sagrado e o profano e também a cena que ele tenta invocar o demônio. Com ajuda de um místico de televisão que lembra mais o Walter Mercado pela sua paspalhice, eles invocam o mochila de criança. O legal é como é feito o ritual, como eles necessitam de sangue de uma virgem o Padre Cura vai procurar na pensão da mãe de José Maria. E assim também começa outra excelente cena que usa o humor negro e o suspense para contar os detalhes.

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Quando comecei a crítica falando dos problemas atuais que o filme carrega e mesmo sendo de 1995. Digo isso com o xenofobismo e também com esse grupo de extermínio que está agindo no filme. Não sabemos o que eles vem é efeito das drogas que eles tomaram ou se tudo não passa de uma própria alucinação do padre. Essa mistura de jogo psicológico no final, ou melhor, no filme todo é bem sacado. Porque não sabemos se o padre está alucinando ou não.

Mas independente do seu final “aberto” o filme é muito bom, apresenta uma história muito bem sacada, seus personagens são marcantes para caramba e a ideia do anti-cristo nascer no dia de natal como uma blasfêmia a Deus achei muito foda. Álex de la Iglesia é um diretor muito foda e que admira o terror e fica visível nisso em seus filmes e também no “Dia da Besta” quando ele usa câmeras que lembra os filmes do Dario Argento, expressionismo alemão e etc. Ele merece ter sua filmografia vista e revista várias vezes. Um misto de Guilhermo del Toro com um Peter Jackson de começo de carreira. Mas claro que ele fica fiel a seu gênero e faz obras-primas e bem criativas e mostra como o terror espanhol ainda é bom pra caramba.

Nota:    

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