Ainda Estamos Aqui (2015)

 

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2015 / EUA / 84 min / Direção: Ted Geoghegan/ Roteiro: Ted Geoghegan e Richard Griffin/ Produção: Badie Ali,Hamza Ali,Malik B. Ali,Eben Kostbar,Greg Newman,Jade Porter II e Travis Stevens/ Elenco: Monte Markham, Larry Fessenden, Lisa Marie, Andrew Sensenig e Barbara Crampton

O que dizer de uma produção que pega todos os maiores clichês do cinema de terror e coloca na tela. Uma mistura de “Os Outros”, “Amityville” e até de certa forma “Colheita Maldita”, o filme consegue manter um ar de suspense no começo.

O filme começa quando vemos o casal Paul e Anne Sacchetti que é vivido pelos atores Andrew Sensenig e Barbara Crampton. Ela que é mais conhecida pelos filmes do Stuart Gordon como “Re-Animator”, “Do Além” e “Castle Freak” e podemos vela atuando no ótimo “thriller” de Adam Wingard que é o “Você é o Próximo”. Ao chegar numa casa afastada no interior de uma cidade, eles começam a se instalar para esquecer a morte do filho. Não sabemos direito o que aconteceu com eles ou com o filho deles, só sabemos que foi uma tragédia e a mudança foi nescessaria. Todo o filme se passa dentro da casa praticamente. E isso também cria uma sensação tanto de medo como da claustrofobia. Coisa que fica e também é muito bem elaborada, lembrando que isso é uma clara influencia como Amityville.

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Aos poucos o mistério que cresce na casa e também com a cidade deixa tudo melhor. Ouvimos passos a noite, o aquecedor não funciona e tudo fica congelado praticamente e as ilusões com a morte faz os sustos ficarem melhores também. Como numa cena onde Paul está dormindo e seus sonhos se confundem com sua mulher ao seu lado na cama e aos poucos sua cara começa a derreter, assim temos a presença do gore também. Seus “vizinhos” batem na porta do casal à noite e conhecemos o casal de idosos Dave e Cat McCabe. Eles contam uma história falando que a casa era uma funerária onde o dono enlouqueceu e assim matou toda a sua família e etc. Mas o tom de conspiração fica mais evidente quando algumas coisas não se encaixam na explicação do casal e também a atitude da cidade em relação aos seus novos visitantes.
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Com a chegada de Jacob (Larry Fessenden) e May (Lisa Marie), um casal hippie perdido no tempo. Usam da mediunidade e assim convoca os espíritos da casa. Uma das cenas que mais achei legal e também saiu um pouco do obvio foi quando Jacob e Paul fazem uma sessão os espíritos chegam, ou melhor, ficam visíveis. Isso acontece nas cenas finais e fica tudo mais corrido e empolgante. Temos várias mortes bizarras e também um gore puro de raiz. Com direito a cabeça explodindo e voando na câmera. Mas o que poderia ser uma coisa corajosa, ele se rende e fica chata e também desgastante. Lembrou a fase do Steven Spielberg pós “E.T – O Extraterrestre”. Onde ele só se preocupava em fazer filmes para a família.

“Ainda Estamos Aqui”, é um filme bem desinteressante na verdade. Mas consegue conquistar e se afirmar como uma boa produção até. Efeitos práticos, os atores são bons. Só o roteiro de Ted Geoghegan que também é o diretor do filme que deixa as coisas mais chatas na narrativa. Mas a direção é muito boa. As referencias “ok” até. Só que poderia ser mais do que foi. Como todos os filmes que estão sendo lançados por ai. O jeito é ou rever as produções das décadas de 70,80 e 90 e torcer por mais filmes corajosos, trash e também com muito mais gore.

Nota:     

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Sobrenatural: A Origem (2015)

 

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2015 / EUA / 97 min / Direção: Leigh Whannell/ Roteiro: Leigh Whannell/ Produção: Laura Altmann, Jason Blum, Oren Peli, James Wan/ Elenco: Michael Reid MacKay, Tate Berney, Lin Shaye, Steve Coulter, Stefanie Scott, Dermot Mulroney

“Sobrenatural” chega a seu terceiro filme. Franquia que começou em 2010 com o excelente filme que trazia no elenco Patrick Wilson e Rose Bryne. E contava a história de uma família atormentada não por um fantasma e sim vários, que no decorrer da trama se mostrou muito mais elaborada do que parecia. E os efeitos eram ótimos, muito me lembrou os filmes de Guilherme DelToro como “O Labirinto do Fauno” onde tínhamos vários monstros e a imaginação da direção enchia a produção em si. E podíamos ver isso nessa primeira parte.

