Seita Mortal (2011)

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2011 / EUA / 88 min / Direção: Kevin Smith / Roteiro: Kevin Smith / Produção: Jonathan Gordon / Elenco: Michael Parks, Melissa Leo, John Goodman, Michael Angarano, Nicholas Braun, Ronnie Connell, Kaylee DeFer, Joey Figueroa, Kyle Gallner, Anna Gunn, Matt Jones, John Lacy, Catherine McCord

Quem conhece o diretor de comédias Kevin Smith se lembra de filmes como “O Balconista”, ”Barrados no Shopping” e “Dogma”. Ele sempre foi um produtor, diretor, roteirista e ator, bem versátil. Assim como o seu publico ele é um grande nerd, que coleciona quadrinhos, joga videogames e tem boas idéias para as suas historias. Alguns bons anos atrás ele foi convidado para escrever algumas historias para o “Demolidor” da Marvel Comics. Em 1995 ele fez o excelente filme “Barrados no Shopping” que mostra ainda mais esse lado bem nerd. Mas que se perde em seus filmes seguintes como “Procura-se Amy” e “Pagando bem, que mal tem?”.

Mas em seus filmes nunca teve assuntos sérios, talvez “Dogma” que ele mexe com a igreja e retrata Deus como uma mulher e sinceramente foi genial! Até o humorista George Carlin que sempre ataca a igreja em suas comédias faz um padre meio louco, achei um excelente filme que faz uma critica para a sociedade que mantém sempre um padrão e tem a necessidade de rotular tudo.

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Em “Red State” que no Brasil se chama “Seita Mortal”, não conduz o que o filme fala. Na constituição Americana, uma das primeiras coisas que ela cita é da “livre liberdade de expressão” por isso que ainda existem cultos como a “klu Klux Klan” e algumas reuniões Neonazistas. E o aumento do ódio contra homossexuais, imigrantes, judeus e negros.

Sempre essa raiva vem de algum manifesto, seja de igrejas, lideres de cultos bizarros. Mas em red state fala justamente da bíblia e cultos de uma forma distorcida, eles usam as palavras de deus para matar e fazer uma lavagem cerebral nas crianças, que se pensando bem não é diferente do resto das religiões do mundo, que tentam oprimir e abusar de certas pessoas. Como o caso do padre americano que abusou de mais de 200 crianças surdas e foi encoberto pelo vaticano. E falando de opressão tem coisa pior do que esfregar sua religião na cara dos outros como entregar bíblias na frente de faculdades ou criar portais com as palavras “O Senhor Jesus é dono de tal cidade”, não respeitando se você é judeu, budista ou do candomblé. Padres são Nazistas de colarinhos e os católicos seus fies cães da SS.

No filme Michael Parks (Kill Bill, Um drink no inferno) vive o pastor Abin Cooper, dono de um culto ultra radical que tenta de todas as maneiras acabar com homossexuais, judeus, pervertidos e quase o resto da humanidade. Travis (Michael Angarano), Billy-Ray (Nicholas Braun) e Jarod (Kyle Gallner) são três amigos que como qualquer adolescente está com os hormônios à flor da pele. Jarod diz que conseguiu um esquema para os três transarem. Então Travis consegue o carro e vai com os amigos até a casa dessa mulher. Chegando a casa ela oferece cerveja para eles, mas são ludibriados e caem na armadilha do culto levados a igreja eles servem como sacrifícios para deus, o que achei interessante no roteiro é como Kevin Smith usou o velho testamento com o novo testamento, o culto de Abin pode ser visto como o deus do velho testamento; Um deus cruel, que se vinga das pessoas e as usa como bem quer sem perdão. A frase que Abin usa quando ele sacrifica a primeira pessoa é a seguinte “Deus é amor? Claro que não! Ele separa as pessoas, assim como ele separou as pessoas da família de Nóe. Deus não é uma pessoa compreensiva, ele é um ser vingador que as castiga, por isso é nosso dever levar elas para o fogo eterno”.

Essa lavagem cerebral que ele usa não é muito diferente novamente do resto das religiões, você pode usar a desculpa de qualquer coisa para manifestar o seu ódio.

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Mas a historia tem novamente uma reviravolta e passa a ser contada por um outro ponto de vista que sai do manifesto e livre expressão, para um grupo terrorista. E o protagonista da historia se torna Joseph Keenan (John Goodman), um agente especial do governo que investiga o culto de Abin a anos, e finalmente ele consegue algo concreto para poder prender eles. Se analisarmos bem a chegada da policia na historia podemos entender como sendo à chegada de “Deus” já que no começo do filme ele é citado como uma pessoa vingativa, esse deus vingativo não perdoa ninguém. E é isso que a policia faz. Joseph recebe ordens diretas de invadir o local e matar todos, eles sabem que a crianças lá dentro. Mas mesmo assim ordens são ordens e a invasão acontece, o grupo religioso que também pratica atos terroristas tem um arsenal com todos os tipos de armas e tem uma guerra contra a policia. Em todos os lados a perda,quando Abin e seu grupo fazem o sacrifício final que é tentar matar todos os policiais,e no meio do filme soa uma trombeta, a trombeta é um anuncio que o apocalipse está acontecendo o culto fica alegre e Abin acredita que deus vai levar eles para o reino dos céus.

E novamente é interessante como Kevin Smith brinca e fica no limite da razão, por alguns minutos você fica incomodado e pensa: “realmente o que o culto falou tem razão o apocalipse chegou!” e você é levado a pensar será que deus existe? Será que estou blasfemando mesmo? E se realmente existir alguma coisa mais poderosa do que a razão e a lógica? Mas Kevin Smith usa a ironia para dizer que aquilo não é de verdade, que uma simples torrada com a forma de Jesus, não quer dizer que aquilo é um milagre! Só quer dizer realmente que é uma torrada com a cara de Jesus.

A má fama de Kevin Smith se acaba nesse filme, apesar de que acho que essa má fama nunca existiu. Ele faz filmes legais, com roteiros simples, e com poucas variações de linguagem cinematográfica e uma fotografia simples. Mas é compensado com uma historia divertida e realmente engraçada.

Levo os leitores a reverem os filmes dele e deixar de lado esse olhar preconceituoso. Por que ás vezes nem todos os diretores querem ser os gênios da historia do cinema. Só relaxe e ria com os filmes dele. Por que falar de Star Wars, quadrinhos, sexo e drogas são mais divertidos por um olhar nerd, do que uma pessoa super culta e chata que pensa que todo o filme tem que ser uma revolução de frame por segundo.

Nota:   

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