O Massacre da Serra Elétrica (1974)

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1974/ EUA/ Direção: Tobe Hooper/Roteiro: Kim Henkel e Tobe Hooper  /Produtor: Kim Henkel, Tobe Hooper,Richard Saenz e Jay Parsley  /Elenco: Marilyn Burns, Gunnar Hansen, Edwin Neal, Jim Siedow.

Tenebroso, talvez essa seja a melhor palavra para definir este clássico absoluto. Cultuado até hoje pelos fãs como um dos mais vorazes e agressivos dentro da filmografia do terror. Baseado na chocante história do homicida norte-americano Edward Gein, o fazendeiro do estado de Wisconsin que construía móveis e roupas com restos de cadáveres.

Um grupo de jovens em visita a uma velha casa de família localizada no interior do Texas é atacado por uma família de assassinos. Naquele velho tema do passeio que se torna pesadelo, Tobe Hooper realizou uma produção quase independente rodada em 16 mm e narrou com baixo orçamento, mas de uma forma talentosa, esse pioneiro setentista. Na primeira metade ele prepara o clima, com muitas informações e suspense, e na segunda ele trata de jogar o espectador em um sufocante e claustrofóbico pesadelo.

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Hooper esbanja criatividade, a sequência da entrada com os flashes é genial, a sonoplastia e a montagem são perfeitas. A escura iluminação utilizada contribuiu para seu aspecto amador e realístico, nos aproximando ainda mais do clima agonizante presente na história. O ambiente passa da calorosa estrada texana para o interior da residência dos canibais, um cenário decorado no maior estilo grotesco, com ganchos de açougue, ossos de animais e cadáveres em decomposição. Vários elementos que compõem a cenografia foram recolhidos nos matadouros da região.

O longa nos brinda com personagens marcantes, como o maluco Hitchiker (Edwin Neal) que é o irmão caçula, o autoritário chefe da família, Old Man (Jim Siedow) e o lendário Leatherface (Gunnar Hansen) que veste um figurino que vai do avental de açougueiro a terno e gravata. Uma Cena bastante memorável é quando Old Man chuta Hitchiker na estrada de terra à noite e com o farol da caminhonete fazendo a luz contra.

Excelente do primeiro segundo ao ultimo, começa com uma assustadora narração que antecipa os acontecimentos, criando uma ambigüidade entre a realidade dos fatos e a ficção e encerra de forma majestosa sem muito sentimentalismo, com o vilão principal ainda vivo e bastante furioso. Como esquecer o jantar mais angustiante já filmado, com direito a plano detalhe até na bola do olho e a atriz Marilyn Burns se cortando de verdade para alimentar o patriarca canibal que está no limite entre a vida e a podridão.

Um filme tenso, totalmente perturbador, mais psicológico que sangrento esteticamente sujo e doentio, passaram-se quatro décadas e ele ainda se mantém atual sem perder sua ferocidade. Foi proibido em mais de dez países inclusive no Brasil devido ao seu conteúdo traumatizante. Ganhou várias sequências e algumas refilmagens, mas nenhuma delas se compara ao original. Influenciou toda uma geração e uma grande parte do que se foi produzido nos anos seguintes.

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Tobe Hooper dirigiu POLTERGEIST 1982 sob a produção de Spielberg e talvez por isso não conseguiu chegar nem próximo de O Massacre. Fez também O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 1986, desnecessária continuação com um tom de sátira, mas que consegue agradar a quem goste de uma arte mais voltada pro gore, ainda mais quando se tem o veterano Tom Savini fazendo os efeitos de maquiagem.

O ator Gunnar Hansen imortalizou o verdadeiro Leatherface e trabalhou também em HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS 1989, filme de produção amadora que foi lançado aqui com o picareta título O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3, O MASSACRE FINAL, porém sua única ligação com o original é a presença de Gunnar.

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA deixa evidente a idéia de que excelentes filmes de terror se fazem com pouca grana. Também a questão de ser inspirado em fatos reais consegue deixar a obra ainda mais aterrorizante. A forte ligação com Ed Gein se dá principalmente na criação de Leatherface, nos corpos pendurados em ganchos de açougue e nos túmulos violados que são noticiados no rádio. Algumas fontes alegam que para atiçar os produtores e conseguir dinheiro para a realização do filme, Tobe Hooper produziu um pequeno trailer sem imagens, só com gritos e o barulho da motosserra.

Muito obrigado senhor Tobe Hooper por ter nos presenteado com esta brutal obra de arte inigualável.

Nota:     

Crítica escrita por Rogerio Emilio

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