A direção claro rouba tudo o primeiro e o segundo filme foi dirigido por James Wan, que também é responsável por excelentes filmes como “Gritos de Horror”, “Jogos Mortais” e claro a revelação que foi “ Invocação do Mal”. Mas na segunda parte de “Sobrenatural”, o diretor deu uma escorregada e feia ao contar o desfecho da família Lambert.  Com uma trama fraca, um roteiro péssimo que não lembra nem de perto a primeira parte. Pareceu que tudo ia se perder e cair novamente para um ostracismo que foi às seqüências de “Jogos Mortais”. O anuncio do terceiro filme ocorreu e falaram que ia ser uma espécie de origem de toda aquela mitologia envolvendo o casal Lambert e a “vidente” Elise.

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Esse ano saiu o filme e nossa quebrei a cara. A direção ficou por conta de Leigh Whannell que foi roteirista e criador da trilogia. E também escreveu os roteiros dos filmes de James Wan. Mas parece que sabiamente a direção foi pra ele, e temos esse maravilhoso filme de estréia do diretor.  Com uma trama bem interessante, que pega bem o lance da família. Coisa que é abordada nos outros filmes, e também o sentimento de perda e redenção com o desconhecido.  Na terceira parte que é a origem, não temos a presença do casal principal dos dois filmes.   E sim uma garota, Stefanie Scott é Quinn Brenner. Ela perdeu recentemente sua mãe e então ela vai atrás de Elise (Lin Shaye) que também sofreu uma perda e assim tem medo de usar seu dom. Assim ela informa para a garota não a procurar novamente e também não tentar invocar o espírito da mãe sozinha. Nas próximas cenas conhecemos o restante da família Brenner. Gostei de como Whannell conseguiu introduzir não só todos os personagens como também o que cada um faz, pensa ou age dentro de casa. Como por exemplo, vemos que Quinn quer ser atriz e seu pai não consegue lidar com a morte da esposa.

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O que se segue depois é o suspense por trás da trama, a não revelação do porque os espíritos entrarem em contato com ela e sim os sustos, aparições e claro o medo. Quinn sofre um acidente e assim a trama começa a se focar num lugar só. O apartamento deles, o sentimento de claustrofobia toma conta quando vemos que em todas as direções a menina esta cercada por um espírito que completar sua alma e assim tenta trazê-la a todo custo para um limbo e assim “sodomizar” sua alma.  Os efeitos práticos, coisa que anda em desfalque na indústria a tempos. É sempre recuperado nas mãos de diretores saudosistas como o próprio Wan, Ti West e Adam Wingard. Que usam e abusam da imaginação e traz aquele espírito anos 80 para os seus filmes.

“Sobrenatural: A Origem” é espetacular e conseguiu dar um bom fôlego para a franquia. As histórias estão muito bem focadas e o horror claro está magnífico. Um bom filme e também uma ótima recapitulação para a série. Mas claro que esperamos mais filmes de Leigh Whannell. E também de outros diretores que não caem no clichê e são mais criativos que nunca.

Nota:     

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Tusk (2014)

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2014 / EUA / 102 min / Direção: Kevin Smith / Roteiro: Kevin Smith / Produção: Sam Englebardt, David S. Greathouse, William D. Johnson, Shannon McIntosh/ Elenco: Justin Long, Michael Parks, Haley Joel Osment, Genesis Rodriguez, Johnny Depp, Harley Morenstein, Ralph Garman, Jennifer Schwalbach Smith, Harley Quinn Smith, Lily-Rose Melody Depp

Kevin Smith é um diretor que da certa inveja de ver seu trabalho, digo isso pelo seu processo criativo e também a facilidade de fazer seus filmes. Não digo no ponto de vista da produção executiva, mas de como ele consegue escrever e escalar seus atores.

