À Meia-Noite Levarei a sua Alma (1964)

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1964 / Brasil / 84 min / Direção: José Mojica Marins / Roteiro: José Mojica Marins / Produção:Arildo Iruam, Geraldo Martins, Ilídio Martins / Elenco: José Mojica Marins, Magda Mei, Nivaldo de Lima, Valeria Vasquez

José Mojica sempre será lembrado pelo seu personagem “Zé do Caixão” e pelos seus filmes de terror. Mas ele é mais que isso, ele é um ótimo realizador, ele escreve, dirigi e atua em seus filmes. Ele realizou cerca de 37 filmes dos anos 50 até hoje, podemos dizer que ele é um dos maiores contribuidores do cinema junto com Glauber Rocha, Anselmo Duarte, Fernando Meirelles e Walter Salles. Apesar de que no Brasil ele é visto mais como uma figura cômica do que um cineasta sério. É o que não acontece em países da Europa, E.U.A e o Canadá onde ele é reconhecido e respeitado.

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Em seu segundo longa-metragem voltado ao terror que é sua marca registrada José Mojica, cria o personagem “Zé do Caixão”. Na historia do filme “À Meia-Noite Levarei a sua Alma” Zé do Caixão é um coveiro cético que aterroriza a cidade com as suas opiniões e atitudes. Essa peculiaridade sobre seu personagem achei um ponto forte no roteiro, e na sua atuação. Lembrando que o filme é de 1964, Zé é contraditório em relação às crenças que tem em sua cidade como comer carne em dia santo, zombar dos mortos e por ai vai. Ele é casado com Lenita (Valeria Vasquez), mas é descontente com o seu casamento por que ela não pode gerar um filho e como ele mesmo diz: “Para que serve uma mulher, se ela não pode criar a vida”. E em todo momento ele deixa claro que não gosta da mulher. Zé tem como melhor amigo Antonio (Nivaldo Lima) que está noivo de Teresinha (Magda Mei), ele fica apaixonado por ela e tenta conquistá-la e para isso ele começa uma onda de assassinatos para chegar ao seu objetivo. A cidade inteira tem medo dele e como ele sabe disso, se aproveita para abusar de todos.

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A única pessoa que não tem medo dele é uma velha bruxa da cidade, que deixa Zé em alerta sobre o seu destino. Como ele tenta cumprir sempre seus objetivos, Zé começa assassinando sua esposa. Essa parte dos assassinatos que gostei porque mesmo sendo um filme de baixo orçamento o roteiro é inteligente e convence muito em relação aos assassinatos, podemos ver certo profissionalismo nas ações de Zé do Caixão, como parecer que todas as mortes foram acidentais e realmente é bem pensado isso e muito bem executado. Depois que Zé finalmente consegue ficar com Teresinha mesmo que seja a força, ela se mata e antes disso ela lança uma maldição sobre Zé dizendo que sua alma irá queimar no inferno. Sendo um homem lógico ele não acredita em nada sobre esse papo de inferno, céu, deus. E isso rende diálogos engraçados como “se eu vir o diabo vou convidá-lo para almoçar”. Até que um novo encontro com a bruxa ela diz para Zé se preparar porque essa será sua ultima noite sobre a terra, as cenas em que a profecia da bruxa se conclui se diz muito sobre a qualidade da equipe como uma ótima produção, maquiagem e lembrando novamente que estamos em 1964 e falando sobre um filme de baixo orçamento, mas a edição do filme é algo surpreendente como o uso frequente do efeito kuleshov, que são cortes do rosto do personagem que intercala com algo desde objetos e pessoas, claro que tenha algum significado para o filme ou para o personagem.

O filme mostra que mesmo com um baixo orçamento e a situação do Brasil nos anos 60 não foram barreiras para José Mojica realizar essa ótima produção cheia de surpresas, diálogos bem elaborados e uma direção tanto de atores como do filme em geral. José Mojica já passou da hora de pararmos de ver ele como uma figura cômica e respeitarmos esse gênio do cinema de terror brasileiro.Isso serve como crítica também para o cinema de gênero do Brasil que com mais de 50 anos tentando fazer algo ainda tem muito o que crescer.

Nota:       

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