Poltergeist – O Fenômeno (1982)

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 1982 / EUA / 114 min / Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Steven Spielberg, Michael Grais, Mark Victor / Produção: Frank Marshall e Steven Spileberg, Kathleen Kennedy (Produtora Associada) / Elenco: Jobeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O’Rourke, Beatrice Straight, Dominique Dunne, Zelda Rubinstein

É raro um filme causar tanta polemica, não pelo seu conteúdo, mas pela sua produção em si. É o caso de “Poltergeist” que houve várias coisas bizarras envolvendo sua produção como atores principais morrendo por doenças raras e um assassinato. Nas três partes da franquia foram marcadas pela morte de alguém.

 Steven Spielberg escreveu e produziu o filme, podemos notar sua influencia, ou melhor, a direção mesmo. No filme todo percebemos isso, onde a câmera faz um “plano geral” do bairro onde a família mora, logo nos lembramos de “E.T”, o quarto do filho do casal onde se tem vários produtos de “Star Wars” do seu amigo George Lucas e até um singelo pôster de “Alien – O 8º Passageiro” do diretor Ridley Scott,uso dos efeitos especiais que estamos acostumados em “Indiana Jones” e “Contatos Imediatos do 3º grau”, e também o uso de “stop-motion” que é muito bem usado. Tobe Hooper “dirigiu” o filme, mas é difícil acreditar que um diretor que veio de “O Massacre da Serra Elétrica” fez esse filme familiar. Mas o filme só tende aumentar com tantos talentos envolvidos, mas o gênero terror não se encaixa muito bem para o filme e sim fantasia.

Poltergeist  explora muito bem o capitalismo e o “American way of life”. Tanto que eles colocam isso no começo do filme, para você conhecer a época, costumes e habitat da população classe B, branca e americana. E depois se apresenta de um modo geral a natureza. E nesse ponto podemos analisar que mesmo o capitalismo e a globalização. Param diante de uma força desconhecida como o sobrenatural. O engraçado também é que você não consegue catalogar bem o conflito do filme se é homem vs natureza ou homem vs sobrenatural. Por que não sabemos se o que acontece no filme é o sobrenatural se manifestando por conta própria ou a natureza dando um jeito de falar: “parem de destruir”.

Em um subúrbio de classe média, Steve (Craig T. Nelson) e Diane (JoBeth Williams) tem 3 filhos Dana (Dominique Dunne) de 16 anos, Robbie (Oliver Robins) de 8 anos e Carol Anne(Heather O’Rourke) de 5 anos. Uma família normal, aos poucos pequenos eventos começam acontecer que só Carol Anne percebe como a presença de alguém na casa e depois eventos como móveis se mexendo. Como a cena onde Diane está na cozinha e ela abaixa para pegar alguns produtos de limpeza e quando ela levanta, as cadeiras da mesa estão empilhadas em cima da mesa e a pequena Carol Anne sentada  olhando para a mãe. Diane assustada só fala: “Foram às pessoas da TV?” e Carol Anne da um “sim” com a cabeça. O começo parece ser bem divertido e inocente até os eventos paranormais. Mas quando o filme vai avançado os eventos também, até chegar ao ponto de uma manifestação mais física acontecer e Carol Anne é levado para outro mundo.

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A segunda parte do filme começa a tocar em um assunto que acho bem legal, que é a crença. Steve e Diane procuram alguém especializado nesse assunto, e procuram essas pessoas no meio acadêmico. Achei gozado que a primeira ideia deles serem procurar em uma universidade e não em cartomantes, mágicos, médiuns e etc.. Mas sim em uma faculdade, achei um furo de roteiro ruim, deveriam ter explorado mais esse assunto. Mas a cena da equipe de paranormais é muito bem feitas e trabalhadas, as cenas em que os espíritos começam a aparecer é uma prova que mesmo 31 anos depois o filme conseguiu envelhecer muito bem.

A ultima parte é visível a influencia do Spielberg no filme, como as criaturas que aparecem para a família que lembram diretamente “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida”. Quando a equipe paranormal não consegue resolver os problemas da casa eles introduzem na historia Tangina (Zelda Rubinstein) que novamente coloca o problema do roteiro, por que eles colocam um personagem do nada, apenas enfia ela na historia. E novamente quando o sobrenatural aparece para a família, mas na forma da Tangina. Steve não acredita nela apenas Diane que ajoelha e reza. Quando avançamos o filme podemos ver soluções rápidas para um conflito que poderia ser mais bem trabalhado. Com o encerramento do filme vemos cenas mais assustadoras que acredito tenha sido ideia do Tobe Hooper, como corpos saindo do caixão e por final temos uma vitória da natureza sobre o capitalismo.