Seu primeiro filme “O Balconista” foi sensação no “Festival de Sundance”. E assim ele foi aos poucos conquistando legião de fãs. Tanto pela suas piadas adolescentes que tem em seus filmes, como também seu lado nerd.  Smith é roteirista da Marvel e escreveu algumas histórias do “Demolidor”, além disso, tem seu próprio programa na TV sobre quadrinhos que é o “Comic Book Men”. Mas tirando toda essa gama de nerd, os seus roteiros são consistentes e bem desenvolvidos, além também de super divertidos.

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Em “Tusk” seu ultimo filme onde ele cria um terror à moda antiga, foi inspirado dentro do seu próprio podcast. A partir disso ele cria a história de um “podcaster” que viaja para alguns lugares para recolher histórias bizarras para o seu programa. Então ele vai até o Canadá onde conhece Howard Howe (Michael Parks) um homem solitário que conta as aventuras de sua vida para Wallace (Justin Long). A partir daí ele começa a montar uma história para o seu programa. Só que não contava que Howard é um maníaco obcecado por “Morsas”. E no melhor estilo “A Ilha do Dr. Moreau” ou até mesmo “A Centopeia Humana”, Howard cria a “Morsa Humana” ao dizer isso pode parecer idiota o filme, mas ele consegue contornar a situação. Os roteiros de Smith, sempre foram geniais dentro da sua proposta, tanto “Dogma” que provocou multidões de religiosos enfurecidos ao mostrar Jesus como uma mulher, ou até “Red State” ao mexer com a liberdade de expressão que os cultos têm dentro dos EUA. Mas o que melhorou foi à qualidade técnica em seus filmes, como os enquadramentos que ficaram mais sofisticados e a direção de arte que também evoluiu bastante.

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O filme conta com a participação de Haley Joel Osment, que deu uma sumida e agora voltou em dois projetos novos que estreiam ano que vem. Johnny Deep que novamente nos carimba com um dos seus famosos personagens bizarros, nesse filme ele faz um investigador com um sotaque francês horrível, que invés de ser o alivio cômico, da pena da sua atuação. O filme erra ao deixar Deep meio solto para atuar, a produção já é engraçada pela situação do enredo principal de termos uma “Morsa Humana”, não tem necessidade de mais comédia, ou tentar aliviar algo.

“Tusk” apesar de não ser um filme bom dentro de sua proposta de não ser  levado a sério, ele cria como o próprio “Centopeia Humana”, uma áurea interessante ao explorar essa necessidade do homem sempre querer chegar ao extremo do bizarro. Kevin Smith realmente conseguiu o que queria, ele roteiriza e dirigi esse que é um filme divertidíssimo e também cruel a sua maneira. Realmente é um deleite para os fãs do diretor ou até mesmo para aqueles fãs “old school” de terror, que pouco a pouco vão perdendo espaço para super produções infantiloides que não respeitam os respeitam. Ainda bem que temos diretor como o próprio Smith ou até Eli Roth que tanto nos assusta e também nos diverte com seus filmes irreverentes e bizarros.

Nota:     

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Você é o Próximo (2011)

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2011 / EUA / 95 min / Direção: Adam Wingard / Roteiro: Simon Barrett / Produção: Simon Barrett, Keith Calder, Kim Sherman, Jessica Wu / Elenco: Sharni Vinson, Joe Swanberg, AJ Bowen, Nicholas Tucci, Wendy Glenn, Margaret Laney, Amy Seimetz, Ti West, Rob Moran, Barbara Crampton, L.C. Holt, Simon Barrett, Simon Barrett, Lane Hughes, Kate Lyn Sheil

Uma vez escrevi a crítica de “House of Devil” do diretor Ti West e disse que ele e James Wan são um dos melhores diretores da atualidade de filmes de terror. Bem eu errei, não por completo, mas esqueci de citar Adam Wingard. Juntos os três produzem ótimos filmes de baixo orçamento, voltado para um terror mais alternativo que pega o espírito de filmes dos anos 70 e 80 e dispensa quase por completo o uso de efeitos especiais.

“Você é o próximo” é um bom exemplo de filmes que praticamente se tem um orçamento muito baixo e ganha força pela sua estrutura tanto de roteiro que é bem elaborado e sua produção, tanto o elenco como a direção que surpreende.

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Adam Wingard dirigiu um dos curtas do ótimo V/H/S 1 e 2 mostrando uma versatilidade em lidar com o terror, tanto o sobrenatural como o terror psicológico, e esse tema de caça entre gato e rato que é mostrando nesse filme, o famoso “survivor”.

Mas o filme começa já mostrando o que esperar, um casal está transando. O homem parece estar dando tudo de si, mas a moça nem liga. Ele termina o ato, enquanto ele vai tomar um banho ela vai passear pela casa. Nisso, algumas pessoas observam o que acontece dentro dela. O uso da câmera subjetiva é usado quase o tempo todo, mas é compreensivo nesse tipo de filme, o lado bom que é usado sabiamente. O casal que estava dentro da casa é assassinado. E na cena seguinte temos uma bela fotografia de uma estrada e um carro seguindo nela, se tratam de Paul (Rob Moran) e Aubrey (Barbara Crampton) os dois casados a um bom tempo vão curtir aposentadoria numa casa que Paul comprou para reformar, e eles aproveitam para reunir a família novamente nessa data especial.

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O casal principal Crispian (AJ Bowen) e Erin (Sharni Vinson) é um casal feliz, mas na primeira cena você sente que tem algo errado com Crispian quando parece que ela está mais apaixonada do que ele. Ao passar do filme a família vai se reunindo e os problemas de integração também, o filme não explora muito o passado deles. Só o presente, mas percebemos que alguns não são os prediletos dos pais como o próprio Crispian e o seu irmão Felix (Nicholas Tucci) que sempre fica calado e longe de todos. Mas logo um jogo de sobrevivência se instala naquela casa e um a um todos são mortos, um de cada jeito. As cenas de gore em que a família vai morrendo são bem feitas, a maquiagem e a decisão de não mostrar uma violência mais crua e deixar para o espectador imaginar como foi à morte é ao mesmo tempo não ser grosseiro e deixar certa livre interpretação da cena para o publico.

Ao desenrolar da historias alguns segredos da gangue de assassinos vai se revelando, Erin revela que ela cresceu num campo de refugiados e sobrevivência era fundamental para ela continuar. Então aos poucos ela vai se revelando uma caçadora e matando aquela gangue até chegar numa terrível verdade. Que mesmo não mostrando, o roteiro deixa no subjetivo e você percebe que ela de certa maneira se mudou por completo, com aquelas ações.

Um ótimo filme, para quem gosta desse gênero de sobrevivência. Como foi feito em “Os Estranhos” um filme muito subestimado, por causa do seu final, em que simplesmente os assassinos vão embora do local do crime não revelando o que eles eram e tal. Mas diferente de “Você é o próximo” nem tudo na vida tem que ter uma explicação. Exceto esse que mesmo tendo uma explicação e deixando para o grande publico tudo obvio, ao mesmo tempo é interessante e trabalha bem os estereótipos do “survivor”, realmente um bom filme.

Nota: 

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Seita Mortal (2011)

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2011 / EUA / 88 min / Direção: Kevin Smith / Roteiro: Kevin Smith / Produção: Jonathan Gordon / Elenco: Michael Parks, Melissa Leo, John Goodman, Michael Angarano, Nicholas Braun, Ronnie Connell, Kaylee DeFer, Joey Figueroa, Kyle Gallner, Anna Gunn, Matt Jones, John Lacy, Catherine McCord

Quem conhece o diretor de comédias Kevin Smith se lembra de filmes como “O Balconista”, ”Barrados no Shopping” e “Dogma”. Ele sempre foi um produtor, diretor, roteirista e ator, bem versátil. Assim como o seu publico ele é um grande nerd, que coleciona quadrinhos, joga videogames e tem boas idéias para as suas historias. Alguns bons anos atrás ele foi convidado para escrever algumas historias para o “Demolidor” da Marvel Comics. Em 1995 ele fez o excelente filme “Barrados no Shopping” que mostra ainda mais esse lado bem nerd. Mas que se perde em seus filmes seguintes como “Procura-se Amy” e “Pagando bem, que mal tem?”.