A ideia do filme é muito boa! De tudo aquilo acontecer porque o bairro foi construído em cima de  um cemitério indígena e os espíritos estarem zangados pelo infortúnio de serem incomodados, quando um cruel e ganancioso dono de imobiliária constrói casas em cima dos corpos. Ao contrario que todos pensam “Poltergeist” não copiou “Cemitério Maldito” do escritor Stephen King. O filme é de 1982 e o livro de 1983, então podemos dizer que os roteiristas tiveram uma bela de uma sacada ao desenvolver a historia.

Tirando alguns erros de roteiro e de historia mesmo, Poltergeist é um excelente filme e memorável em alguns aspectos. Um excelente filme de aventura, com um pequeno toque de horror.

As polemicas são mais assustadoras que o próprio filme em si. Mas confiram o filme!

Nota: 

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A Hora do Espanto (1985)

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Direção: Tom Holland / Roteiro: Tom Holland / Produção: Herb Jaffe, Jerry A. Baerwitz (Produtor Executivo) / Elenco: Chris Sarandon, William Ragsdale, Amanda Bearse, Roddy McDowall, Stephen Geoffreys

Talvez “A Hora do Espanto” seja o filme que mais vi em toda minha infância, clássico absoluto nas tarde dos anos 90 no extinto “Cinema em Casa” do SBT.  O filme tem um teor alto de terror com comédia, no qual apresenta o famoso “terrir” em seu roteiro. O filme não é uma maravilha dentro do gênero, mas da um banho em muitos filmes novos que se julgam terror.  Começando pela ótima maquiagem e efeitos de um filme de 1985, esse também é o primeiro filme do diretor Tom Holland que mais tarde dirigiria outra excelente franquia que é “Brinquedo Assassino” e “A Maldição” que é baseado num livro de Stephen King.

A trama que uma baita homenagem aos filmes clássicos de monstros, focando mais em “Drácula” ou até aquelas produções de vampiros da “Hammer House of Terror”. A Hora do Espanto consegue o que a maioria dos filmes de terror dos anos 80 não consegue, invocar um gosto nostálgico na trama e também encantar com os seus personagens que são maravilhosos. Como Charley Brewster (William Ragsdale) um jovem que ama filmes de terror e que acredita fielmente que seu novo vizinho é um vampiro. Nisso ele envolve seus amigos numa trama pra descobrir a verdade, ou melhor, fazer seus amigos acreditarem nele.

Aos poucos o filme também ganha um ar oitentista com algumas surpresas na trama como o gore, as músicas que embalam o filme como Devo, White Sister e J. Geils Band e também todo aquele ar espalhafatoso dos anos 80. Que é maravilhoso, principalmente com a namorada de Charley, que inexplicavelmente em três cenas totalmente distintas seu cabelo muda do nada.

O filme tem uma história muito bacana e um roteiro muito bem construído até. Charley é um adolescente que se vê numa sinuca de bico quando descobre que seu vizinho é um vampiro, então ele entra num mundo obscuro, onde ele só acreditava que existisse nos filmes apresentado por Peter Vincent. Sim! O nome dele é uma homenagem a Peter Cumshing e Vincent Prince. Aos poucos a vida de Charley muda completamente e ele é tomado pelo medo. Procurando seus amigos pra ajudá-lo nessa empreitada, sua namorada Amy (Amanda Bearse) e seu amigo “freak” Evil Ed (Stephen Geoffreys), ou na melhor dublagem tupiniquim “Maldoso”.

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Mas tudo isso cai por terra quando ninguém acredita em Charley. Quando ele procurar Peter para uma ajuda, ele leva outra balde de água fria. Principalmente quando o ator tem seu programa cancelado pela baixa audiência e também da uma lição a todos nos com a seguinte frase: “Hoje em dia ninguém se interessa por vampiros ou monstros. As pessoas só querem saber de malucos com mascaras correndo atrás de jovens inocentes”. E isso é uma verdade absoluta já que nos anos 80 temos vários filmes desse tipo como “Halloween”, “Sexta Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”. Exemplo de franquias que conseguiram sobreviver aos anos 80. Mas tivemos milhares de filmes com essa mesma temática.  Isso é uma espetada clara aos filmes “Slasher”, uma curiosidade é que Francis Ford Coppola inaugurou esse estilo com “Demência 13”.

Jerry Dandrige (Chris Sarandon) o vampiro consegue transformar a namorada de Charley e Ed em vampiros, resta ao nosso amigo e Peter correr atrás pra matar o vampiro e ter seus amigos de volta. As cenas finais são espetaculares, com uma maquiagem divina. Principalmente com a de Ed se transformando de lobo em humano, é coisa digna de “Um Lobisomem Americano em Londres”. Richard Edlund que fez a maquiagem e efeitos do filme é um gênio, digo isso sem sobra de duvidas, já que ele trabalhou em clássicos do cinema como Star Wars, Indiana Jones e Caça Fantasmas. Mas como disse no começo da crítica o elenco é incrível! Temos um vampiro sádico e sarcástico, um matador de vampiros desacreditado e claro Charley que por muito tempo na minha infância era meu herói, principalmente com “A Hora do Espanto – Parte 2”.