Mas em seus filmes nunca teve assuntos sérios, talvez “Dogma” que ele mexe com a igreja e retrata Deus como uma mulher e sinceramente foi genial! Até o humorista George Carlin que sempre ataca a igreja em suas comédias faz um padre meio louco, achei um excelente filme que faz uma critica para a sociedade que mantém sempre um padrão e tem a necessidade de rotular tudo.

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Em “Red State” que no Brasil se chama “Seita Mortal”, não conduz o que o filme fala. Na constituição Americana, uma das primeiras coisas que ela cita é da “livre liberdade de expressão” por isso que ainda existem cultos como a “klu Klux Klan” e algumas reuniões Neonazistas. E o aumento do ódio contra homossexuais, imigrantes, judeus e negros.

Sempre essa raiva vem de algum manifesto, seja de igrejas, lideres de cultos bizarros. Mas em red state fala justamente da bíblia e cultos de uma forma distorcida, eles usam as palavras de deus para matar e fazer uma lavagem cerebral nas crianças, que se pensando bem não é diferente do resto das religiões do mundo, que tentam oprimir e abusar de certas pessoas. Como o caso do padre americano que abusou de mais de 200 crianças surdas e foi encoberto pelo vaticano. E falando de opressão tem coisa pior do que esfregar sua religião na cara dos outros como entregar bíblias na frente de faculdades ou criar portais com as palavras “O Senhor Jesus é dono de tal cidade”, não respeitando se você é judeu, budista ou do candomblé. Padres são Nazistas de colarinhos e os católicos seus fies cães da SS.

No filme Michael Parks (Kill Bill, Um drink no inferno) vive o pastor Abin Cooper, dono de um culto ultra radical que tenta de todas as maneiras acabar com homossexuais, judeus, pervertidos e quase o resto da humanidade. Travis (Michael Angarano), Billy-Ray (Nicholas Braun) e Jarod (Kyle Gallner) são três amigos que como qualquer adolescente está com os hormônios à flor da pele. Jarod diz que conseguiu um esquema para os três transarem. Então Travis consegue o carro e vai com os amigos até a casa dessa mulher. Chegando a casa ela oferece cerveja para eles, mas são ludibriados e caem na armadilha do culto levados a igreja eles servem como sacrifícios para deus, o que achei interessante no roteiro é como Kevin Smith usou o velho testamento com o novo testamento, o culto de Abin pode ser visto como o deus do velho testamento; Um deus cruel, que se vinga das pessoas e as usa como bem quer sem perdão. A frase que Abin usa quando ele sacrifica a primeira pessoa é a seguinte “Deus é amor? Claro que não! Ele separa as pessoas, assim como ele separou as pessoas da família de Nóe. Deus não é uma pessoa compreensiva, ele é um ser vingador que as castiga, por isso é nosso dever levar elas para o fogo eterno”.

Essa lavagem cerebral que ele usa não é muito diferente novamente do resto das religiões, você pode usar a desculpa de qualquer coisa para manifestar o seu ódio.

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Mas a historia tem novamente uma reviravolta e passa a ser contada por um outro ponto de vista que sai do manifesto e livre expressão, para um grupo terrorista. E o protagonista da historia se torna Joseph Keenan (John Goodman), um agente especial do governo que investiga o culto de Abin a anos, e finalmente ele consegue algo concreto para poder prender eles. Se analisarmos bem a chegada da policia na historia podemos entender como sendo à chegada de “Deus” já que no começo do filme ele é citado como uma pessoa vingativa, esse deus vingativo não perdoa ninguém. E é isso que a policia faz. Joseph recebe ordens diretas de invadir o local e matar todos, eles sabem que a crianças lá dentro. Mas mesmo assim ordens são ordens e a invasão acontece, o grupo religioso que também pratica atos terroristas tem um arsenal com todos os tipos de armas e tem uma guerra contra a policia. Em todos os lados a perda,quando Abin e seu grupo fazem o sacrifício final que é tentar matar todos os policiais,e no meio do filme soa uma trombeta, a trombeta é um anuncio que o apocalipse está acontecendo o culto fica alegre e Abin acredita que deus vai levar eles para o reino dos céus.

E novamente é interessante como Kevin Smith brinca e fica no limite da razão, por alguns minutos você fica incomodado e pensa: “realmente o que o culto falou tem razão o apocalipse chegou!” e você é levado a pensar será que deus existe? Será que estou blasfemando mesmo? E se realmente existir alguma coisa mais poderosa do que a razão e a lógica? Mas Kevin Smith usa a ironia para dizer que aquilo não é de verdade, que uma simples torrada com a forma de Jesus, não quer dizer que aquilo é um milagre! Só quer dizer realmente que é uma torrada com a cara de Jesus.

A má fama de Kevin Smith se acaba nesse filme, apesar de que acho que essa má fama nunca existiu. Ele faz filmes legais, com roteiros simples, e com poucas variações de linguagem cinematográfica e uma fotografia simples. Mas é compensado com uma historia divertida e realmente engraçada.

Levo os leitores a reverem os filmes dele e deixar de lado esse olhar preconceituoso. Por que ás vezes nem todos os diretores querem ser os gênios da historia do cinema. Só relaxe e ria com os filmes dele. Por que falar de Star Wars, quadrinhos, sexo e drogas são mais divertidos por um olhar nerd, do que uma pessoa super culta e chata que pensa que todo o filme tem que ser uma revolução de frame por segundo.

Nota:   

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O Aprendiz (1998)

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1998 / EUA / 95 min / Direção: Bryan Singer / Roteiro: Brandon Boyce, Stephen King / Produção: Jane Hamsher, Don Murphy, Bryan Singer/ Elenco: Ian McKellen, Brad Renfro, Joshua Jackson, Mickey Cottrell, Michael Reid MacKay, Ann Dowd, Bruce Davison, James Karen, Heather McComb 

Ninguém é totalmente mal ou totalmente bom, é o que sempre defendem. Mas existem contradições? Sim! É o que aborda o filme “O Aprendiz” dirigido por Bryan Singer, diretor de “X-men” e de “Superman – O Retorno”. O filme é baseado num conto de Stephen King que faz parte do livro “As quatro estações”.

A história começa com um excelente aluno, na verdade ele se mostra muito mais maduro pela idade dele. O jovem em questão é Todd Bowden (Brad Renfro) a primeira cena que ele é apresentado, o professor entrega suas notas e diz “deveríamos ter mais alunos como você”. Todd ganha uma nota “A” em história e logo depois da aula corre para a biblioteca para estudar sua matéria favorita. Mas ai entra uma questão será que história é sua matéria favorita ou no caso um evento em questão que é a segunda guerra mundial? A segunda grande guerra é marcada por ser a ultima guerra romântica onde tínhamos um lado definido de quem era realmente os “malvados” que no caso era o Eixo e os “bons” que eram os Aliados. Mas depois de várias décadas isso mudou e a guerra é o que vemos hoje, uma coisa tola e sem necessidade.

Todd começa a investigar um velho que mora em sua cidade. E ele desconfia que seja um nazista fugitivo, mas quando ele chega ao fundo de sua investigação, ele comprava que esse nazista em questão é mesmo o velho de sua cidade, e ele é na verdade Kurt Dussander (Ian Mckellen) que agora vive sua vida dentro de sua casa e de certa forma se matando aos poucos, com cigarros e bebidas. Mas tudo muda quando Todd se apresenta para Kurt dizendo que sabe quem ele, e gostaria de saber como era viver na Alemanha naquela época. No começo do filme você até pega uma empatia por Kurt, por ele ser velho e estar naquela situação, mas ele te engana o filme todo, e é ai que entra o brilhantismo de Mckellen.

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Quando Kurt vai contando as historias para Todd, o garoto entra fundo nesse mundo e assim ele começa a ter pesadelos sobre campos de concentração. Somos levados a pensar que aquilo tudo é pura imaginação da cabeça do garoto, mas na verdade Kurt está colocando uma semente na cabeça de Todd. Que ao longo do filme vai desbotando e mostrando a transformação do garoto.

Mas esse lance de transformação é uma coisa que o nazismo já praticava em deixar as idéias nazistas para próximas gerações. Como funcionou com a “juventude hitlerista”.