O filme ganhou um remake em 2011, mas confesso que não gostei muito. Principalmente por colocar algo moderno numa coisa datada que da muito certo. Como o próprio Peter disse. Mas da para tirar alguma coisa do remake e ele consegue dar alguns sustos, eu disse que “consegue”. Mas um conselho do tio aqui, vá direto pra fonte e beba do original. Tom Holland foi ousado em seu primeiro filme e conseguiu reviver o gênero de vampiros e graças a ele tivemos um ótimo filme também dos anos 80 que é “Os Garotos Perdidos”. Agora é torcer pra que esse ótimo gênero do terror clássico, com seus ótimos monstros não caia. Porque dependendo dessa garotada de hoje estamos perdidos, infelizmente.

Nota: 

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A Volta dos Mortos Vivos (1985)

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Direção: Dan O’Bannon / Roteiro: Dan O’Bannon (baseado na história de John Russo e Russell Streiner) / Produção: Tom Fox, Graham Anderson (Coprodutor), John Daly e Derek Gibson (Produtores Executivos) / Elenco: Clu Gulager, James Karen, Don Calfa, Thom Mathews, Beverly Randolph

A volta dos Mortos-Vivos é um clássico dos anos 80 um filme de horror misturado com comédia. Ele faz uma parodia com os filmes de George Romero onde explora também o mesmo tema que é a sobrevivência e a tentativa de uma socialização forçada diante de um evento maior. Nesse caso “Zumbis”! Mas o filme muda bastante, primeiro por ser uma comédia e depois mostrar o porquê de ter zumbis no filme. Diferente de Romero que nunca explica o motivo e só coloca as alternativas como sendo armas químicas, algum experimento que deu errado ou até mesmo o apocalipse.

Mas Dan O’Bannon, que foi roteirista de outro clássico que foi Alien – O Oitavo Passageiro. O diretor brinca com esses motivos colocando os mortos revivendo por uma bizarra experiência militar, onde um gás faz eles “acordarem” e atacar qualquer ser vivo atrás de cérebros. Essa situação bizarra só é maior graças aos seus personagens, como um grupo de “punk’s” que se vestem e agem pior que os mortos-vivos. Prova disso é quando Freddy (Thom Mathews) começa a trabalhar em um armazém e seus amigos o esperam sair do trabalho. Para passar o tempo eles decidem invadir um cemitério para se divertir. Trash (Linnea Quigley) uma das garotas do grupo tem um lema “Sexo e Morte” ela começa a tirar roupa em cima de um caixão. Enquanto isso Freddy e Frank (James Karen) são afetados pelo gás do exercito, e acabam trazendo a vida os mortos do armazém. Eles conseguem matar alguns, mas ainda tem uma grande questão o que fazer com os corpos?

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Eles decidem usar a fornalha do cemitério onde o simpático Ernie (Don Calfa) toma conta do lugar. Freddy e Frank queimam o corpo e a toxina que estava no corpo dos mortos contamina o cemitério todo fazendo com que os mortos ganhem vida.

Isso não poderia ser mais bizarro se não fosse pelos próprios mortos como um anão zumbi, velhos zumbis e todos gritam “Brains” que deixa todo o filme um misto de comédia com um gosto de gore. Os mortos andam novamente e isso faz que o grupo se separe uma parte vai até o armazém onde Freddy trabalha e outra parte se refugia dentro do necrotério. A partir disso é tudo um jogo onde não a vencedores, só o pânico geral. De um em um o grupo vai diminuindo.

Não vendo solução para o problema, eles ligam para o exercito e o coronel que está atrás do contêiner que é mostrado no começo do filme aciona um protocolo e dispara uma bomba nuclear que devasta a cidade inteira. Essa cena lembrou bastante o final de “A Noite dos Mortos-Vivos” de Romero onde se tem algumas imagens aéreas e uma narração é acompanhada no final do filme.

“A Volta dos Mortos-Vivos” é um filme bem interessante e divertido, é “trash” e despretensioso antes de “Shaun of the dead”. Zumbis já eram parodias certas, apesar de que o tom do primeiro filme ser um pouco mais séria o segundo filme já caiu no deboche desnecessário o típico filme que você desliga o cérebro para assistir. Mas assistam e se divirtam que esse filme que é um clássico do terror dos anos 80.

Nota: 

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