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Então o que o filme deixa claro é como o mal pode nascer dentro de uma pessoa e redefinir sua personalidade. Mas ao mesmo tempo em que é horrível acompanhar um garoto virar uma maquina do mal, é totalmente fascinante como esse processo se desenrola e como tudo é bem arquitetado por Kurt. Podemos usar como exemplo a parte final do filme, quando o garoto está se formando na escola e o nazista o chama para lhe ajudar a fazer uma coisa, e o que séria essa coisa? Matar! Kurt arrasta um sem-teto para casa dele e o coloca no porão, no meio disso ele sofre um ataque cardíaco e liga para Todd vir ajudá-lo, quando o garoto chega, ele o tranca dentro do porão e o força a matar o sem-teto, como um ritual de passagem ou como ele mesmo diz: “Vamos ver se você está pronto para mim agora”. Essa metalinguagem apresentada é muito bem feita e elaborada, e só melhora com a parte final, como uma representação de uma passagem da tocha, onde aquilo que estava dentro de Kurt agora vai ficar vivo dentro de Todd.

“O Aprendiz”, ouso dizer que talvez seja uma das melhores historias adaptadas de Stephen King junto com “Cemitério Maldito”, “O Iluminado” e “Louca Obsessão”. Uma historia fascinante que mostra que o mal pode estar vivo dentro de cada um de nos e que aquilo pode nos transformar, como uma pequena labareda que se transforma num fogaréu. E Ian Mckeller da um show de atuação como sempre.

Nota: 

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Martin (1976)

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 1976 / EUA / 95 min / Direção: George A. Romero / Roteiro: George A. Romero / Produção: Richard P. Rubinstein, Patricia Bernesser e Ray Schmaus (Produtores Associados) / Elenco: John Amplas, Lincoln Maazel, Christine Forrest, Elyane Nadeau, Tom Savini

George Romero sempre foi um cara antenado, com os seus filmes, e sempre coloca algum tema polêmico neles. Porém ao invés de apontar e escancarar aquilo, ele é sempre sutil e usa um pano de fundo para tratar desses temas. Como vemos em seus filmes de zumbis que trata sobre racismo, consumismo e militarismo.

Um dos seus filmes mais esquecidos é “Martin”, talvez por fugir do tema que trouxe sua fama, como diretor e roteirista. Em Martin, Romero mostra seu maior diferencial à criatividade. Ele consegue usar o sobrenatural mais uma vez, para falar de um problema que estava em alta nas ruas dos E.U.A e que perdura até os dias de hoje: drogas,violência e a AIDS.

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A história do filme nos apresenta a Martin (John Amplas). Um estranho garoto que tem uma rara doença que não o faz envelhecer, mas em conseqüência ele tem sede de sangue, e isso o faz ser perseguido tanto por pessoas, que não entendem sua doença, como por familiares. Martin se muda para a casa de seu primo Cuda (Lincoln Maazel), um católico fervoroso que vê Martin como um vampiro e até o chama de “Nosferatus” (O filme alemão de 1922 do diretor F.W.Murnau). Sua ignorância chega ao cúmulo ao espalhar alho pela casa, crucifixo e até uma bizarra cena de exorcismo.

Martin sempre vaga pela cidade e nisso você percebe a desigualdade social e novamente o racismo, que é presente nos filmes de Romero. Os bairros de negros são os mais prejudicados com drogados, estupradores, bandidos e outras corjas. Martin percebe que no meio desse povo ele pode se passar despercebido e isso serve para vigiar as suas futuras vítimas, que normalmente são mulheres. Ele as escolhe, estuda seu comportamento e finalmente ataca. A história do vampirismo é bem estruturada e convincente, mas se analisar bem ao fundo você percebe o quanto atual é a obra, mesmo sendo realizada em 1976.

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A parte técnica do filme tem seus altos e baixos, como o continuísmo, que chega a ser triste em algumas partes e atuações bem fraquinhas. No entanto, o roteiro, a direção do Romero e claro a maquiagem do Tom Savini, seu colega em várias produções, salvam o filme.

George Romero é um ótimo cineasta e um excelente crítico social. Vale a pena sair um pouco do gênero zumbi e ver outras obras desse excelente diretor e visionário.

Nota:     

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